TL;DR: Roger Ebert e Gene Siskel denunciaram o filme de 1984 "Slapstick of Another Kind" como ofensivo e sem graça, colocando‑o entre os piores lançamentos da década.
Por que "Slapstick of Another Kind" virou alvo de críticas tão duras?
O projeto começou como uma adaptação ousada do romance semi‑autobiográfico de Kurt Vonnegut, Slapstick. O escritor, conhecido por seu humor ácido e crítica social, jamais imaginou que seu texto seria transformado em uma comédia sci‑fi estrelada por Jerry Lewis e Madeline Kahn. O diretor Steven Paul, ainda jovem, conseguiu os direitos da obra e, ao invés de preservar o tom satírico, focou apenas nos elementos cômicos, resultando em uma produção que falhou em ambos os sentidos.
Além da escolha questionável de elenco, o filme traz Jim Backus — famoso como o Sr. Howell em Gilligan's Island — em um papel de presidente dos Estados Unidos que praticamente desaparece após alguns minutos de cena. Essa presença mínima acabou por salvar Backus de um fiasco maior, mas não impediu que a obra fosse duramente condenada.
Comparativo: "Slapstick of Another Kind" vs. outras adaptações de Vonnegut
| Aspecto | Slapstick of Another Kind (1984) | Outras adaptações de Vonnegut |
|---|---|---|
| Fidelidade ao texto | Baixa – foco apenas no humor, ignorando sátira política | Alta – adaptações como Breakfast of Champions mantêm crítica social |
| Recepção crítica | Negativa – Ebert, Siskel e a maioria dos críticos chamaram de "ofensivo" | Mista – alguns elogios ao espírito vonnegutiano, embora nem sempre bem‑recebidos |
| Impacto cultural | Quase inexistente, exceto como exemplo de adaptação falha | Significativo – obras como Cat's Cradle inspiraram discussões acadêmicas |
O que realmente incomodou Roger Ebert?
Ebert descreveu o filme como "muito, muito, muito sem graça e ofensivo". Seu ponto de crítica central foi a cena em que os gêmeos, interpretados por Lewis e Kahn, são revelados como "monstros" – um momento que, segundo o crítico, ultrapassa o limite do humor ao se tornar cruel. Ele argumentou que a adaptação perdeu a oportunidade de transformar a sátira de Vonnegut em um comentário relevante, entregando apenas piadas rasas e um enredo confuso.
Além disso, Ebert apontou que o filme falha ao misturar ciência ficção com comédia de forma desarticulada. O conceito de gêmeos telepáticos e alienígenas, que poderia ter sido uma premissa intrigante, acabou sendo tratado como mero recurso de efeito, sem desenvolvimento narrativo ou emocional.
Jim Backus: o salvador inesperado?
Para Backus, que já havia enfrentado uma fase de projetos duvidosos após Gilligan's Island, "Slapstick of Another Kind" representou mais um tropeço. Contudo, sua curta participação — como presidente dos EUA em uma cena de reunião — foi, na prática, um alívio para o ator. Enquanto o restante do elenco se afogava em diálogos forçados, Backus conseguiu entregar linhas com a dignidade que lhe era característica, evitando o abalo total de sua imagem.
Essa presença mínima também demonstra como um ator pode ser usado como "cobertura" em produções problemáticas. Em vez de ser o foco, Backus se tornou um ponto de referência para quem ainda lembrava seu trabalho clássico, tornando a cena quase uma piada interna para os espectadores nostálgicos.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
- Para quem busca humor inteligente: evite o filme. A tentativa de transformar a sátira de Vonnegut em piada barata falha miseravelmente.
- Para curiosos de cinema dos anos 80: vale assistir por curiosidade histórica, mas não espere diversão.
- Para fãs de Jim Backus: a curta participação pode ser um ponto de interesse, porém não compensa o restante da produção.
- Para estudiosos de adaptações literárias: o filme serve como exemplo clássico de como não adaptar um texto complexo.
Onde isso pode dar
O caso de "Slapstick of Another Kind" ainda ecoa nas discussões sobre adaptações de obras literárias. Ele demonstra que, sem respeito ao material original e sem um roteiro sólido, até nomes de peso como Jerry Lewis e Madeline Kahn não conseguem salvar um projeto. Além disso, a reação de críticos como Ebert reforça a importância de uma crítica bem fundamentada em tempos de produção massiva.
Para os criadores de conteúdo geek, o filme representa um alerta: antes de transformar um clássico em uma comédia de baixo orçamento, é preciso analisar se a essência da obra será preservada. Caso contrário, a obra pode acabar como um exemplo de como "não fazer" – e acabar eternamente nos arquivos de críticas negativas.
O que falta saber
Embora o filme esteja disponível gratuitamente em plataformas de streaming, poucos o assistem por escolha própria. A maioria dos espectadores o encontra por curiosidade histórica ou por recomendações de listas "piores filmes". Se você decidir assistir, esteja preparado para um humor que já foi considerado ofensivo e para uma narrativa que deixa muito a desejar.
Em última análise, "Slapstick of Another Kind" permanece como um lembrete de que nem toda adaptação de um grande autor resulta em sucesso, e que críticos como Roger Ebert ainda têm um papel crucial ao apontar os erros que a indústria cinematográfica tende a ignorar.
O veredito final
Se o seu objetivo é encontrar um filme cult dos anos 80 que realmente valha a pena, procure outras obras da época. "Slapstick of Another Kind" é mais um ponto de estudo do que um entretenimento. Para os amantes de cinema que apreciam análises críticas, o filme oferece um caso clássico de falha adaptativa – mas, para quem procura diversão, a escolha é claramente outra.


