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Uncharted 4: documentário detalha versão inédita de Amy Hennig

· · 5 min de leitura
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uncharted 4: A Thief's End, o capítulo final da jornada de Nathan Drake — o caçador de tesouros mais famoso do playstation —, completa dez anos de lançamento cercado de mistérios sobre o que poderia ter sido. Um novo documentário de longa-metragem, produzido pelo canal Thekempy, trouxe à tona uma quantidade massiva de detalhes inéditos sobre a versão do jogo dirigida por Amy Hennig, a roteirista e diretora criativa original da franquia, que deixou a Naughty Dog (estúdio responsável pela série) em 2014.

O material revela que o jogo que conhecemos hoje é drasticamente diferente da visão inicial. Enquanto a versão final, dirigida por Neil Druckmann e Bruce Straley (dupla famosa por the last of us), focou na relação fraternal e no peso do passado, a versão de Hennig explorava dinâmicas de personagens e sequências de ação que foram quase inteiramente descartadas ou profundamente modificadas para o lançamento em 2016.

O que aconteceu no desenvolvimento de Uncharted 4

O documentário de aproximadamente 90 minutos mergulha em arquivos de produção que muitos acreditavam estar perdidos para sempre. A produção apresenta filmagens de performance capture (tecnologia que grava movimentos e expressões faciais de atores) com Nolan North — a voz e corpo de Nathan Drake — e Emily Rose — que interpreta Elena Fisher —, em cenas que nunca foram incluídas no produto final. O vídeo não se baseia apenas em rumores, mas em evidências concretas de gameplay (jogabilidade) em estágio inicial, artes conceituais e roteiros originais.

Entre as revelações mais impactantes, está a forma como o personagem Sam Drake — o irmão de Nathan — seria introduzido. Na visão de Amy Hennig, a relação entre os irmãos era muito mais antagônica. Sam não seria apenas um parceiro de aventura, mas alguém com motivações mais sombrias, possivelmente servindo como um contraponto moral mais pesado para Nathan. O documentário detalha como diversos set pieces (sequências de ação cinematográficas e coreografadas) foram planejados para locais que acabaram sendo removidos do mapa final do jogo.

Além disso, o vídeo explora como a estrutura narrativa era mais linear em certos pontos e como a presença de outros personagens secundários tinha pesos diferentes. É uma oportunidade rara de ver o processo de "tentativa e erro" de um estúdio de elite como a Naughty Dog, mostrando que mesmo os maiores sucessos da indústria passam por crises de identidade severas antes de chegarem às prateleiras.

Como chegamos aqui e por que o projeto mudou

Para entender a importância desse material, é preciso voltar a 2014. Na época, a Naughty Dog passava por uma transição turbulenta. Amy Hennig, que foi a arquiteta do universo de Uncharted desde o primeiro jogo em 2007, saiu do estúdio sob circunstâncias que geraram muita especulação na imprensa especializada. Com sua saída, Neil Druckmann e Bruce Straley assumiram o comando, decidindo que a melhor forma de salvar o projeto era recomeçar quase do zero.

Relatos de bastidores indicam que a Sony — a gigante de tecnologia dona da marca PlayStation — chegou a ameaçar o corte de financiamento do projeto caso ele não tomasse um rumo sólido. O desenvolvimento estava estagnado e os recursos estavam sendo consumidos sem que um jogo finalizado estivesse à vista. Essa pressão resultou em um período intenso de crunch (termo da indústria para jornadas de trabalho excessivas e exaustivas) para entregar o jogo que hoje é aclamado por crítica e público.

As principais mudanças implementadas pela nova direção incluíram:

  • Reescrita total do roteiro: O foco mudou para a aposentadoria de Nathan e o conflito interno entre sua vida estável e o vício pela aventura.
  • Mudança no papel de Sam Drake: O ator original foi substituído por Troy Baker, e o personagem tornou-se uma figura mais empática.
  • Redesign de níveis: Áreas inteiras foram descartadas para dar lugar a ambientes mais abertos e exploráveis, aproveitando o poder do hardware do playstation 4.
  • Tom narrativo: O jogo adotou uma estética e um ritmo mais próximos de The Last of Us, com momentos de silêncio e introspecção que não eram comuns nos três primeiros jogos.

O que vem depois para a franquia e os envolvidos

Embora Uncharted 4 tenha sido um sucesso estrondoso, vendendo milhões de cópias e encerrando a história de Nathan Drake de forma satisfatória, a descoberta dessa "versão perdida" reacende o debate sobre a preservação da história dos games. Ver o trabalho de Amy Hennig, mesmo que incompleto, oferece uma nova perspectiva sobre a evolução da narrativa em jogos eletrônicos.

Atualmente, a franquia Uncharted está em um hiato indefinido na Naughty Dog, que parece focada em novos projetos e na série The Last of Us. No entanto, o legado de Hennig continua vivo. Após sua saída, ela trabalhou em um projeto de star wars na Visceral Games (que infelizmente foi cancelado pela EA) e agora lidera a Skydance New Media, onde desenvolve um novo jogo de ação e aventura focado no capitão américa e no pantera negra, ambientado na Segunda Guerra Mundial.

Este documentário serve como um lembrete de que o desenvolvimento de jogos é uma forma de arte colaborativa e, muitas vezes, caótica. O que jogamos é apenas uma das muitas versões possíveis de uma ideia. Para os fãs, resta a curiosidade de imaginar como seria o desfecho de Nathan Drake sob a tutela da mulher que o criou, enquanto celebram a obra-prima que Neil Druckmann e sua equipe conseguiram entregar sob condições tão adversas.

Por que isso importa

  • Preservação histórica: Revela como grandes produções de entretenimento são moldadas por decisões executivas e mudanças de liderança criativa.
  • Visão de autor: Permite comparar a abordagem de aventura clássica de Hennig com o realismo dramático de Druckmann.
  • Transparência na indústria: Mostra que até estúdios renomados enfrentam riscos reais de cancelamento e crises financeiras.
  • Valorização dos atores: Dá luz ao trabalho de captura de performance que, de outra forma, ficaria esquecido em servidores de backup.

Perguntas frequentes

Quem é Amy Hennig e qual sua importância para Uncharted?
Amy Hennig é uma renomada roteirista e diretora de jogos, sendo a principal mente criativa por trás da trilogia original de Uncharted no PS3. Ela estabeleceu o tom de aventura 'estilo Indiana Jones' e a personalidade de Nathan Drake antes de deixar a Naughty Dog em 2014.
Por que a versão original de Uncharted 4 foi descartada?
Após a saída de Hennig, os novos diretores Neil Druckmann e Bruce Straley optaram por mudar o tom da história e a mecânica de jogo. Além disso, o projeto enfrentava problemas de desenvolvimento e pressão da Sony para ser finalizado, o que levou a uma reformulação quase total.
Onde posso ver as cenas inéditas de Uncharted 4?
As cenas e detalhes da versão descartada foram compilados em um documentário de 90 minutos pelo canal Thekempy no YouTube, utilizando materiais de bastidores, artes conceituais e gravações de captura de movimento que vazaram ou foram recuperadas.
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