WhatsApp Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Cinema e Series

Western revisionista: os 10 filmes que desconstruíram o mito do Velho Oeste — e o que fica no topo

· · 8 min de leitura
Homem musculoso de chapéu de cowboy levanta halteres ao lado de um cartaz de Unforgiven
Compartilhar WhatsApp

TL;DR: O portal SlashFilm publicou um ranking com os 10 melhores westerns revisionistas de todos os tempos, colocando Unforgiven (1992), de Clint Eastwood, na primeira posição. A lista inclui obras que vão de 1943 a 2010 e atravessa nomes como John Ford, Sam Peckinpah, Robert Altman e Andrew Dominik — todos responsáveis por desmontar a mitologia heroica do Velho Oeste.

O que é um western revisionista e por que ele existe?

O western revisionista é um subgênero do faroeste cinematográfico que pega os cânones clássicos — pistoleiros solitários, mocinhos claros, vilões evidentes — e mostra o avesso: a violência gratuita, a cumplicidade coletiva, o racismo estrutural e a corrupção que sustentaram a expansão da fronteira americana. Em vez de romance, entrega realidade nua, frequentemente crua e desconfortável. Filmes como Stagecoach, Shane e High Noon, citados pela publicação como referências clássicas do faroeste, funcionam como ponto de partida moralmente limpo que o revisionismo vem desconstruir desde a década de 1940.

Quais são os 10 westerns revisionistas do ranking?

A lista do SlashFilm, organizada do 10º ao 1º lugar, é a seguinte:

  1. Johnny Guitar (1954), de Nicholas Ray
  2. Meek's Cutoff (2010), de Kelly Reichardt
  3. High Plains Drifter (1973), de Clint Eastwood
  4. The Ox-Bow Incident (1943), de William A. Wellman
  5. The Wild Bunch (1969), de Sam Peckinpah
  6. McCabe & Mrs. Miller (1971), de Robert Altman
  7. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007), de Andrew Dominik
  8. The Searchers (1956), de John Ford
  9. The Man Who Shot Liberty Valance (1962), de John Ford
  10. Unforgiven (1992), de Clint Eastwood

Por que Unforgiven ficou em primeiro lugar?

Unforgiven — western definitivo de Clint Eastwood, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 1993 — é tratado pela publicação como a expressão máxima do revisionismo. Eastwood vive William Munny, ex-caçador de recompensas que largou a violência após se casar e virar fazendeiro; viúvo, ele aceita uma última caçada proposta pelo Schofield Kid (Jaimz Woolvett), recrutando o antigo parceiro Ned Logan (Morgan Freeman). O roteiro de David Webb Peoples usa a imagem clássica do astro para subverter as expectativas e transformar o filme em uma meditação sobre morte, culpa e passagem do tempo — não em um espetáculo de tiroteio.

Quem é o diretor que aparece mais vezes na lista?

John Ford, com dois títulos: The Searchers (3º lugar) e The Man Who Shot Liberty Valance (2º). Ford foi um dos pilares do faroeste clássico, e a publicação argumenta que esses dois filmes formam, juntos, uma espécie de tese pessoal sobre as mentiras embutidas nos mitos que ele mesmo ajudou a construir. Clint Eastwood também aparece duas vezes — em High Plains Drifter e no topo, Unforgiven —, mas como ator e diretor de uma fase mais tardia do gênero.

Qual é o western revisionista mais antigo e o mais recente da lista?

O mais antigo é The Ox-Bow Incident, de 1943, dirigido por William A. Wellman e estrelado por Henry Fonda. Com apenas 76 minutos, o filme adapta o romance de Walter Van Tilburg Clark e acompanha um grupo que persegue e enforca três homens suspeitos de roubar gado e matar um fazendeiro — só que, no momento da execução, eles começam a protestar inocência de forma convincente. É considerado um dos primeiros longas a tratar o Oeste com seriedade crítica.

O mais recente é Meek's Cutoff, de 2010, dirigido por Kelly Reichardt. O filme reconta um desastre real de 1845 na Oregon Trail usando uma proporção de quadro 1.33:1 — formato quadrado que evoca daguerreótipos — para colocar as personagens femininas, vividas por Michelle Williams, à margem da tomada de decisões, assim como ficavam à margem na vida real da caravana.

Quais filmes da lista John Wayne repudiou?

Dois: High Plains Drifter (1973) e The Wild Bunch (1969). Segundo o SlashFilm, Wayne chegou a escrever uma carta a Eastwood reclamando do retrato sombrio feito aos moradores da cidade de Lago no primeiro. Já The Wild Bunch desagradou por sua violência explícita — também rejeitada por Clint Eastwood, em outro contexto, embora ambos tenham atuado em obras revisionistas próprias.

Qual filme é o cult favorito da crítica francesa?

Johnny Guitar (1954), de Nicholas Ray. O SlashFilm lembra que críticos americanos da época acharam a produção camp demais, mas nomes como François Truffaut defenderam o longa como uma obra de sentimento genuíno e ousadia formal. O filme troca o duelo de pistoleiros por uma disputa entre duas mulheres — Vienna (Joan Crawford), dona de saloon, e Emma Small (Mercedes McCambridge), uma rival movida por ciúmes — e foi lido como uma crítica velada ao macarthismo, com roteiro creditado a Philip Yordan durante a blacklist de Hollywood.

Por que The Assassination of Jesse James é chamado de obra-prima moderna?

O longa de 2007, dirigido por Andrew Dominik e estrelado por Brad Pitt e Casey Affleck, foi um fracasso de bilheteria, mas ganhou status cult nas décadas seguintes. A publicação lembra que é o filme favorito do próprio Pitt entre os que ele fez, e destaca a fotografia de Roger Deakins — pensada para usar apenas luz natural — como peça-chave da atmosfera melancólica. A narrativa acompanha Robert Ford, fã obcecado pelos folhetins sobre Jesse James, e mostra o encontro entre o mito e o homem real por trás dele.

O que faz McCabe & Mrs. Miller ser considerado único entre os westerns?

Robert Altman (1915-2006) substitui o tiroteio por comércio e melancolia. McCabe & Mrs. Miller (1971) acompanha um jogador de Warren Beatty que abre um bordel em uma vila mineradora do noroeste do Pacífico e se associa a uma cafetina experiente vivida por Julie Christie. Quando uma corporação oferece a compra do negócio e ele recusa, é caçado na neve. O SlashFilm aponta a edição com diálogos sobrepostos, a fotografia em flash de Vilmos Zsigmond e a trilha de Leonard Cohen como ingredientes que transformaram o longa em elegia do Oeste como lugar de trambique, capital e azar.

Qual western da lista mudou a forma como Hollywood lidou com violência?

The Wild Bunch, de Sam Peckinpah, lançado em 1969. A publicação afirma que a violência visceral do longa — com câmera lenta e edição multiângulo em sequências de tiroteio — forçou o MPAA a repensar o recém-criado sistema de classificação etária e influenciou décadas de cinema de ação, de John Woo a Quentin Tarantino. Na trama, o bando de Pike Bishop (William Holden) tenta um último roubo na fronteira entre Texas e México em 1913, numa época em que automóveis e metralhadoras já começam a aparecer em cena.

Por onde começar a maratonar os 10 westerns revisionistas?

Para quem quer entender o arco do gênero sem se perder, três pontos de partida fazem sentido:

  • Do mito à dúvida: comece por The Searchers (1956) e The Man Who Shot Liberty Valance (1962), os dois John Ford, para ver o revisionismo nascendo de dentro do próprio faroeste clássico.
  • Da violência à crítica social: em seguida, vá para The Wild Bunch (1969) e Unforgiven (1992) — a transição do Oeste que cospe sangue para o Oeste que questiona a própria existência do herói.
  • Do revisionismo ao experimental: feche com McCabe & Mrs. Miller (1971), High Plains Drifter (1973) e Meek's Cutoff (2010), onde o subgênero ganha cara autoral e câmera lenta política.

Maratonar nessa ordem revela o fio condutor que a publicação aponta: quanto mais o Velho Oeste é filmado, mais honesto ele fica — e mais desconfortável fica de assistir.

O ranking pode mudar?

Provavelmente sim. The Assassination of Jesse James já subiu de fracasso de bilheteria a clássico cult em menos de duas décadas; Meek's Cutoff virou referência em listas de melhor da década de 2010 mesmo tendo sido ignorado na época. O SlashFilm trabalha com o termo evergreen para classificar a lista, mas reconhece que o revisionismo continua produzindo obras — basta lembrar do impacto de Hell or High Water (2016) e Wind River (2017), ainda fora do recorte. Fica a pergunta: qual western revisionista dos anos 2020 vai entrar no top 10 na próxima atualização?

O que é um western revisionista?É um subgênero do faroeste que descontrói os mitos da fronteira americana — pistoleiros heroicos, vilões nítidos e justiceiros solitários — para mostrar violência gratuita, cumplicidade coletiva e a corrupção por trás da expansão para o Oeste. A lista do SlashFilm vai de The Ox-Bow Incident (1943) a Meek's Cutoff (2010). Qual é o melhor western revisionista segundo o ranking?Unforgiven (1992), de Clint Eastwood, ocupa a primeira posição. O longa venceu o Oscar de Melhor Filme em 1993 e é lido como uma meditação sobre culpa, morte e passagem do tempo, usando a imagem clássica do astro contra o próprio mito. Quais westerns revisionistas John Wayne odiava?Segundo o SlashFilm, Wayne escreveu uma carta a Eastwood reclamando de High Plains Drifter (1973) e também rejeitou The Wild Bunch (1969), de Sam Peckinpah, por causa da violência explícita. Quais diretores aparecem mais de uma vez na lista?John Ford (com The Searchers e The Man Who Shot Liberty Valance) e Clint Eastwood (com High Plains Drifter e Unforgiven), ambos com duas obras no ranking. Por que The Assassination of Jesse James é cult?O longa de Andrew Dominik fracassou nas bilheterias em 2007, mas ganhou status cult por combinar a fotografia de Roger Deakins — feita apenas com luz natural — à narrativa sobre o encontro entre o mito de Jesse James e o homem real por trás dele.
Culpa do Lag
Curtiu? Recebe as próximas no WhatsApp.

Games, animes, filmes e tech — as notas quentes direto no nosso canal, sem depender de algoritmo.

Seguir no canal

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp