Twitch Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Cinema e Series

Backrooms: Filme da A24 prova que o YouTube e o futuro do terror

· · 4 min de leitura
Pessoa em ambiente liminar estilo Backrooms segurando uma câmera vintage enquanto pratica ioga em tapete amarelo
Compartilhar WhatsApp

A era dos YouTubers chegou ao cinema de prestígio

O tempo em que diretores precisavam de décadas de carreira ou indicações em festivais obscuros para ganhar um orçamento da A24 — o estúdio de cinema independente responsável por sucessos como Hereditário e A Bruxa — acabou. A estreia de Backrooms, longa-metragem dirigido por Kane Parsons, o criador da websérie viral de mesmo nome, é o prego final no caixão da velha guarda. Estamos vendo uma mudança de paradigma: o talento bruto que nasceu no algoritmo do YouTube agora ocupa as salas de cinema, trazendo uma estética que o público jovem já consome há anos.

O filme, que coloca Chiwetel Ejiofor (ator de Doutor Estranho) como Clark, um homem perdido em um labirinto de escritórios liminares, e Renate Reinsve (atriz de A Pior Pessoa do Mundo) como sua terapeuta, estreou com sólidos 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas, sendo bem sincero: a nota importa tanto assim quando estamos falando de um fenômeno da internet?

O embate: Atmosfera vs. Narrativa

A grande questão que divide críticos e fãs é se o conceito de Backrooms — originalmente uma creepypasta (lenda urbana da internet) sobre espaços vazios e desconfortáveis — consegue sustentar um roteiro de longa duração. Aqui, o comparativo entre a origem do material e o resultado final é brutal:

Aspecto Websérie (YouTube) Filme (A24)
Foco Imersão pura e mistério Desenvolvimento de drama e personagens
Ritmo Direto e frenético Lento e contemplativo
Ponto forte Medo do desconhecido Atuações e direção de arte

Enquanto a websérie brilha por não explicar nada, o filme tenta dar uma estrutura de "drama psicológico". E é aí que a opinião da redação se divide. Por um lado, a atmosfera claustrofóbica é um triunfo técnico indiscutível. Por outro, o excesso de diálogos entre os protagonistas parece uma tentativa forçada de dar um peso dramático que o material original nunca precisou. Quando o filme tenta ser um drama de consultório, ele perde o ritmo; quando abraça o horror surrealista dos corredores infinitos, ele é um dos melhores filmes do gênero nos últimos anos.

O que os críticos estão ignorando

Muitas das críticas positivas focam em como Parsons é um "visionário", mas o lado que ninguém está vendo é o risco da institucionalização do conteúdo viral. Ao trazer Backrooms para dentro da estrutura da A24, o projeto ganha polimento, mas perde parte daquela crueza que fez a internet se apaixonar pelo conceito em primeiro lugar.

  • O visual: A direção de arte consegue replicar perfeitamente o pesadelo dos escritórios dos anos 90.
  • A atuação: Chiwetel Ejiofor entrega muito, mas talvez esteja "atuando demais" para um filme que depende de um clima de desorientação.
  • O roteiro: O maior inimigo de Backrooms é a necessidade de explicar o inexplicável.

Não me leve a mal: é um filme obrigatório para qualquer fã de horror contemporâneo. No entanto, é preciso separar o hype da qualidade real. A transição de Parsons prova que ele sabe filmar, mas ainda precisa aprender a editar o excesso de exposição narrativa que Hollywood tanto ama.

Onde isso pode dar

A aposta da redação é que Backrooms não será um sucesso isolado, mas o início de uma tendência. Espere ver grandes estúdios caçando criadores de conteúdo com seguidores na casa dos milhões para adaptar seus universos de terror de nicho. O risco? Transformar o horror experimental em um produto genérico de prateleira.

O filme chega aos cinemas no final de maio de 2026. Se você busca uma experiência sensorial que te deixa desconfortável e com vontade de checar as paredes da sua casa, vá. Mas não espere que as respostas que a internet tanto busca estejam todas lá. Às vezes, o melhor do horror é justamente o que não é dito.

Perguntas frequentes

O filme Backrooms é baseado na creepypasta da internet?
Sim, o filme é uma adaptação da websérie viral criada por Kane Parsons, que por sua vez se baseou no conceito das 'Backrooms' — um espaço liminar de escritórios infinitos que se popularizou como um meme de terror na internet.
Vale a pena assistir Backrooms no cinema?
Se você aprecia horror atmosférico e quer ver como a estética de terror da internet foi transposta para uma produção de alto nível, vale muito a pena. Apenas esteja preparado para um ritmo mais lento e focado em diálogos do que a websérie original.
Quem está no elenco de Backrooms?
O filme é protagonizado por Chiwetel Ejiofor, que interpreta o personagem Clark, e Renate Reinsve, que vive a terapeuta Dr. Mary Kline.
Culpa do Lag
Curtiu? Da uma chegada no streaming.

Gameplay, cosplay, analises e bate-papo nerd na Twitch.

Twitch.tv/setkun

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp