O retorno triunfal de Kano e o humor em mortal kombat II
Em Mortal Kombat II (sequência do filme de 2021 baseada na famosa franquia de jogos de luta), o diretor Simon McQuoid e o novo roteirista Jeremy Slater decidiram abraçar o lado mais lúdico e absurdo da série. Após um primeiro filme que dividiu opiniões, a continuação parece ter encontrado seu ritmo ao misturar o gore desenfreado com um senso de humor que não tem medo de referenciar o mundo real. O maior exemplo disso é uma piada inesperada envolvendo a obra de Stephen King (autor norte-americano de terror), que já se tornou um dos pontos altos da produção.
O centro dessa energia cômica é, novamente, o personagem Kano, interpretado pelo ator australiano Josh Lawson. Para quem não se lembra, Kano terminou o primeiro longa com um gnomo de jardim cravado no olho, o que teoricamente significaria o seu fim. No entanto, em um universo onde a morte é apenas um detalhe técnico, o mercenário da organização Black Dragon está de volta, e sua língua continua tão afiada quanto suas facas.
Como Kano sobreviveu aos eventos do primeiro filme?
A explicação para o retorno de Kano reside na introdução de Quan Chi (interpretado por Damon Herriman), um feiticeiro pálido e sinistro vindo de Netherrealm. Na mitologia de Mortal Kombat, Quan Chi possui o poder de reanimar os mortos, transformando-os em "espectros" ou revenants que servem à sua vontade e à de seu mestre, Shao Kahn (vivido por Martyn Ford).
Entretanto, o filme subverte a expectativa de que Kano seria apenas um escravo sem mente. Graças à sua força de vontade inabalável (ou talvez apenas à sua teimosia incorrigível), ele mantém sua personalidade intacta. Assim que desperta, ele volta a disparar insultos contra todos ao seu redor, provando que nem mesmo o submundo pode calar o personagem mais carismático do elenco.
A piada com Pennywise e a precisão do roteiro
O momento que está dando o que falar ocorre quando Kano se depara com a aparência cadavérica e a maquiagem natural de Quan Chi. Sem hesitar, ele se refere ao feiticeiro como "Pennywise", o palhaço demoníaco de It: A Coisa, clássico de Stephen King. A piada funciona em múltiplos níveis:
- Visual: A pele branca e o aspecto ameaçador de Quan Chi realmente lembram a estética de um vilão de filme de terror moderno.
- Tom: Ela quebra a tensão de uma cena que, de outra forma, seria puramente expositiva sobre a lore do jogo.
- Relatabilidade: Ao usar uma referência que o público reconhece, o filme ancora seus personagens fantásticos na realidade do espectador.
Diferente de uma comparação óbvia com personagens mais caricatos, como o esqueleto (vilão de he-man), a menção a Pennywise carrega um peso de ameaça real. Como o próprio Josh Lawson destacou em entrevistas, a escolha de palavras de Kano é precisa. Ele não é apenas engraçado; ele é astuto, usando seu intelecto para desestabilizar oponentes que são fisicamente muito mais poderosos que ele.
O papel do improviso e a liberdade criativa no set
O diretor Simon McQuoid parece ter aprendido que o engessamento de roteiros de adaptações de games pode ser um tiro no pé. Para Mortal Kombat II, ele deu "carta branca" para que Josh Lawson e Karl Urban (que interpreta o icônico Johnny Cage) pudessem improvisar e "sujar as bordas" do filme. Essa técnica de ad-lib permite que os diálogos soem menos como falas decoradas e mais como reações genuínas a situações bizarras.
"Não é que você queira fazer piada em cada linha. O roteiro é sólido. Mas Simon nos deixava brincar depois de garantirmos as tomadas planejadas. Isso torna os personagens menos previsíveis", afirmou Lawson sobre o processo de gravação.
Essa dinâmica entre Kano e Johnny Cage promete ser um dos pilares do filme, oferecendo um contraponto necessário à seriedade de personagens como Liu Kang ou Raiden. A inclusão de fan services, como a aparição especial de Ed Boon (co-criador da franquia nos games), mostra que a produção está atenta ao que os fãs desejam: uma celebração da marca que não se leva a sério demais.
O que esperar de Mortal Kombat II?
A sequência parece ter encontrado o equilíbrio entre a fidelidade aos jogos e a necessidade de ser um filme de entretenimento acessível. Por que isso importa para o futuro da franquia?
- Equilíbrio de tom: O filme prova que é possível ter Fatalities sangrentos e humor ácido no mesmo espaço, respeitando a essência do material original.
- Desenvolvimento de vilões: A introdução de Quan Chi e Shao Kahn eleva o nível de ameaça, preparando o terreno para conflitos maiores.
- Foco nos personagens: Ao dar espaço para o improviso de atores como Lawson e Urban, o filme cria conexões emocionais mais fortes com o público.
- Expansão do universo: A menção a elementos da cultura pop externa ajuda a situar o torneio dentro de uma percepção moderna, evitando que o filme pareça datado.


