O que é alias grace e por que ela é considerada uma obra-prima?
Se você é fã de distopias e dramas psicológicos, provavelmente já devorou as temporadas de the handmaid's tale (o conto da aia), a série do serviço de streaming Hulu baseada na obra de Margaret Atwood (escritora canadense). No entanto, existe uma joia escondida no catálogo da Netflix (plataforma de streaming) que ostenta uma marca impressionante: 99% de aprovação no Rotten Tomatoes (site agregador de críticas). Trata-se de Alias Grace, uma minissérie que adapta um dos livros menos comentados, porém mais viscerais, de Atwood.
Diferente da pegada futurista de Gilead, Alias Grace nos transporta para o Canadá de 1843. A trama acompanha Grace Marks, interpretada por Sarah Gadon (atriz conhecida por colaborar com o diretor David Cronenberg), uma jovem imigrante irlandesa que trabalha como empregada doméstica. A vida de Grace vira um pesadelo quando ela é acusada e condenada pelo assassinato brutal de seu patrão, Thomas Kinnear (Paul Gross), e da governanta da casa, Nancy Montgomery, papel da vencedora do Oscar Anna Paquin (atriz de True Blood e X-Men).
A história real por trás do suspense psicológico
O que torna Alias Grace tão fascinante é o fato de ser baseada em um crime real que chocou o Canadá no século 19. A narrativa da minissérie utiliza o recurso do narrador não confiável de forma brilhante. Enquanto Grace conversa com o psiquiatra Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), o espectador é levado a questionar constantemente: ela é uma vítima das circunstâncias, uma mente brilhante manipuladora ou alguém que sofreu um colapso mental?
A série mergulha profundamente em temas como:
- Luta de classes: O abismo entre os imigrantes pobres e a elite canadense.
- Opressão feminina: Como o sistema legal e social da época tratava mulheres acusadas de crimes.
- Saúde mental: O início dos estudos psiquiátricos e a incompreensão sobre traumas.
- Religião e moralidade: O peso do julgamento puritano sobre a conduta das mulheres.
Um time de peso nos bastidores: Polley e Harron
Não é apenas o material base de Margaret Atwood que brilha aqui. A execução técnica de Alias Grace é impecável graças a duas mulheres poderosas da indústria cinematográfica. O roteiro de todos os episódios foi escrito por Sarah Polley (cineasta e roteirista premiada com o Oscar por Entre Mulheres), que traz uma sensibilidade única para a voz de Grace. A direção ficou a cargo de Mary Harron, a mente por trás do clássico cult psicopata americano.
Essa combinação resulta em uma atmosfera densa, onde o silêncio e os olhares de Sarah Gadon dizem mais do que qualquer diálogo expositivo. A crítica especializada frequentemente aponta que a performance de Gadon é hipnótica, servindo como a âncora perfeita para um mistério que se recusa a entregar respostas fáceis.
Por que Alias Grace é ofuscada por O Conto da Aia?
Apesar de sua qualidade superior em termos de consenso crítico, Alias Grace muitas vezes vive à sombra de The Handmaid's Tale. Isso se deve, em parte, ao impacto cultural massivo da história de June Osborne, interpretada por Elisabeth Moss (atriz de Mad Men). O livro original de 1985 é um pilar da ficção científica e sua adaptação para a TV chegou em um momento político global que ressoou fortemente com o público.
Enquanto The Handmaid's Tale se expandiu para múltiplas temporadas (muitas vezes indo além do material original de Atwood), Alias Grace é uma minissérie fechada. Ela não busca o choque visual constante da distopia de Gilead, preferindo um horror mais sutil e doméstico. No entanto, para os puristas da obra de Atwood, a minissérie da Netflix captura com mais precisão a prosa poética e a ironia cortante da autora.
O universo expandido e the testaments
O interesse pelas obras de Atwood continua em alta. Em 2026, o público retornou ao universo de Gilead com The Testaments (os testamentos), série baseada na sequência lançada pela autora em 2019. A nova produção foca em Agnes MacKenzie (Chase Infiniti) e Daisy (Lucy Halliday), explorando a resistência dentro e fora das fronteiras de Gilead.
Curiosamente, Margaret Atwood demonstrou muito mais entusiasmo por essas adaptações modernas do que pela versão cinematográfica de 1990 de O Conto da Aia, a qual ela criticou abertamente no passado. A autora inclusive faz uma pequena participação especial em The Testaments, solidificando seu selo de aprovação.
"Alias Grace é uma meditação sobre a natureza da verdade e como as histórias que contamos sobre nós mesmos podem ser nossa única forma de liberdade."
Por que isso importa
- Qualidade Garantida: Com 99% no Rotten Tomatoes, é uma das produções mais seguras para dar o "play" sem medo.
- Narrativa Curta: Por ser uma minissérie, é ideal para uma maratona de fim de semana, oferecendo uma história completa e satisfatória.
- Contexto Histórico: Oferece uma visão crua e realista da vida das mulheres no século 19, longe do romantismo comum em dramas de época.
- Porta de Entrada: É a introdução perfeita para quem quer conhecer o estilo de Margaret Atwood sem o peso emocional extremo de The Handmaid's Tale.


