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Zero Parades: o sucessor de Disco Elysium ou apenas uma cópia barata?

· · 4 min de leitura
Pessoa concentrada em um notebook com café e notas adesivas, simulando o ambiente de trabalho de um desenvolvedor
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Zero Parades é apenas um clone de Disco Elysium?

Para muitos jogadores, Zero Parades: For Dead Spies — o novo RPG da ZA/UM — será visto inevitavelmente como uma cópia barata de Disco Elysium. A sombra do antecessor é longa, especialmente considerando a polêmica saída dos criadores originais do estúdio. No entanto, rotulá-lo apenas como um "bootleg" é ignorar que o próprio jogo é obcecado pelo conceito de falsificação, cópias e como a autenticidade é usada como ferramenta de controle político.

A história se passa em Portofiro, uma cidade costeira onde a cultura local está sendo engolida por mídias piratas vindas de La Luz, um estado tecnofascista. O jogo não tenta esconder suas inspirações, mas utiliza essa estrutura para questionar o que torna algo "genuíno" em um mundo saturado de simulacros.

Quem é Cascade, a protagonista de Zero Parades?

Se em Disco Elysium tínhamos o detetive amnésico Harry Du Bois, aqui assumimos o papel de Cascade, uma espiã caída em desgraça. Diferente de Harry, Cascade não sofre de amnésia total; ela é uma profissional enviada para realizar uma última missão no local onde sua carreira desmoronou. Ela é um "bootleg" de espião, alguém cujas memórias e habilidades são moldadas por um sistema de diálogos internos tão caótico quanto o de seu predecessor.

O sistema de habilidades foi reduzido de 24 para 16, mas a premissa permanece: sua mente é um parlamento de vozes que discutem, insultam e guiam suas decisões. A grande diferença mecânica reside nos medidores de Pressão:

  • Ansiedade: Aumenta conforme você é exposto a situações estressantes.
  • Delírio: Surge quando a realidade começa a se dobrar sob o peso das escolhas.
  • Fadiga: O custo físico de ser uma espiã em um ambiente hostil.

Por que o sistema de "Pressão" gera opiniões divididas?

A introdução desses novos status bars adiciona uma camada de gerenciamento que, honestamente, parece desnecessária. Enquanto Disco Elysium tratava o estado mental de Harry de forma orgânica através da escrita, Zero Parades insiste em uma mecânica de "fussy managerialism" (gerenciamento meticuloso). Você precisa equilibrar álcool, fumo e café para reduzir uma pressão enquanto, inevitavelmente, aumenta outra. É uma tentativa de criar urgência, mas que muitas vezes interrompe o fluxo narrativo.

O lado que ninguém está vendo

A aposta da redação é que Zero Parades não quer ser o novo Disco Elysium, mas sim uma crítica ácida ao consumo cultural moderno. O jogo brilha quando analisa como a "cultura bootleg" é usada para apagar identidades nacionais. O vendedor de formatos raros no bazar de Portofiro, por exemplo, é um dos personagens mais bem escritos dos últimos anos: ele destila um desprezo elitista por qualquer mídia que seja consumida como um narcótico.

"A cultura de La Luz prospera em Portofiro porque é fácil, agressiva e, acima de tudo, porque ela se apropriou da ideia de futuro."

A escrita é afiada, mas carece da angústia visceral que tornava as falhas de Harry Du Bois tão dolorosamente humanas. Cascade parece um personagem saído de um livro de teoria política, enquanto Harry era um homem tentando não ser mais um animal. Essa distância emocional pode afastar quem busca a mesma carga dramática de antes, mas oferece um banquete intelectual para quem gosta de sátira social.

Vale a pena jogar?

Ainda é cedo para um veredito definitivo, mas o jogo se sustenta como uma obra de arte provocativa. Se você consegue ignorar a comparação constante com o passado da ZA/UM, encontrará um RPG denso, cínico e tecnicamente competente. O que falta saber é se o final da jornada em Portofiro conseguirá justificar a complexidade de suas mecânicas ou se o jogo ficará preso em sua própria teia de referências. Por enquanto, Zero Parades é uma experiência obrigatória para quem vê o videogame como uma forma de literatura interativa, mesmo que, às vezes, ele pareça tentar ser mais esperto do que realmente é.

Perguntas frequentes

Zero Parades é uma sequência direta de Disco Elysium?
Não, Zero Parades é uma obra independente, embora compartilhe o mesmo DNA de design e narrativa da ZA/UM. Ele funciona como um sucessor espiritual, mas com um elenco e cenário totalmente novos.
Preciso ter jogado outros RPGs para entender Zero Parades?
Não é obrigatório, mas ajuda se você estiver familiarizado com RPGs de texto e sistemas de escolhas focados em diálogos. O jogo exige paciência para ler e interpretar as nuances políticas do mundo.
O sistema de Pressão torna o jogo muito difícil?
O sistema é mais uma camada de gerenciamento de recursos do que um desafio de dificuldade. Ele disciplina o jogador a tomar decisões sobre quando descansar ou consumir itens, mas não chega a ser punitivo como um soulslike.
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