Foi em um teatrinho quase no escuro, na gamescom 2026, que a CD Projekt Red mostrou para a imprensa um trecho pré-gravado de The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered e da expansão Songs of the Past. A sessão foi hands-off, ou seja, ninguém encostou no controle: tudo rodava nas mãos de um desenvolvedor. Mesmo assim, duas coisas ficaram claras. A primeira: o remaster gratuito para donos do jogo original chega em 29 de setembro e traz mudanças reais de combate. A segunda: a expansão em si ainda não convenceu 100% que precisava existir.
O que aconteceu na gamescom
A apresentação não foi exatamente fechada como o marketing sugeriu — o material apareceu depois num supercut público do canal oficial na gamescom. Mas a versão presencial serviu para reforçar dois pontos que a CD Projekt Red e a co-desenvolvedora Fool's Theory querem empurrar: o remaster de base é gratuito e sai meses antes da expansão Songs of the Past.
O foco da demo foi dividido. Metade mostrou a nova região de Letten, um canto verde do Continente mais interessado em cultivar colzas e fabricar cerveja do que em guerras. A outra metade voltou e voltou ao combate refinado da edição remasterizada, que é justamente o filão que está deixando jogadores antigos animados.
Como chegamos aqui: o combate que precisava de retoque
The Witcher 3 — RPG de 2015 da CD Projekt Red com Geralt de Rívia como protagonista — sempre foi celebrado por história, mundo aberto e sidequests brilhantes. O combate, por outro lado, sempre foi aquele primo engraçado que todo mundo ama mas finge que não vê esquisito: travado, com swings de espada meio desajeitados e câmera teimosa. Onze anos depois, o remaster assume isso de frente.
Entre as mudanças que apareceram no preview:
- Combos mais fluidos: Geralt agora encadeia golpes com uma graça que Wild Hunt original nunca entregou. As animações parecem mais rápidas e a transição entre golpes está mais limpa.
- câmera inteligente: quando vários inimigos estão juntos, o sistema mostra de forma mais clara qual bicho está sendo alvejado. Resolve uma das maiores dores de quem jogou no lançamento.
- Novos finalizadores com corrente de prata: Geralt ganha uma chain que ele aparentemente encontra durante a expansão. O destaque mostrado foi ele jogando a corrente em um monstro infestado de vespas, puxando o bicho até a espada e decapitando num movimento só. É o tipo de finalização que faz a pessoa fechar a apresentação querendo rejogar.
Para deixar claro: não chega no nível de polimento de briga de Batman Arkham — e é impossível julgar swordfeel de verdade sem controle na mão. Mas existe uma intenção visível de melhorar um problema antigo, o que já é mais do que a maioria dos jogos singleplayer de onze anos recebe.
Como chegamos aqui: a expansão Songs of the Past
Songs of the Past é a expansão que existe basicamente porque alguém na CD Projekt Red decidiu que Geralt merecia mais uma despedida. O plot gira em torno do desaparecimento de Dandelion — o bardo mascote da franquia — e leva o bruxo para fora de Velen, agora em direção a Letten, uma região que parece mais um condado rural do que o Continente usual de monstros e política.
No preview, os monstros novos até chamaram atenção:
- Thornblooms: visualmente lembram os clássicos Archespores, mas atacam com mais ferocidade e movimento. Tipo Archespore com café na veia.
- Swarmion: insetos humanoides que carregam escudos feitos de enxames densos de vespas. Soa nojento, e provavelmente é.
A colaboração com a Fool's Theory (estúdio polonês que entrou como co-dev) continua, o que dá uma cara de produção maior para um conteúdo que, no fim, não é um The Witcher 4. As ferramentas novas de combate — incluindo os finalizadores com corrente — vão funcionar aqui, então existe uma sinergia prática entre remaster e DLC.
O que vem depois: a pergunta que ninguém respondeu
O problema de Songs of the Past é que ele ainda não justificou narrativamente a própria existência. Blood and Wine foi uma despedida brilhante; enfiar mais uma "última aventura do Geralt" logo depois soa mais como sequência de hospital do Coringa do que como conclusão épica. É como se a BioWare aparecesse amanhã com um DLC sequel de Mass Effect 3: Citadel e o primeiro preview mostrasse o Shepard voando sozinho para a Gloucestershire espacial.
O remaster, por outro lado, é um pacote menor em escopo mas que pode ser o motivo real para reinstalar. Se a câmera e os combos realmente entregarem o que a demo sugere, o jogo base vai se sentir menos datado do que nunca — e de graça.
Para ficar no radar
O calendário ficou mais claro depois da gamescom, e dá para organizar as expectativas com o que já foi mostrado:
- The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered chega em 29 de setembro, gratuito para quem já tem o jogo original.
- Combate: combos refeitos, câmera inteligente e finalizadores novos com corrente de prata.
- Expansão Songs of the Past: nova região Letten, foco no desaparecimento de Dandelion, monstros inéditos como Thornblooms e Swarmion. Data de lançamento específica ainda não confirmada na apresentação.
- Desenvolvimento: CD Projekt Red com co-dev da Fool's Theory.
Para quem largou The Witcher 3 por causa do combate travado, o remaster sozinho já pode valer o retorno. Para quem está em dúvida sobre a expansão, a esperança é que a CD Projekt Red use o tempo até o lançamento para responder a pergunta mais importante: por que Geralt precisa de mais uma despedida?
"Still, nothing so far has answered the question of why, exactly, this expansion exists." — James Archer, Rock Paper Shotgun.


