TL;DR: Em 7 de agosto de 1996, a marvel encerrou a série original dos vingadores com a edição #402, usando o caos de Onslaught como pretexto para um reboot que redefiniu a equipe.
Fato: o fim da série original dos Vingadores
A edição The Avengers #402, escrita por Mark Waid e ilustrada por Mike Deodato Jr., chegou às bancas em 1996 e marcou o término de uma publicação que durou 33 anos e 402 números. Desde a estreia em 1963, criada por Stan Lee e Jack Kirby, a equipe passou por mais de uma dúzia de formações, incluindo ícones como Capitão América, thor, Viúva Negra e Feiticeira Escarlate.
Nos últimos números, a formação havia mudado drasticamente: Capitão América, Thor, Viúva Negra, gigante‑man, Mercúrio, vespa, Feiticeira Escarlate e homem de ferro (um adolescente que substituiu Tony Stark). Personagens como a Vespa se transformaram em versões monstruosas, enquanto o Homem de Ferro original havia sido traído em uma trama anterior. Essa instabilidade refletia as vendas em queda e a necessidade de revitalizar a marca.
Contexto: por que importa o encerramento de 1996?
O final da série não foi apenas um fechamento de página; foi um ponto de inflexão para a Marvel. Na década de 1990, a editora enfrentava crises financeiras, concorrência acirrada e uma base de leitores fragmentada. O arco Onslaught, originalmente dos X‑Men, serviu como catalisador para uma das mudanças mais ousadas da história da empresa: o reboot total das duas maiores equipes, Vingadores e quarteto fantástico.
Ao sacrificar os heróis em batalha contra Onslaught, a Marvel criou a oportunidade de “matar” o status quo e lançar um novo universo – o chamado Heroes Reborn. Essa estratégia visava atrair novos leitores, limpar a bagagem narrativa e, sobretudo, gerar vendas rápidas.
Do ponto de vista editorial, o movimento foi controverso. Enquanto alguns aplaudiam a ousadia de recomeçar, críticos apontavam que a decisão sacrificava a história construída ao longo de três décadas, alienando fãs de longa data.
Reação dos fãs/mercado
O público teve respostas divididas. Nas lojas de quadrinhos, as primeiras edições de Heroes Reborn venderam bem, impulsionadas pela curiosidade e pelo apoio de artistas de renome como Rob Liefeld (que assumiu os Vingadores) e Jim Lee (que comandou o Quarteto Fantástico). Contudo, a qualidade artística e narrativa rapidamente gerou críticas:
- Arte exagerada: o estilo de Liefeld, marcado por corpos musculosos e poses exageradas, foi visto como superficial.
- Enredos forçados: a tentativa de “recomeçar” ignorou a profundidade psicológica dos personagens, resultando em histórias superficiais.
- Desconexão com a continuidade: leitores que acompanhavam a história original sentiram que seu investimento havia sido desvalorizado.
Apesar das críticas, a estratégia teve um efeito imediato nas vendas, provando que a Marvel ainda podia mobilizar seu público quando oferecia algo novo. O backlash, porém, forçou a editora a reconsiderar a abordagem, levando ao retorno dos heróis ao universo principal (Terra‑616) em 1998.
O que esperar: legado e lições para a Marvel atual
O reboot de 1996 deixou marcas duradouras. Primeiro, mostrou que a Marvel está disposta a arriscar sua própria história para se adaptar ao mercado. Segundo, ensinou que um reboot deve equilibrar novidade e respeito à continuidade – lição que se reflete nos recentes projetos da editora, como o Marvel 2099 e as séries “All‑New, All‑Different”.
Além disso, a experiência de Heroes Reborn influenciou a criação do Universo Ultimate, que, ao reimaginar personagens clássicos, conseguiu manter a essência dos heróis enquanto oferecia uma narrativa acessível a novos leitores.
Para os fãs de hoje, a história serve como lembrete de que os quadrinhos são um meio em constante evolução. Quando a Marvel decide fechar um capítulo, pode estar preparando o terreno para algo maior – seja um novo universo, um filme ou uma série de streaming. O que importa é observar como essas mudanças afetam tanto a narrativa quanto a comunidade.
O lado que ninguém está vendo
Um aspecto frequentemente negligenciado é o papel dos personagens secundários que surgiram nos últimos anos da série original. Figuras como Gigante‑Man (Hank Pym) e a versão monstruosa da Vespa, embora pouco lembradas, abriram espaço para discussões sobre identidade, responsabilidade e a carga de ser um herói. Essas temáticas foram retomadas em projetos recentes, como a série She‑Hulk da Disney+, que explora a dualidade entre ciência e poder.
Além disso, a decisão de usar Franklin Richards como salvador dos Vingadores e do Quarteto Fantástico revela uma tendência da Marvel de confiar em personagens jovens e poderosos para resolver crises de escala cósmica – um padrão que vemos em narrativas como Infinity War e Secret Wars.
Em suma, o fim da série original dos Vingadores não foi apenas um ponto final, mas um ponto de partida que moldou a estratégia editorial da Marvel nas décadas seguintes. A lição mais clara? Reinvenções são inevitáveis, mas o respeito à história permanece o alicerce que sustenta a confiança dos fãs.


