TL;DR: Esta lista reúne cinco westerns memoráveis que terminam com a morte do protagonista, subvertendo o clássico final de herói que cavalga ao pôr‑do‑sol.
O que aconteceu
Os westerns tradicionalmente celebram o herói solitário que, ao final da história, desaparece no horizonte iluminado por um pôr‑do‑sol dourado. Contudo, alguns diretores decidiram romper com essa fórmula, apresentando finais trágicos que mostram a morte do personagem principal. A seguir, analisamos cada um desses momentos marcantes, organizados cronologicamente.
- Shane (1953) – Dirigido por George Stevens, o filme apresenta Alan Ladd como o pistoleiro Shane, que sacrifica sua vida ao confrontar um fazendeiro violento. O último plano mostra Shane cavalgando em direção a um cemitério, sugerindo sua morte.
- The Great Silence (1968) – Sergio Corbucci cria um Spaghetti Western sombrio, onde o silencioso anti‑herói (Jean‑Louis Trintignant) é morto por um caçador de recompensas implacável (Klaus Kinski) durante uma tempestade de neve.
- Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) – Paul Newman e Robert Redford interpretam os lendários fora‑da‑lei que, ao final, são mortos em um tiroteio contra o exército boliviano, encerrando a cena com um freeze‑frame da dupla correndo.
- The Wild Bunch (1969) – Sam Peckinpah retrata o fim de uma era; o grupo de foras‑da‑lei liderado por William Holden enfrenta um tiroteio sangrento que elimina todos, exceto o traidor Deke Thornton.
- The Assassination of Jesse James by The Coward Robert Ford (2007) – Andrew Dominik narra a traição de Robert Ford (Casey Affleck) contra Jesse James (Brad Pitt), culminando na morte de ambos e na reflexão sobre a fama e a memória.
Como chegamos aqui
O caminho que levou esses filmes a adotar finais tão sombrios está intimamente ligado à evolução do gênero western ao longo das décadas. Nos anos 1950, o western clássico ainda glorificava o herói solitário, mas já começava a questionar a moralidade da violência.
Com Shane, George Stevens introduziu uma ambiguidade moral que influenciaria gerações posteriores. O filme, inspirado na Guerra do Condado de Johnson, mostra um pistoleiro que tenta abandonar a violência, mas acaba sendo forçado a lutar novamente, sacrificando-se para proteger a família Starrett. A cena final, ao invés de um pôr‑do‑sol romântico, coloca Shane em um cemitério escuro, sugerindo que o ciclo de violência tem um preço fatal.
Na década de 1960, o movimento Spaghetti Western, liderado por diretores italianos como Sergio Corbucci, trouxe uma visão mais crua e pessimista. The Great Silence destaca-se por seu cenário invernal e por inverter a expectativa de que o herói sempre vence. O vilão Loco (Klaus Kinski) triunfa, matando o silencioso protagonista, o que foi tão chocante que o filme foi banido na Itália por seu final considerado “cínico”.
O mesmo ano, Butch Cassidy and the Sundance Kid misturou humor e ação, mas ainda assim optou por um final aberto. A escolha de congelar a imagem da dupla correndo contra o fogo cruzado deixa o espectador em suspense, permitindo que a lenda continue viva, apesar da provável morte dos personagens.
Sam Peckinpah, com The Wild Bunch, levou a violência ao extremo, usando a câmera lenta e a edição rápida para criar um tiroteio quase industrial. O final brutal, onde quase todos os membros da gangue morrem, simboliza o fim da era do Velho Oeste, já que o filme se passa em 1913, próximo ao declínio da fronteira americana.
Finalmente, The Assassination of Jesse James by The Coward Robert Ford trouxe uma abordagem psicológica, focando na culpa e na obsessão por fama. O filme não só mostra a morte de Jesse James, mas também demonstra como o assassino, Robert Ford, também sucumbe ao peso da história que ajudou a escrever.
O que vem depois
Os finais trágicos desses westerns abriram caminho para uma nova geração de narrativas que questionam o mito do herói solitário. Hoje, diretores continuam a explorar a fragilidade dos protagonistas, como visto em obras recentes que mesclam o western com outros gêneros (por exemplo, Deadwood na TV ou Westworld nas plataformas de streaming).
Além disso, o legado dessas obras influencia a forma como o público percebe a história do Velho Oeste. Em vez de glorificar a violência, esses filmes convidam à reflexão sobre as consequências reais da vida de pistoleiro. O interesse por finais que desafiam expectativas também se reflete em discussões acadêmicas e em fóruns de fãs, que analisam como a morte do protagonista pode servir de crítica social.
Para quem deseja aprofundar o tema, vale assistir novamente a esses cinco filmes, observando como cada cena final foi cuidadosamente construída para provocar emoções conflitantes. Também é interessante comparar esses finais com os de outras obras que mantêm o padrão clássico, como High Noon (1952) ou Rio Bravo (1959), para perceber a ruptura que esses cinco westerns representam.
Para ficar no radar
Se você se interessa por westerns que fogem do clichê do herói invencível, inclua na sua lista de reprodução:
- Shane (1953) – um dos primeiros a sugerir a morte do protagonista.
- The Great Silence (1968) – o Spaghetti Western mais sombrio já feito.
- Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) – mistura de humor e tragédia.
- The Wild Bunch (1969) – violência extrema e fim brutal.
- The Assassination of Jesse James by The Coward Robert Ford (2007) – drama psicológico sobre fama e culpa.
Esses filmes não só oferecem entretenimento de alta qualidade, mas também servem como estudo de caso sobre como o western pode evoluir e se reinventar, mantendo relevância mesmo décadas depois de sua era dourada.


