O que é Hotel Inhumans e por que a premissa engana?
Hotel Inhumans — anime de ação e suspense baseado na obra de Ao Tajima — chega com uma proposta que, à primeira vista, parece o sonho de qualquer fã de tramas criminais. A série foca em um resort exclusivo que serve como porto seguro para assassinos, hitmen e mercenários de todos os tipos. Se você esperava por monstros ou criaturas sobrenaturais, prepare-se para o choque de realidade: o título é apenas um nome pomposo para um refúgio de criminosos profissionais. A comparação com a franquia John Wick é inevitável e, honestamente, é onde o show encontra seu maior trunfo: a ideia de um mundo onde matadores precisam de serviço de quarto e paz entre um contrato e outro.
Como funciona a estrutura de episódios da série?
A série adota um formato de antologia, o que é, simultaneamente, sua maior qualidade e seu calcanhar de Aquiles. Acompanhamos Ikuro e Sara, os funcionários responsáveis por gerenciar o hotel, enquanto lidam com uma clientela rotativa de assassinos complexos. Essa estrutura permite que o anime explore diferentes tons e narrativas em seus treze episódios, indo de dramas melancólicos sobre arrependimento até missões de vida ou morte.
- Pontos Fortes: A diversidade de histórias permite que o espectador não fique preso a um único arco arrastado.
- Pontos Fracos: A inconsistência é brutal. Alguns episódios são memoráveis, enquanto outros, como o esquecível "Remember Me", parecem preenchimento puro.
O problema surge quando a série tenta esticar arcos, como no caso da trama de "Another Sky". O que poderia ser um fechamento impactante para a temporada acaba perdendo o fôlego ao ser esticado por quatro episódios, provando que nem toda história de assassinos precisa de uma maratona para ser relevante.
Por que a parte técnica deixa a desejar?
Se o roteiro tem seus altos e baixos, a parte visual de Hotel Inhumans é onde a decepção se torna palpável. O estúdio optou por uma animação funcional, mas desprovida de personalidade. Com iluminação plana e um design de arte genérico, o anime falha em capturar a estética noir e a tensão que a premissa de um "hotel de assassinos" exige. Falta aquele "tempero" visual que transforma uma cena de ação comum em algo icônico.
Por outro lado, a trilha sonora composta por Koharu, da dupla Charan Po Rantan, é um acerto absoluto. O uso do acordeão e sons ecléticos confere ao anime uma identidade sonora única, algo que, infelizmente, a animação não consegue acompanhar. É frustrante assistir a uma série onde a música é de primeira linha, mas o que vemos na tela parece ter sido feito com o mínimo esforço necessário.
Onde isso pode dar?
Com uma segunda temporada já confirmada, o destino de Hotel Inhumans depende inteiramente da capacidade da equipe de produção em aprender com os erros do primeiro ano. Para que o anime saia do patamar de "assistível, mas esquecível", a direção precisa focar em dois pontos cruciais:
- Desenvolvimento dos protagonistas: Ikuro e Sara são apenas observadores de luxo. Eles precisam de peso dramático próprio, além de apenas "ver o lado bom dos assassinos".
- Identidade visual: É necessário abandonar a estética genérica e investir em uma direção de arte que dialogue com o peso das histórias contadas.
A aposta da redação é que a série tem potencial para ser um clássico cult se decidir abraçar de vez a brutalidade e o estilo que o tema pede. Se continuar no caminho da segurança, vai acabar sendo apenas mais um título perdido no catálogo de streaming, lembrado apenas pela boa trilha sonora e por uma premissa que, no papel, era muito mais interessante do que o resultado final.


