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The Human Centipede: por que Roger Ebert se recusou a avaliar o filme

· · 4 min de leitura
Close de um polegar para baixo sobre um fundo neutro, simbolizando a rejeição crítica e o julgamento cinematográfico
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O impacto de The Human Centipede na carreira de Roger Ebert

Roger Ebert, amplamente reconhecido como o crítico de cinema mais influente da história dos Estados Unidos, construiu sua reputação com um sistema de avaliação binário e direto: o famoso "polegar para cima" ou "polegar para baixo". No entanto, em 2009, o lançamento de The Human Centipede (First Sequence) — um filme de terror corporal dirigido pelo holandês Tom Six — forçou o crítico a abandonar seu método tradicional. Ebert não deu uma nota negativa ou positiva; ele simplesmente se recusou a classificar o longa, declarando que o sistema de estrelas era inútil diante de tamanha depravação.

Para quem não conhece a franquia, The Human Centipede é um filme de horror extremo que narra a história de um cirurgião aposentado, interpretado por Dieter Laser, que sequestra turistas para realizar um experimento grotesco: costurar as pessoas boca a ânus para criar uma "centopeia humana". A premissa, que se tornou um ícone do terror de choque (subgênero focado em causar repulsa extrema no espectador), foi tão perturbadora para Ebert que ele a descreveu como algo que habitava um mundo onde "as estrelas não brilham".

Por que a recusa de Ebert foi um marco na crítica?

Ebert já havia demonstrado desprezo por diversos filmes ao longo de sua carreira, muitas vezes saindo de sessões ou dando notas baixas. Contudo, a recusa em pontuar The Human Centipede destaca-se por alguns motivos específicos:

  • A natureza da obra: Diferente de um filme ruim ou mal dirigido, Ebert percebeu que o filme de Tom Six possuía uma intenção artística específica: a de ser repugnante. Ele reconheceu que, dentro do cineasta, havia o "espírito de um artista sombrio", o que tornava a avaliação técnica irrelevante.
  • O sistema de estrelas: O crítico sempre teve uma relação complicada com sua própria escala de quatro estrelas. Ao se recusar a usá-la, ele sinalizou que o filme transcendia a categoria de "entretenimento" ou "cinema de gênero", tornando-se um objeto de estudo sobre os limites da moralidade na tela.
  • A comparação com outros casos: Embora tenha evitado pontuar filmes como Beyond the Valley of the Dolls (por ter escrito o roteiro) ou Pink Flamingos (que ele considerou um "fato" ou "objeto" em vez de um filme), The Human Centipede foi o que mais o chocou emocionalmente.

O que torna um filme "inavaliável" para um crítico?

No universo do jornalismo cultural, a crítica de cinema geralmente se baseia em critérios como atuação, roteiro, fotografia e montagem. Quando um crítico como Ebert decide não avaliar uma obra, ele está comunicando que a experiência de assistir àquele conteúdo ultrapassou o escopo da análise crítica tradicional. Para Ebert, The Human Centipede não era sobre ser "bom" ou "ruim", mas sim sobre a experiência visceral de desconforto absoluto.

"Não dou uma nota em estrelas para The Human Centipede porque as estrelas simplesmente não se aplicam. O filme é o que é e ocupa um mundo onde as estrelas não brilham." — Roger Ebert.

Essa postura reflete a complexidade de avaliar filmes de terror extremo. Enquanto muitos fãs de "midnight movies" (filmes cult exibidos em horários alternativos) buscam exatamente esse tipo de choque, críticos tradicionais enfrentam o dilema de como processar obras que visam, primordialmente, causar náusea. Ebert, ao se recusar a pontuar, validou a existência do filme como um fenômeno cultural, mesmo que se negasse a dar a ele qualquer legitimidade dentro do cânone cinematográfico que ele ajudou a definir.

O legado da franquia após a crítica

Apesar da recepção negativa de Ebert e de grande parte da crítica especializada, a franquia The Human Centipede consolidou-se como um marco do terror moderno. O diretor Tom Six explorou ainda mais os limites do grotesco nas sequências, com o segundo filme sendo proibido em diversos países e o terceiro adotando uma abordagem satírica e ainda mais extrema. Ebert faleceu em 2013, antes do lançamento do capítulo final da trilogia, mas sua análise sobre o primeiro longa permanece como um dos textos mais citados quando se discute o poder do choque no cinema.

O que falta saber

  • O impacto duradouro: A recusa de Ebert ajudou a criar uma aura de "filme proibido" em torno da obra, o que, ironicamente, aumentou a curiosidade do público e impulsionou as vendas e o aluguel do filme.
  • O futuro do gênero: O terror corporal continua a evoluir, e a pergunta que fica é se um crítico atual teria a mesma coragem de Ebert ao se deparar com obras que buscam o choque absoluto como forma de expressão artística.
  • A relevância do sistema de estrelas: Com o advento de agregadores como o Rotten Tomatoes, o debate sobre a utilidade de notas para filmes que desafiam a moralidade permanece mais vivo do que nunca.

Perguntas frequentes

Roger Ebert deu nota para The Human Centipede?
Não. Roger Ebert recusou-se a atribuir qualquer nota em estrelas ao filme, argumentando que o sistema de avaliação era inadequado para uma obra que ele considerava puramente depravada e fora dos critérios convencionais de cinema.
Por que Roger Ebert odiava tanto The Human Centipede?
Mais do que odiar, Ebert ficou profundamente perturbado pela premissa do filme. Ele reconheceu que o diretor Tom Six tinha uma visão artística, mas considerou o conteúdo do filme tão extremo que a análise técnica se tornou irrelevante.
Existem outros filmes que Ebert se recusou a avaliar?
Sim. Ebert já havia evitado dar notas para filmes como Pink Flamingos e Beyond the Valley of the Dolls, seja por envolvimento pessoal na produção ou por considerar que o filme funcionava mais como um 'objeto' ou 'fato' do que como uma obra cinematográfica tradicional.
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