A ex-agente especial Chloe abandona o mundo de espionagem e chega ao Reino de Ashbury, assumindo a identidade de Victoria Sellers para buscar uma vida tranquila.
O que aconteceu
Na primeira temporada de Victoria of Many Faces, acompanhamos a jornada de Victoria enquanto tenta se adaptar a um cotidiano comum. Ela adota Nonna, uma menina abandonada, e começa a trabalhar em tarefas simples, mas seu passado de agente a persegue. Logo, o capitão da guarda, Jeffrey Asher, se interessa por ela, criando um triângulo de tensões entre o desejo de paz, a necessidade de sobreviver e a sombra de antigos inimigos.
Ao longo de nove episódios, a série alterna entre momentos de ternura — como as primeiras interações entre Victoria e Nonna — e cenas de ação onde a protagonista precisa usar suas habilidades de combate para proteger a nova família. O roteiro, assinado por Syuu, foca em traumas pessoais, especialmente nos de Jeffrey e Nonna, e mostra como cada personagem tenta curar suas feridas.
Como chegamos aqui
O anime foi produzido pelo Studio DEEN, conhecido por entregas de qualidade variável. O diretor Nobukage Kimura, que já trabalhou em obras visualmente marcantes como Showa Genroku Rakugo Shinjuu e Mushi-Shi, traz seu toque de sensibilidade nas cenas mais intimistas, como os diálogos à luz de velas entre Victoria e Jeffrey.
Entretanto, a produção sofre de inconsistências: enquanto alguns episódios apresentam animação fluida e enquadramentos cuidadosos, outros caem em cortes apressados e desenhos fora de modelo, principalmente nas sequências de luta. A trilha sonora, composta por Moe Hyūga, combina piano delicado e cordas suaves, mas tende a repetir os mesmos motivos, o que pode cansar o ouvinte nos momentos mais sombrios.
O elenco de dubladores merece destaque. Chika Anzai entrega uma performance rica, capturando a dualidade de Victoria — a mulher forte que ainda busca vulnerabilidade. Yōhei Azakami dá vida ao capitão Jeffrey, transmitindo sua melancolia e auto‑ódio. Já Shion Wakayama, responsável por Nonna, tem menos material para trabalhar, resultando em uma atuação mais simples.
O que vem depois
Ao final da temporada, a relação entre Victoria, Nonna e Jeffrey se consolida, sugerindo que a protagonista pode finalmente encontrar a estabilidade que buscava. Contudo, a série deixa em aberto a ameaça de antigos inimigos que ainda caçam Chloe, preparando terreno para possíveis continuações.
Se a produção mantiver o nível de escrita e aprofundamento de personagens, uma segunda temporada tem potencial para explorar ainda mais o conflito interno de Victoria e expandir o universo político de Ashbury. Por outro lado, se não houver melhorias na qualidade de animação e na variedade da trilha sonora, o encanto da história pode ser ofuscado por falhas técnicas.
Pontos fortes
- Roteiro sensível que trata de trauma e redenção.
- Direção de arte cuidadosa nas cenas de drama.
- Performance vocal de Chika Anzai.
Pontos fracos
- Animação inconsistente entre episódios.
- Trilha sonora repetitiva em momentos críticos.
- Alguns arcos narrativos que não se resolvem.
Para ficar no radar
Embora Victoria of Many Faces não seja perfeito, ele oferece uma narrativa que foge dos clichês de animes de espionagem ao focar em personagens reais e suas feridas. Se você curte histórias de recomeço com um toque de ação e drama, vale a pena dar uma chance, mas esteja preparado para pular os episódios com animação mais fraca.
Fique de olho nas notícias da Crunchyroll, que detém a licença, para possíveis anúncios de segunda temporada ou spin‑offs que possam aprofundar ainda mais o universo de Ashbury.


