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Cinema e Series

5 filmes de super-heróis esquecidos que ainda são excelentes hoje

· · 6 min de leitura
Halteres, uma maçã e um tablet exibindo heróis antigos sobre um tapete de ioga em uma sala iluminada
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O domínio dos colantes e as pérolas perdidas no tempo

Nas últimas duas décadas, o cinema de Hollywood foi praticamente engolido pela febre dos filmes de super-heróis. Desde o estouro dos primeiros X-Men (produção da Fox) e o Homem-Aranha de Sam Raimi, até o fenômeno cultural que se tornou o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), esses personagens saíram das páginas coloridas dos quadrinhos para dominar o topo das bilheterias mundiais. No entanto, nessa enxurrada de lançamentos anuais, muitas produções originais e ousadas acabaram ficando para trás, soterradas por sequências e fórmulas pré-estabelecidas.

Mesmo antes do conceito de "universo compartilhado" se tornar a regra, existiam cineastas tentando desconstruir o mito do herói. Alguns, como M. Night Shyamalan com seu Corpo Fechado (2000), foram redescobertos e celebrados anos depois. Outros, porém, permanecem como notas de rodapé em conversas de nicho, apesar de oferecerem roteiros mais frescos e visões mais críticas do que muitos blockbusters atuais. Hoje, vamos resgatar cinco dessas obras que, mesmo esquecidas, envelheceram como um bom vinho nerd.

Megamente: A desconstrução definitiva do arquétipo do vilão?

Lançado em 2010 pela DreamWorks Animation (estúdio responsável por Shrek), Megamente frequentemente vive à sombra de Os Incríveis da Pixar ou até de seu contemporâneo Meu Malvado Favorito. Contudo, a história do gênio azul dublado originalmente por Will Ferrell é uma das sátiras mais inteligentes já feitas sobre a dinâmica entre herói e vilão. O filme questiona: o que acontece quando o malvado finalmente vence e mata seu nêmesis, o Metro Man (voz de Brad Pitt)?

A crise existencial de Megamente ao perceber que um vilão não faz sentido sem um herói para combatê-lo é um comentário brilhante sobre os tropos das HQs. Com um elenco de apoio que inclui Tina Fey como a jornalista Roxanne Ritchi (uma clara homenagem a Lois Lane), o longa entrega comédia de alto nível e uma trilha sonora regada a rock clássico que ainda empolga. Recentemente, a franquia tentou um retorno com séries para o streaming Peacock, mas nada supera o frescor e a subversão do filme original.

Poder Sem Limites: O realismo sombrio do "found footage"

Em 2012, o diretor Josh Trank (que mais tarde teria uma passagem conturbada pelo reboot de Quarteto Fantástico) entregou uma das visões mais cruas sobre o que adolescentes reais fariam se ganhassem poderes telecinéticos. Poder Sem Limites (Chronicle) utiliza a estética de "found footage" — filmagens supostamente reais feitas pelos personagens — para contar a história de três amigos que descobrem um objeto misterioso em um buraco no chão.

O filme é notável por ter revelado talentos como Michael B. Jordan (que depois brilharia em Pantera Negra) e Dane DeHaan. A transição da diversão inocente de usar poderes para pregar peças até a espiral de violência e isolamento social é conduzida de forma magistral. Ao contrário das produções da Marvel, aqui as consequências físicas e psicológicas de ser "super" são tratadas com um peso dramático sufocante. É, sem dúvida, um dos melhores filmes de origem originais já feitos.

O Besouro Verde: Uma comédia de ação incompreendida

Quando O Besouro Verde (The Green Hornet) chegou aos cinemas em 2011, a crítica não foi nada gentil. Muitos não entenderam o tom cômico e quase pastelão que o protagonista Seth Rogen (que também assina o roteiro) trouxe para o personagem clássico de rádio e TV. No entanto, visto hoje, o filme dirigido pelo visionário Michel Gondry (o mesmo de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) é uma lufada de ar fresco visual.

A química entre o herói incompetente Britt Reid e seu assistente genial Kato (interpretado por Jay Chou) inverte a lógica do ajudante, mostrando que o verdadeiro herói é quem geralmente fica nos bastidores. As sequências de ação de Gondry, chamadas de "Kato-Vision", são criativas e estilizadas, fugindo do CGI genérico que veríamos nos anos seguintes. É um filme que não se leva a sério, mas que respeita a inteligência do espectador ao entregar uma estética única.

Brightburn: E se o Superman fosse um monstro de filme de terror?

Produzido por James Gunn (diretor de Guardiões da Galáxia e atual chefe do DC Studios) e dirigido por David Yarovesky, Brightburn - Filho das Trevas (2019) é um exercício de gênero fascinante. Ele pega a premissa básica do Superman — um bebê alienígena cai em uma fazenda no Kansas e é criado por pais amorosos — e a distorce completamente. E se, ao chegar na puberdade, o garoto decidisse que os humanos são inferiores e merecem ser caçados?

O filme funciona mais como um terror slasher do que como uma aventura de heróis. Ver um ser com poderes divinos usando sua supervelocidade e visão de calor para cometer assassinatos brutais é perturbador e visualmente impactante. Embora não tenha sido um sucesso estrondoso, Brightburn ocupa um espaço importante ao mostrar que a mitologia dos super-heróis pode ser explorada sob a ótica do horror visceral, algo que as grandes marcas como Disney e Warner raramente ousam fazer.

Archenemy: O anti-herói cru de Joe Manganiello

Lançado no final de 2020, em meio ao caos da pandemia, Archenemy passou despercebido por quase todo mundo. Estrelando Joe Manganiello (conhecido por True Blood e por ser o Exterminador do Snyder Cut), o filme dirigido por Adam Egypt Mortimer é uma obra de baixo orçamento com ideias gigantescas. A trama segue Max Fist, um homem que vive nas ruas e afirma ser um herói de outra dimensão que perdeu seus poderes ao cair na Terra.

O grande charme de Archenemy é a ambiguidade: Max é realmente um herói interdimensional ou apenas um homem sofrendo de delírios causados pelo trauma? O filme utiliza sequências animadas estilizadas para ilustrar o suposto passado de Max em sua dimensão natal, criando um contraste interessante com a realidade suja e urbana do presente. É uma obra punk, estranha e cheia de personalidade que merece ser resgatada pelos fãs de narrativas mais experimentais.

"Às vezes, a melhor maneira de entender um herói é olhando para o vazio que ele deixa ou para a escuridão que ele pode se tornar."

Por que essas obras ainda importam?

  • Originalidade: Elas não dependem de 50 anos de cronologia para serem entendidas.
  • Risco criativo: Experimentam com gêneros como terror, comédia ácida e found footage.
  • Visão de autor: Diretores como Michel Gondry e Josh Trank imprimem estilos visuais únicos que fogem do padrão de estúdio.
  • Subversão: Questionam a moralidade e a sanidade de seres superpoderosos de formas que os blockbusters evitam.

O que esperar ao revisitar esses filmes

Ao dar o play nessas produções, o espectador encontrará um refúgio da saturação atual dos universos compartilhados. Por que isso importa? Porque o gênero de super-heróis só sobrevive se for capaz de se reinventar e abraçar tons diferentes. Esperar que todo filme de herói siga a "Jornada do Herói" de Joseph Campbell é limitar um potencial narrativo que esses cinco filmes provaram ser vasto e, muitas vezes, sombrio e hilário. Se você busca algo fora do óbvio, essas são as suas melhores apostas.

Perguntas frequentes

Qual desses filmes de super-heróis é o mais sombrio?
Brightburn - Filho das Trevas é o mais sombrio, pois mistura a premissa do Superman com elementos de filmes de terror slasher, focando na brutalidade de um alienígena superpoderoso.
Megamente é considerado um filme da Marvel ou DC?
Nenhum dos dois. Megamente é uma produção original da DreamWorks Animation, criada para satirizar os personagens clássicos de ambas as editoras, como Superman e Batman.
Onde posso assistir ao filme Poder Sem Limites?
A disponibilidade varia conforme o país, mas Poder Sem Limites costuma estar presente em catálogos de serviços como Disney+ (devido à compra da Fox) ou disponível para aluguel digital em plataformas como YouTube e Apple TV.
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