Twitch Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Games

Ultima, Wizardry e demais séries RPG que definiram a década de 80

· · 5 min de leitura
Jovem segurando joystick antigo ao lado de pôsteres pixelados de Ultima e Wizardry
Compartilhar WhatsApp

TL;DR: ultima, wizardry, dragon quest, the bard's tale e final fantasy foram as séries RPG que dominaram a década de 80, cada uma trazendo uma fórmula única que ainda ecoa nos jogos atuais.

O que aconteceu?

Nos primeiros anos da computação doméstica, desenvolvedores começaram a experimentar a tradução digital de Dungeons & Dragons – o RPG de mesa que dominava as mesas de amigos. O resultado foi uma explosão de projetos que tentavam capturar a sensação de exploração, progressão de personagens e narrativa épica. Entre dezenas de títulos, cinco séries se destacaram e se tornaram verdadeiros pilares da indústria.

  • Ultima – criado por Richard Garriott, introduziu um mundo aberto e tramas que misturavam fantasia e ficção‑científica.
  • Wizardry – da Sir-Tech, trouxe os primeiros dungeons 3D em primeira pessoa, definindo a fórmula de masmorras intermináveis.
  • Dragon Quest – da Chunsoft, combinou a arte de Akira Toriyama com mecânicas acessíveis, conquistando o Japão.
  • The Bard's Tale – da Interplay, entregou humor e um sistema de classes complexo que ainda influencia jogos indie.
  • Final Fantasy – da Square, salvou a própria empresa ao lançar um RPG com classes variadas e narrativa profunda.

Essas séries não só sobreviveram ao fim da década, mas também abriram caminho para os gigantes que conhecemos hoje.

Como chegamos aqui?

O sucesso dessas franquias não foi obra do acaso. Cada uma respondeu a limitações técnicas e a demandas dos jogadores de forma distinta.

Ultima – a revolução da liberdade

Enquanto a maioria dos RPGs da época ainda se limitava a labirintos fechados, Ultima (1981‑1988) oferecia um mapa continental, missões secundárias e moralidade que mudava o final do jogo. A série também ousou inserir viagens no tempo e tecnologia avançada, algo raro para o gênero então quase exclusivamente medieval.

Wizardry – a academia dos calabouços

Sir-Tech transformou o Apple II em um campo de batalha tridimensional. Wizardry I (1981) introduziu permadeath, rolagens de atributos e um sistema de party que exigia estratégia profunda. Mesmo com gráficos limitados, a imersão era tal que jogadores ainda hoje criam mods para reviver a experiência.

Dragon Quest – o encanto da simplicidade

Quando Dragon Quest chegou em 1986, o Japão precisava de um RPG acessível. A parceria entre o designer de jogos Yuji Horii, o ilustrador Akira Toriyama (criador de Dragon Ball Z) e o compositor Koichi Sugiyama resultou num pacote irresistível: menus intuitivos, combate por turnos e uma história de herói que cativou crianças e adultos.

The Bard's Tale – humor e complexidade

Lançado em 1985 pela Interplay, The Bard's Tale misturou humor satírico com um dos sistemas de classes mais elaborados da época. Cada classe possuía habilidades exclusivas, e o jogo ainda permitia ao jogador criar itens usando um “crafting” rudimentar – algo que só seria popular décadas depois.

Final Fantasy – o milagre que salvou a Square

Em 1987, a Square enfrentava falência. A solução veio com Final Fantasy, um RPG que combinava um sistema de classes flexível, gráficos coloridos e uma trilha sonora memorável. Apesar de ter sido lançado apenas no Japão até 1990, o título garantiu a sobrevivência da empresa e plantou as sementes para a franquia que domina o mercado hoje.

Essas inovações foram possíveis graças ao avanço dos microprocessadores de 8‑bits, ao surgimento dos disquetes como meio de distribuição e ao crescente interesse de um público que buscava experiências mais narrativas nos computadores domésticos.

O que vem depois?

Se a década de 80 foi a “casa de fundação” dos RPGs, o que o futuro reserva para essas séries?

  • Ultima – embora tenha entrado em hiato, fãs ainda clamam por um reboot que una a tradição de mundos abertos com mecânicas modernas.
  • Wizardry – a série teve um revival em 2001, mas o legado permanece nos jogos de dungeon‑crawlers indie, como Darkest Dungeon.
  • Dragon Quest – continua lançando títulos principais a cada três‑quatro anos; a expectativa agora é ver como a franquia se adapta ao streaming e ao cross‑play.
  • The Bard's Tale – o último grande lançamento foi 2018, mas a comunidade de modders mantém o espírito vivo com fan‑made expansões.
  • Final Fantasy – o futuro parece garantido, porém a pressão para inovar sem alienar a base de fãs pode levar a experimentos arriscados, como o sucesso (ou fracasso) de Final Fantasy XVI.

Em síntese, o que esses títulos nos ensinaram é que a fórmula do RPG – exploração, progressão e narrativa – é atemporal. O que muda são as ferramentas que usamos para contar essas histórias.

Onde isso pode dar?

O legado desses cinco pilares ainda influencia desenvolvedores independentes e grandes estúdios. A tendência atual de “retro‑revival” – como Octopath Traveler (inspirado em Final Fantasy) ou Divinity: Original Sin (que homenageia Wizardry) – mostra que a nostalgia não é apenas marketing, mas um reconhecimento de mecânicas que ainda funcionam.

Ao mesmo tempo, a indústria deve ficar atenta ao risco de repetir fórmulas sem inovação. O sucesso de um remake depende de equilibrar reverência ao original com novidades que justifiquem a compra. Caso contrário, corremos o risco de transformar esses clássicos em meros itens de colecionador, esquecendo o que os tornou grandiosos: a capacidade de transportar o jogador para mundos que ele jamais poderia visitar na vida real.

Portanto, a aposta da redação é que, nos próximos anos, veremos mais projetos que reinterpretam esses cinco titãs, mas com foco em experiências multiplayer, realidade aumentada e narrativas ramificadas. Se bem executado, o espírito dos RPGs dos anos 80 pode renascer ainda mais forte, provando que a era dos 8‑bits ainda tem muito a ensinar.

Perguntas frequentes

Quais foram os primeiros RPGs lançados na década de 80?
Os primeiros RPGs de destaque foram Ultima (1981), Wizardry (1981), The Bard's Tale (1985), Dragon Quest (1986) e Final Fantasy (1987).
Por que Final Fantasy foi tão importante para a Square?
O primeiro Final Fantasy salvou a Square da falência, garantindo receita suficiente para a empresa continuar e lançar sequências que se tornaram franquias globais.
Existe alguma continuação oficial de Ultima?
Ultima teve seu último título principal em 1999 (Ultima IX), mas ainda não há anúncios de reboot oficial; fãs aguardam notícias.
Culpa do Lag
Curtiu? Da uma chegada no streaming.

Gameplay, cosplay, analises e bate-papo nerd na Twitch.

Twitch.tv/setkun

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp