TL;DR: Em entrevista exclusiva, os criadores de Transport Fever 3 e da nova A-Train 9 PRIME LINE explicam como suas séries abordam ferrovias, economia e expansão global.
Quem são os desenvolvedores por trás de Transport Fever 3?
Transport Fever 3 foi criado pela Urban Games, um estúdio suíço fundado há mais de 15 anos por dois irmãos apaixonados por Transport Tycoon. O responsável pela comunicação e publicação é Nico Heini, que descreve a empresa como um time pequeno, mas focado em transformar a ideia de um simulador de logística moderno em realidade.
Qual a história da série A-Train e quem a desenvolve?
A série A-Train, conhecida no Japão como A-Train, tem 40 anos de existência e é desenvolvida pela Artdink, empresa que também celebra quatro décadas de história. Junmei Ono atua como diretor e Takayuki Seido como produtor, liderando uma equipe que já entregou dezenas de títulos ao longo das gerações de consoles.
Como Transport Fever 3 aborda a relação entre ferrovias, transporte e economia?
Em Transport Fever 3 o jogador controla tanto o transporte de mercadorias quanto de passageiros, mas a ênfase não está apenas em acumular dinheiro. Cada cidade possui oito necessidades diferentes que, quando satisfeitas, impulsionam seu crescimento. O desafio está em equilibrar produção, demanda e expansão da rede, criando um ecossistema onde decisões logísticas afetam diretamente o desenvolvimento urbano.
Por que A-Train foca no crescimento das cidades ao redor das linhas de trem?
Segundo a equipe da Artdink, a ideia nasceu de um experimento interno: ao fazer os trens operarem, o mapa começou a ganhar “tempo” e, eventualmente, casas surgiam espontaneamente ao redor das estações. Esse fenômeno inesperado inspirou o conceito de que a própria presença da ferrovia gera demanda e, consequentemente, desenvolvimento urbano.
Como a série Transport Fever evoluiu desde Train Fever?
Nico Heini conta que o ponto de partida foi um projeto universitário sobre simulação de crescimento urbano. A partir daí, a equipe decidiu criar um jogo que combinasse trens, caminhões e, gradualmente, outros modos de transporte. Cada nova edição ampliou o escopo, adicionando navios, aviões e recursos como ciclos dia‑noite e clima dinâmico.
Quais são as principais diferenças entre o foco da série A-Train e o de Transport Fever?
A‑Train concentra‑se quase que exclusivamente na gestão ferroviária e no efeito que as linhas têm sobre a formação de cidades. Transport Fever, por outro lado, oferece uma experiência mais ampla, permitindo ao jogador construir redes multimodais (estrada, mar, ar) e gerenciar cadeias de suprimentos complexas.
O que os desenvolvedores acham da infraestrutura ferroviária da Suíça?
Nico destaca que a Suíça possui um dos sistemas mais integrados do mundo, combinando trens, ônibus, barcos e teleféricos em uma rede sincronizada. Ele descreve o horário como “relógio suíço”, onde os trens chegam alguns minutos antes da hora cheia, facilitando conexões rápidas.
Como o Japão desenvolve comunidades ao redor das linhas ferroviárias?
A equipe da Artdink menciona o caso de Ichizo Kobayashi, fundador da Hankyu Railway, que construiu linhas em áreas ainda vazias e, em seguida, desenvolveu lojas, teatros e residências ao redor, criando demanda própria para seus serviços.
Quais foram os maiores desafios técnicos ao reproduzir o sistema ferroviário japonês em A-Train?
Manter os horários rigorosamente precisos foi o ponto mais crítico. Qualquer desvio pequeno pode gerar frustração nos jogadores, exigindo testes intensivos a cada atualização para garantir que os dados salvos permanecem sincronizados.
Transport Fever 3 recebeu muitas wishlists. Por que a série tem tanto sucesso?
- Foco em qualidade ao invés de grandes campanhas publicitárias.
- Comunidade ativa, com suporte a mods que prolongam a vida útil do jogo.
- Abordagem “fácil de aprender, difícil de dominar”, que atrai tanto iniciantes quanto veteranos.
Como as equipes pensam em tornar os jogos mais acessíveis ao público ocidental?
Ambas as empresas investem em traduções de qualidade e em incluir veículos de diferentes regiões (EUA, Europa, Ásia). A presença de linguagem alemã em Transport Fever 3 e a ideia de inserir trens europeus em A‑Train são exemplos de estratégias para ampliar o apelo internacional.
Existe a possibilidade de A-Train chegar a consoles da Nintendo no futuro?
Nico admite que ainda não há planos concretos, mas não descarta um eventual port, especialmente após o sucesso das versões para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Quais novidades traz A-Train 9 PRIME LINE?
A nova edição, lançada no Steam em 10 de dezembro, permite curvas mais suaves, personalização visual dos trilhos e suporte ao idioma inglês desde o primeiro dia. O jogo expande a liberdade criativa dos jogadores, mantendo a essência de gerenciamento ferroviário da série.
Como a pesquisa de regiões diferentes foi feita para Transport Fever 3?
A equipe conta com colaboradores de várias partes do mundo, incluindo ex‑modders que trazem conhecimento aprofundado sobre ferrovias locais. Além disso, foram realizados testes beta fechados com participantes distribuídos globalmente para recolher feedback específico de cada região.
Qual a mensagem final dos desenvolvedores para a comunidade?
Nico reforça que o objetivo principal foi tornar Transport Fever 3 mais acessível, mantendo a profundidade que os fãs esperam. A Artdink, por sua vez, agradece o apoio da comunidade e incentiva os jogadores a adicionarem o título à lista de desejos para demonstrar interesse em futuras localizações.
O que falta saber
Transport Fever 3 já está disponível para PC (Steam, Epic Games Store, GOG), PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A‑Train 9 PRIME LINE chega ao Steam em 10 de dezembro, com suporte ao idioma inglês e melhorias significativas na construção de trilhos. Fique de olho nas próximas atualizações e nas possíveis versões para consoles Nintendo, que ainda não foram confirmadas.


