O que aconteceu
TL;DR: A frase "perder xadrez para um cachorro" virou meme e, neste artigo, analisamos como ela está sendo usada para criticar a forma como animes como Goodbye, Lara tratam personagens queer.
Coop e Sylvia, da coluna "This Week in anime", retomaram um meme que circulou nas redes sociais: alguém perdeu uma partida de xadrez contra um cachorro. Eles usaram essa imagem para abrir uma discussão sobre a série Goodbye, Lara, um reboot da The Little mermaid que tem gerado polêmica por seus subtextos gays.
O debate começou quando o duo notou que a frase se tornou um atalho para apontar a frustração dos fãs com representações superficiais – "performative queer" – em produções de grandes estúdios. Eles conectaram isso ao histórico de anúncios de inclusão que acabam sendo meras estratégias de marketing.
Como chegamos aqui
O meme do cachorro no xadrez surgiu em meio a discussões sobre a falta de representatividade genuína em grandes franquias, especialmente após a onda de críticas ao "queerbaiting" em lançamentos da Disney e de outros gigantes do entretenimento. A comunidade começou a usar a metáfora para dizer que, se você não consegue nem vencer um cachorro em um jogo de estratégia, talvez nem esteja preparado para lidar com narrativas queer complexas.
- Crunchyroll transmitiu Goodbye, Lara ao lado de outros títulos como Mobile Suit gundam: The Witch From Mercury e Draw This, Then Die!.
- Kinema Citrus, estúdio por trás da série, tem um histórico de trabalhar com temas sapphic em Revue Starlight, mas ainda não entregou um romance explícito em Goodbye, Lara.
- Os criadores da coluna apontam que a série subverte o conto clássico de Hans Christian Andersen, oferecendo múltiplas formas de amor – familiar, platônica e possivelmente romântica.
Ao analisar episódios recentes, eles destacam como a narrativa brinca com estereótipos de contos de fadas (personagens com nomes "ouji" e "hime") enquanto explora a dor de um amor não correspondido. Essa dualidade entre a "hiperrealidade" das produções cinematográficas e a realidade mais crua dos sentimentos humanos cria um terreno fértil para a discussão sobre a eficácia da representação queer.
O que vem depois
O futuro de Goodbye, Lara ainda está em aberto. A série pode optar por manter o subtexto, permitindo que o público interprete as relações à sua maneira, ou pode evoluir para um romance aberto entre Lara e Mari, solidificando seu lugar como um marco da representatividade LGBTQ+ nos animes.
Independentemente da escolha, o que fica claro é que a comunidade está cansada de "checklists" de inclusão. Eles querem narrativas que integrem a identidade dos personagens de forma orgânica, sem que isso pareça um truque de marketing.
Outros animes citados na discussão – como Gundam: The Witch From Mercury e GQuuuuuuX – mostram que a ansiedade em torno da questão "Will it gay?" está se tornando um termômetro para medir o comprometimento dos estúdios com a diversidade.
Para quem acompanha a série, a expectativa é que os próximos episódios continuem a explorar diferentes facetas do amor, mantendo o humor seco e a estética visual que já cativaram o público.
Para ficar no radar
Se você ainda não assistiu Goodbye, Lara, vale a pena conferir o início da série para entender como ela se posiciona entre o tradicional e o contemporâneo. Fique de olho nos episódios futuros – eles podem definir um novo padrão para representações queer nos animes.
Enquanto isso, continue acompanhando nossos debates semanais em "This Week in Anime". Afinal, como dizem: "Bark bark, woof woof!" – e a conversa sobre representatividade não vai parar tão cedo.


