Em 2007, um pôster prometia o confronto definitivo: Jason Statham contra Jet Li. Dois mestres da porradaria no auge, diretor de videoclipe no comando, coreógrafo lendário nas lutas. O resultado? US$ 40 milhões de bilheteria mundial contra US$ 25 milhões de orçamento — e 14% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. War não apenas flopou; virou piada de "filme que podia ter sido ótimo".
Fato: War reuniu dois titãs da ação e entregou prejuízo
O longa dirigido por Philip G. Atwell colocou Statham como o agente do FBI Jack Crawford e Li como o assassino misterioso Rogue. A premissa é clássica: caçador e caçado, identidades trocadas, vingança pessoal. No papel, era a receita perfeita para um actioner de respeito. Na prática, o roteiro afundou em clichês de filme B — reviravoltas telegráficas, diálogos funcionais e aquele vilão que explica o plano em vez de executar. A crítica massacrou. O público, dividido: 51% de aprovação no Popcornmeter mostram que muita gente se divertiu mesmo com os defeitos.
Contexto: por que importa
O fracasso de War não é apenas uma curiosidade de bilheteria. Ele expõe como o mercado tratava astros de ação asiáticos em Hollywood na era pré-"John Wick". Jet Li já era lenda — O Último Mestre, Herói, Beijo do Dragão — mas o estúdio o escalou como coadjuvante de luxo num veículo do Statham, que vinha do sucesso alucinado de Crank. A campanha de marketing vendeu "Statham vs. Li" e entregou um thriller genérico onde os dois mal dividem a tela até o terceiro ato. Perdeu-se a chance de fazer o Heat das artes marciais.
Além disso, o filme estreou espremido entre Rush Hour 3 (comédia de ação consolidada) e O Ultimato Bourne (o auge do realismo brutal). Dois públicos capturados, zero espaço para um híbrido sem identidade clara.
Reação dos fãs e mercado
Na época, fãs de artes marciais reclamaram do subaproveitamento de Li — ele faz mais "olhares intensos" do que lutas. Statham carrega o filme nas costas com seu carisma de anti-herói cansado, mas o roteiro não lhe dá material à altura de Crank ou Os Mercenários. A bilheteria doméstica (EUA) mal passou de US$ 22 milhões. Internacional, pouco mais de US$ 18 milhões. Número que mal cobre prints and advertising.
Curiosamente, a dupla já tinha trabalhado junta em The One (2001), ficção científica de multiverso com Li como vilão e Statham como coadjuvante — aquele sim, lucrou US$ 43 milhões nos EUA sozinho. A lição: quando Li tem espaço para ser Li, a bilheteria responde.
- Coreografia de Corey Yuen (lendário de O Tigre e o Dragão, DOA) é o ponto alto — lutas viscerais, câmera estável, impacto físico real.
- Elenco de apoio sólido: Sung Kang (antes de Velozes e Furiosos), Luis Guzmán, Devon Aoki.
- Disponível hoje no Amazon Prime Video — ou seja, custo zero para testar.
O lado que ninguém tá vendo
War envelheceu melhor que muito "clássico" da época. Sem CGI exagerado, sem universo compartilhado, sem piadas meta. É ação suja, prática, com dois corpos que sabem se mover. A reviravolta final — Rogue não é quem parece — é bobinha, mas funciona no contexto de filme de sábado à noite. Se você assiste esperando John Wick, vai odiar. Se assiste esperando Duro de Matar encontra Policial em Apuros, diverte.
A aposta da redação: reassista sem compromisso. Pule os diálogos expositivos, foque nas sequências da boate, do porto, do confronto final. Corey Yuen coreografou uma aula de como filmar luta corporal sem cortes de 0,5 segundo. Statham e Li mereciam um filme à altura — e ganharam depois, nos Mercenários. Mas War não é o lixo que a nota 14% sugere. É um "bom filme ruim" — e às vezes isso basta.


