Se você ainda não viu o West Side Story de Steven Spielberg (2021), está perdendo uma das adaptações mais bem executadas da história do cinema. O filme combina direção precisa, elenco autêntico e um roteiro que refina a obra original de 1961.
Por que o remake de 2021 se destaca?
- Direção de Spielberg. O mestre do cinema traz seu conhecimento de bloqueio e movimento de câmera, essenciais para um musical. Cada sequência de dança ganha dinamismo, permitindo que a câmera siga os passos como se fosse parte da coreografia.
- Elenco latino autêntico. Ao contrário da versão de 1961, Spielberg escalou atores de origem porto-riquenha para os personagens dos Sharks, garantindo representatividade e credibilidade cultural.
- Roteiro de Tony Kushner. O premiado roteirista reescreveu diálogos e acrescentou nuances que tornam a história mais realista, sem perder a poesia das letras de Stephen Sondheim.
- Performance de Rachel Zegler. A jovem atriz, ainda sem experiência musical prévia, entrega uma Maria vibrante, combinando voz potente e presença cênica que rivaliza com a icônica Natalie Wood.
- Mike Faist como Riff. O ator transforma o melhor amigo de Tony em um personagem complexo, trazendo energia e vulnerabilidade que dão profundidade ao conflito dos Jets.
- Design de produção. O cenário de Nova‑York dos anos 1950 foi reconstruído com detalhes que transportam o espectador para a época, enquanto a iluminação realça a atmosfera de tensão e romance.
- trilha sonora remasterizada. As músicas de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim foram reorquestradas, mantendo a melodia original mas acrescentando camadas sonoras que reforçam o drama.
Além desses pontos, o filme recebeu aclamação da crítica, prêmios como o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Ariana DeBose e reconhecimento do próprio Sondheim, que declarou preferência pela versão de Spielberg.
Como o remake se compara ao clássico de 1961?
O original, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, permanece como um marco dos musicais, mas apresenta limitações que o tempo revelou. A escolha de atores brancos para papéis latinos, a estética estática das coreografias e um ritmo que, embora elegante, carece da energia contemporânea que Spielberg oferece.
- Autenticidade cultural – Spielberg corrige um erro histórico ao empregar talentos latinos.
- Movimento de câmera – O diretor usa travellings e planos sequenciais que a produção de 1961 não podia.
- Roteiro – Kushner aprofunda conflitos sociais, tornando a narrativa mais relevante para o público atual.
Mesmo assim, a versão de 1961 ainda tem seu charme: coreografias de Jerome Robbins são referência, e a interpretação de Natalie Wood como Maria permanece inesquecível. O debate entre as duas versões continua vivo entre fãs e críticos.
Vale a pena assistir agora?
Sim. O filme está disponível no Disney+, o que facilita o acesso. Se você gosta de musicais, histórias de amor proibido ou simplesmente aprecia a obra de Spielberg, não há motivo para adiar. A combinação de performances frescas, direção magistral e respeito à fonte original faz deste remake um ponto de referência para futuros projetos do gênero.
O que falta saber
Embora o filme tenha sido aclamado, seu desempenho de bilheteria foi discreto, refletindo talvez a dificuldade de atrair grandes públicos para musicais nos dias atuais. Ainda assim, ele demonstra que o formato pode ser revitalizado quando há visão artística e compromisso com a autenticidade.
Para quem ainda não assistiu, a recomendação é simples: reserve uma noite, prepare a pipoca e deixe que Spielberg conduza você pelos becos de manhattan, onde o amor e a violência se entrelaçam ao som de canções que atravessam gerações.


