A Epic Games não está só falando de IA para criar assets — a empresa confirmou que o próprio Unreal Engine está sendo escrito com ajuda de modelos como Claude e Codex. O vice-presidente executivo Marcus Wassmer soltou a informação em resposta ao This Week in Video Games: bugs de "cooking" não-determinísticos que assombravam a engine há dez anos foram varridos do mapa. A parada é séria: o foco agora é UEFN e UE6, com possibilidade de um 5.9 modesto pelo caminho.
Quem é Marcus Wassmer e por que a palavra dele pesa?
Marcus Wassmer é o Vice-Presidente Executivo de Desenvolvimento da Epic Games — basicamente o cara que decide para onde o motor vai. Quando ele fala "estamos definitivamente usando IA para desenvolver código e features do Unreal Engine", não é especulação de fórum; é a diretriz vindo de cima. A declaração veio após o Unreal Fest em Chicago, onde a Epic já tinha deixado escapar a pivô "AI-first" no palco e em entrevistas.
O que são esses "bugs de cooking não-determinísticos" que a IA matou?
"Cooking" no jargão da Unreal é o processo de empacotar e otimizar assets para rodar no alvo final (console, PC, mobile). Bugs não-determinísticos são aqueles que aparecem aleatoriamente — você compila a mesma coisa duas vezes e numa passa, na outra quebra. Wassmer disse que a Epic tentava exterminar essa praga há uma década. Ferramentas tipo Claude e Codex finalmente deram conta do recado, limpando uma dor de cabeça crônica da equipe de engine.
Como a IA está sendo usada no dia a dia da Epic?
- Escrita de código e features: Engenheiros não digitam mais o grosso do código; eles direcionam o escopo e revisam o que a IA gera.
- Monitoramento de estabilidade no Fortnite: IA rastreia combos de driver/hardware que causam crashes — trabalho que levaria semanas manualmente.
- Modernização da base legada: A engine é velha, gigante e complexa; a IA ajuda a "trimar e streamlinar" sem quebrar nada.
- Rebuild do Epic Games Launcher via "vibe coding": Resultado roda "notavelmente mais rápido", segundo a própria Epic.
O que é "vibe coding" e por que a Epic adotou?
Termo que ganhou tração no Wikipedia e nos dev circles: você descreve a intenção em linguagem natural e a IA escreve o código. A Epic usou no Launcher e agora estende para engine. Wassmer faz questão de frisar: engenheiros controlam o escopo. Não é "deixa a IA fazer tudo" — é "a IA acelera o grinde, humano decide a arquitetura".
UE6 e UEFN: o foco real da Epic agora
Wassmer foi direto: "Quase todo desenvolvimento acontece nas dev streams do Fortnite, UEFN e UE6". UEFN (Unreal Editor for Fortnite) é a ponte para criadores do modo criativo. UE6 é a próxima geração unificada — a Epic já tinha dito que UE5 e UEFN vão fundir num motor só. Se sair um 5.9, será update modesto para sistemas específicos, já com código gerado por IA. O foco pesado é a versão 6.
E a preocupação dos devs com IA baixando qualidade?
Pesquisas recentes mostram desenvolvedores apreensivos com IA generativa. Wassmer não tem essa neura: "Estamos mais preocupados com os riscos de mover devagar do que com ceticismo de IA". A aposta: software feito corretamente com IA será simplesmente melhor e responderá mais rápido a feedback de cliente. A prova virá na qualidade dos jogos e tools entregues.
EULA atualizada: IA vai treinar com output da Unreal?
Sim. A Epic já avisou que vai mexer no EULA para permitir treino de IA com o que sai da engine e do MetaHuman. Isso significa que seu projeto, seus assets, seu código compilado — tudo pode virar dataset. Wassmer não detalhou opt-out nem cronograma; só confirmou que a mudança vem. Fica o alerta para estúdios que lidam com IP sensível.
O que falta saber sobre essa virada de IA na Epic
A transição está em andamento, mas alguns pontos seguem em aberto: não há data para UE6 nem para o possível 5.9; não se sabe quais módulos da engine já rodam código 100% IA versus revisado por humano; e o novo EULA ainda não tem texto final publicado. Para quem desenvolve na Unreal, vale acompanhar o Unreal Fest e as notas de release das próximas versões — a "vibe coding" chegou na engine que move metade da indústria.


