Kingfish — o novo projeto do estúdio Firevolt (conhecido por WheelMates) — acaba de ser anunciado como uma das propostas mais excêntricas e ambiciosas para o gênero de estratégia nos próximos anos. O título coloca dois jogadores em papéis completamente distintos para gerenciar e defender um reino construído literalmente nas costas de um leviatã ancestral, misturando elementos de roguelite com ação em terceira pessoa.
O que torna Kingfish um jogo diferente de outros city-builders?
A grande diferença de Kingfish — roguelite de construção de cidades — reside na sua premissa de cooperação assimétrica e no cenário orgânico onde a ação acontece. Enquanto a maioria dos simuladores de colônia foca em terrenos estáticos, aqui a sua "cidade" é um ser vivo colossal que navega por um oceano perigoso. Isso cria uma camada de urgência e movimento que raramente se vê em títulos como SimCity ou Cities: Skylines.
A tese central do jogo é que a sobrevivência depende de uma simbiose perfeita entre o governante e o terreno. Se o leviatã sofrer dano excessivo nas profundezas, a cidade no topo desmorona; se a cidade falhar em coletar recursos, o leviatã perde a força para continuar nadando. É um ciclo de feedback constante que promete tirar os jogadores da zona de conforto de apenas empilhar prédios.
Como funciona a divisão de tarefas entre o Rei e o peixe?
O gameplay é dividido em duas perspectivas que não se cruzam visualmente de forma direta, forçando a comunicação verbal entre os parceiros. Um jogador assume o papel do Peixe (o Leviatã), jogando com uma visão estratégica do topo, gerenciando o layout da cidade e prevendo ameaças distantes no oceano. O outro jogador controla o Rei, uma unidade de ação em terceira pessoa que caminha pelo dorso da criatura, coleta recursos manualmente e lidera os aldeões no combate direto.
Essa assimetria é o coração da experiência. Veja as principais diferenças nas funções:
- O Peixe (Visão Macro): Organiza a produção de recursos, decide onde novos edifícios serão construídos, alerta sobre inimigos vindos da escuridão e pode conjurar feitiços poderosos para apoiar o campo de batalha.
- O Rei (Visão Micro): Gerencia o moral dos aldeões, atende às necessidades imediatas da população, luta em combate real-time contra invasores e explora as costas do leviatã para encontrar itens raros.
| Função | Perspectiva | Foco Principal |
|---|---|---|
| Rei | Terceira Pessoa (Ação) | Combate, Moral e Coleta |
| Peixe | Top-down (Estratégia) | Layout, Magia e Logística |
Quais são os elementos roguelite presentes no título?
Kingfish — game de estratégia da Firevolt — não é uma campanha linear, mas sim uma série de "runs" (partidas únicas). Cada tentativa de atravessar o oceano gera um mapa novo, com encontros aleatórios, artefatos distintos e novos personagens para recrutar. O fracasso significa perder a cidade atual, mas há um sistema de progressão persistente.
Os aldeões que você encontra durante as partidas podem retornar em runs futuras, trazendo consigo bônus permanentes (perks) que ajudam tanto o Rei quanto o Peixe. Esse sistema de "meta-progressão" é o que deve manter o fator replay alto, permitindo que cada derrota sirva como base para uma construção mais sólida na tentativa seguinte. A busca por artefatos raros escondidos no oceano também sugere que haverá muito conteúdo para desbloquear a longo prazo.
"O Rei e o Peixe possuem informações incompletas, e isso cria uma dinâmica fantástica de trabalho em equipe, apesar de terem perspectivas completamente diferentes sobre a mesma situação", afirmou a Firevolt em comunicado oficial.
O Kingfish pode sofrer com a dependência de dois jogadores?
Aqui entra o ponto de discórdia: Kingfish parece ter sido desenhado exclusivamente para o modo cooperativo. Embora a ideia de informações incompletas seja brilhante no papel, ela pode se tornar um pesadelo logístico para jogadores que não possuem um parceiro fixo ou que dependem de matchmaking online. Jogos que forçam essa dependência, como It Takes Two, costumam ser aclamados, mas o gênero de estratégia/city-builder geralmente atrai um público que prefere o controle total e o ritmo mais lento do single-player.
Outro desafio será equilibrar o tédio. Se o jogador que controla o Peixe estiver apenas esperando o Rei coletar madeira, ou se o Rei estiver apenas correndo de um lado para o outro enquanto o Peixe decide tudo, a experiência pode se tornar frustrante. A Firevolt precisará garantir que ambos os papéis sejam igualmente divertidos e ativos durante os 100% do tempo de jogo.
Por que o lançamento está tão longe, apenas em 2027?
A data de lançamento para 2027 (ainda sem mês definido) indica que o projeto ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento ou que a escala do mundo é muito maior do que os trailers iniciais sugerem. Desenvolver um jogo com duas engines de gameplay diferentes (uma de ação e outra de estratégia RTS) rodando simultaneamente em sincronia multiplayer é um desafio técnico considerável para um estúdio independente.
Até o momento, as plataformas confirmadas são o PC (via Steam) e consoles, embora a Firevolt ainda não tenha especificado se o jogo sairá para a geração atual (PS5/xbox series) ou se já mira nos sucessores que podem estar no mercado daqui a três anos. O tempo de desenvolvimento estendido pode ser positivo para polir a inteligência artificial dos aldeões e a geração procedural do oceano.
Onde isso pode dar
Kingfish tem todo o potencial para se tornar um clássico cult ou um novo fenômeno do cenário indie, seguindo os passos de sucessos como Against the Storm. A ideia de transformar o mapa em um personagem vivo é um sopro de criatividade em um gênero que muitas vezes se perde em tabelas de Excel e menus estáticos. Se a Firevolt conseguir entregar uma comunicação fluida entre os jogadores, teremos um título obrigatório para duplas.
Por outro lado, o risco de ser "ambicioso demais" é real. Manter o interesse do público por três anos até o lançamento exigirá uma comunicação constante e, possivelmente, períodos de testes beta para ajustar o balanceamento entre o Rei e o Peixe. Por enquanto, a aposta da redação é positiva: o mercado de jogos cooperativos de nicho está carente de experiências que exijam mais do que apenas atirar em coisas juntos, e Kingfish entrega exatamente essa profundidade estratégica.


