Tazza 4: The Song of Beelzebub estreia em 23 de setembro com elenco internacional incluindo Hong Dao, Tsuyoshi Ihara e Stephanie Lee, expandindo a trama de vingança e apostas para Vietnã, Japão e Coreia do Sul.
O que muda no universo de Tazza com a expansão internacional
- O retorno da franquia após seis anos de hiato — O último longa, "Tazza: One Eyed Jack", chegou aos cinemas em 2019. A lacuna permitiu que a indústria coreana de streaming crescesse e que o público se acostumasse a narrativas mais globais. O quarto capítulo não apenas retoma a marca, mas a reposiciona como um thriller transnacional, saindo das mesas de poker locais para um tabuleiro que cruza fronteiras.
- Byun Yo Han e Roh Jae Won: a amizade quebrada no centro da trama — Jang Tae Young (Byun Yo Han) construiu um império de cassino online, mas perde tudo para o melhor amigo, Park Tae Young (Roh Jae Won). A dinâmica de traição entre protagonistas já conhecidos do público coreano serve de motor emocional; quem não assistiu aos filmes anteriores entende o conflito sem precisar de flashbacks longos.
- Hong Dao como Chairwoman Thao: a estreia vietnamita no cinema coreano de grande orçamento — A veterana atriz vietnamita interpreta uma magnata que trata decisões vitais como partidas de cartas. Hong Dao aprendeu as regras do zero e treinou a manipulação de fichas em casa, detalhe que mostra o cuidado da produção em evitar estereótipos de "personagem estrangeiro decorativo".
- Tsuyoshi Ihara como Chairman Sasaki: ex-yakuza e a preparação física minuciosa — O ator japonês, conhecido por papéis mais virtuosos nos últimos anos, assistiu à trilogia completa antes de aceitar. A pedido do diretor Choi Kook Hee, gravou vídeos ensaiando gestos sutis — como pentear o cabelo para trás — para construir a presença intimidadora de um chefe corporativo com passado no crime organizado.
- Stephanie Lee como Linda Park: a lobista que conecta os três países — Ex-modelo, ela vive uma intermediária que apresenta Jang Tae Young aos grandes apostadores vietnamitas enquanto negocia nos bastidores. A personagem adiciona camada política ao enredo: não há apenas cartas na mesa, mas acordos diplomáticos e lavagem de dinheiro disfarçados de hospitalidade.
- A geografia como elemento narrativo, não apenas cenário — Vietnã, Japão e Coreia do Sul funcionam como atos distintos. Cada locação traz regras de jogo, hierarquias criminosas e estéticas visuais próprias. O diretor evita a armadilha do "turismo de fundo verde" ao filmar em cassinos reais e ruas noturnas de cada capital, o que eleva a tensão sem depender apenas de diálogos expositivos.
- A assinatura visual de Choi Kook Hee e a evolução da franquia — Responsável por sucessos de bilheteria anteriores, o diretor mantém a paleta fria e os closes em fichas girando, mas insere drones sobre horizontes urbanos para marcar a escala global. A coreografia das cenas de aposta — antes restrita a mesas fechadas — agora alterna entre salões VIP em Hanói, arranha-céus em Tóquio e servidores de dados em Seul.
- O que a data de 23 de setembro sinaliza para o mercado — O lançamento no fim do verão coreano (início do outono no hemisfério norte) costuma ser reservado a blockbusters de prestígio que miram prêmios de fim de ano. Se a recepção for forte, a franquia pode ganhar spin-offs focados nos novos personagens internacionais, transformando Tazza em um universo compartilhado estilo "Missão: Impossível" do jogo de azar.
A escolha da redação
A aposta da produção em atores que carregam bagagem cultural própria — e não apenas "rostos internacionais" — é o diferencial que pode fazer Tazza 4 atravessar a barreira do nicho de fãs de cinema coreano. Hong Dao, Tsuyoshi Ihara e Stephanie Lee trazem linguagens corporais e ritmos de atuação distintos, o que enriquece as cenas de tensão silenciosa à mesa.
Para quem nunca viu um filme da saga, o ponto de entrada recomendado continua sendo "Tazza: One Eyed Jack" (2019), disponível no viki. Ele apresenta as regras do universo — hierarquia dos jogadores, códigos de honra entre trapaceiros e a estética neon-noir — sem exigir maratona de três filmes antigos.
O risco está no equilíbrio: se a trama geopolítica engolir o jogo psicológico que define a franquia, o público raiz pode rejeitar. A estreia dirá se a mão foi bem jogada ou se o blefe foi longe demais.


