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Cinema e Series

Blade Runner e The Thing: 44 anos depois, o que mudou Hollywood

· · 4 min de leitura
Corredor em pista iluminada por neon, vestindo jaqueta de couro estilo cyberpunk, segurando garrafa d'água
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Em 25 de junho de 1982, duas obras que hoje são veneradas como clássicos estrearam simultaneamente nos cinemas dos EUA: blade runner, dirigido por Ridley Scott, e the thing, de John Carpenter. Na época, ambos foram recebidos como fracassos de bilheteria e críticos, mas a história mostrou que o impacto cultural pode levar décadas para se revelar.

Blade Runner (1982): a visão distópica que ninguém entendeu

Blade Runner — filme de ficção científica baseado no romance Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick — chegou aos cinemas com um orçamento de US$ 30 milhões. O lançamento foi marcado por um fim de semana competitivo, ao lado de The Thing, Star Trek II: The Wrath of Khan e E.T. the Extra-Terrestrial. Apesar de arrecadar US$ 6,1 milhões na estreia, o filme mal ultrapassou a marca de US$ 27,5 milhões, ficando abaixo do custo de produção.

Críticos da época, como Pauline Kael, acusaram o longa de priorizar efeitos especiais em detrimento da narrativa. Ainda assim, o visual cyberpunk, a trilha sonora de Vangelis e a exploração de temas como identidade e humanidade plantaram sementes que germinariam em gerações de cineastas.

The Thing (1982): horror prático que assustou críticos

The Thing — adaptação da novela de John W. Campbell "Who Goes There?" — trouxe à tela um monstro alienígena capaz de imitar qualquer ser vivo. O orçamento de US$ 15 milhões resultou em efeitos práticos impressionantes, mas o filme foi recebido com repulsa por críticos que consideraram a violência gráfica excessiva. O filme abriu com US$ 3,1 milhões e terminou com cerca de US$ 20 milhões, números modestos comparados aos concorrentes.

A recepção negativa foi tão intensa que, mesmo com o apoio de fãs de ficção científica, o título quase desapareceu das salas. Só com o advento do home video e, posteriormente, das edições de colecionador, que The Thing ganhou o culto que tem hoje.

Comparativo de desempenho e legado

Aspecto Blade Runner The Thing
Diretor Ridley Scott — cineasta britânico conhecido por Alien John Carpenter — mestre do horror, criador de Halloween
Orçamento US$ 30 milhões US$ 15 milhões
Bilheteria inicial (EEUU) US$ 6,1 milhões (abertura) US$ 3,1 milhões (abertura)
Bilheteria total (EEUU) US$ 27,5 milhões US$ 20 milhões
Recepção crítica Dividida; elogios aos efeitos, críticas à história Majoritariamente negativa; elogios aos efeitos práticos
Legado cultural Influenciou cyberpunk, Ghost in the Shell, Blade Runner 2049 Inspiração para Stranger Things, The X-Files, práticas de maquiagem de monstros

Vereditos: o melhor pra cada perfil

Se você ainda não assistiu a nenhum dos dois, a escolha depende do seu gosto pessoal:

  • Amante de estética e filosofia: Blade Runner oferece uma imersão visual única, com uma narrativa que questiona o que significa ser humano. Ideal para quem curte discussões sobre inteligência artificial e futuro urbano.
  • Fã de horror corporal: The Thing entrega tensão constante e efeitos práticos que ainda assustam. Perfeito para quem aprecia suspense claustrofóbico e criaturas que desafiam a lógica.
  • Curioso por história de cinema: assistir aos dois no mesmo fim de semana (ou em maratona) permite entender como dois fracassos podem se tornar pilares de gêneros diferentes.

Ambos os filmes foram reintegrados ao National Film Registry — Blade Runner em 1993 e The Thing em 2022 — o que garante sua preservação como parte do patrimônio cultural americano.

O que falta saber

Embora as sequências tenham enfrentado dificuldades semelhantes (Blade Runner 2049, apesar de arrecadar US$ 270 milhões, foi considerado decepcionante; e o prequel de The Thing recebeu críticas por depender de CGI), o interesse renovado demonstra que o público ainda busca por narrativas ousadas. Estúdios como Universal e Warner Bros. continuam avaliando remakes, mas o desafio permanece: equilibrar a reverência ao original com inovações que atraiam novas gerações.

Portanto, a lição de 1982 é clara: um filme pode falhar nas bilheterias e ainda assim mudar Hollywood. O que antes era visto como erro de cálculo se transformou em referência obrigatória, provando que o tempo — e os fãs — são os verdadeiros críticos finais.

Onde isso pode dar

Com a crescente demanda por conteúdo nostálgico em plataformas de streaming, é provável que vejamos mais projetos que revisitem essas obras, seja em forma de séries, animações ou jogos. A influência de Blade Runner já se estende a títulos como Cyberpunk 2077, enquanto The Thing inspira mecânicas de paranoia em jogos indie. O futuro pode trazer novas interpretações, mas o núcleo da discussão — tecnologia versus humanidade, medo do desconhecido — permanecerá relevante.

Em suma, o fim de semana de 25/06/1982 marcou o início de duas jornadas que, apesar de um começo turbulento, redefiniram gêneros e deixaram marcas indeléveis na cultura geek.

Perguntas frequentes

Por que Blade Runner foi considerado um fracasso na época?
O filme teve uma bilheteria inicial baixa e recebeu críticas que apontavam para um desequilíbrio entre efeitos visuais e narrativa, o que fez com que fosse rotulado como um fracasso comercial.
Qual a importância de The Thing para o gênero de horror?
The Thing elevou o padrão dos efeitos práticos, influenciando obras posteriores como Stranger Things e mostrando que o terror pode ser construído com maquiagem e animatrônicos de alta qualidade.
Como Blade Runner influenciou outras mídias?
O visual cyberpunk de Blade Runner inspirou jogos como Cyberpunk 2077, animes como Ghost in the Shell e até a estética de séries de TV que abordam inteligência artificial e cidades futuristas.
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