TL;DR: touhou project completa 20 anos, consolida seu legado em games, música e memes, e recebe o remake oficial de embodiment of scarlet devil para plataformas modernas.
O que aconteceu
Em 16 de junho de 2026, a coluna "This Week in Anime" publicou um debate sobre a influência duradoura de Touhou Project — a franquia de shooters bullet hell criada por ZUN (Jun'ya Ota) sob o selo team shanghai alice. O ponto central foi o anúncio oficial da versão remasterizada de Embodiment of Scarlet Devil (EoSD), o primeiro título da série a ser lançado oficialmente em consoles de última geração com tradução completa para o inglês.O remake inclui suporte a 4K, modos de dificuldade ajustáveis e um pacote de áudio remasterizado que preserva as composições originais de ZUN. A Steam Store já exibe o jogo com classificação "Mature 17+" e indica disponibilidade para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. Ainda não há confirmação de preço, mas a prática de lançamentos recentes sugere faixa entre US$ 19,99 e US$ 24,99.
Além do anúncio, a conversa abordou como Touhou permeou outras mídias: fan‑art, remixes musicais (IOSYS, bkub), memes como "Bad Apple!!" e a popularização dos fumo plushies. Também foram citados exemplos de criadores que iniciaram suas carreiras em doujinshi de Touhou, como Nio Nakatani, autora de Bloom Into You, e Toby Fox, criador de Undertale.
Como chegamos aqui
O primeiro título da série, Highly Responsive to Prayers, foi lançado em 1996 para o PC‑98. Em 2002, ZUN lançou Embodiment of Scarlet Devil para Windows, marcando a transição da série para o mercado mainstream. O jogo introduziu personagens icônicas — Reimu Hakurei, Marisa Kirisame, Sakuya Izayoi — e estabeleceu o padrão de design de spell cards, que são padrões de balas programados para desafiar reflexos dos jogadores.
Desde então, a franquia evoluiu com 20 títulos principais, além de spin‑offs desenvolvidos por studios como Twilight Frontier (ex.: Immaterial and Missing Power, Eternal Fighter Zero). A estratégia de ZUN de liberar o código fonte sob licenças permissivas fomentou um ecossistema de fangames, resultando em centenas de projetos distribuídos via Steam, itch.io e consoles retro.
- 2004 – Perfect Cherry Blossom amplia a narrativa de Gensokyo.
- 2007 – Mountain of Faith introduz mecânicas de spell card dinâmicas.
- 2010 – Ten Desires traz o primeiro modo "story" completo.
- 2015 – Hopeless Masquerade marca a primeira parceria oficial com a Nintendo, embora sem lançamento fora do Japão.
- 2022 – Touhou Kinjoukyou: Fossilized Wonders gera controvérsia ao usar IA para backgrounds de spell cards.
Paralelamente, a música de Touhou tornou‑se um pilar da cultura internet. Remixes como "U.N. Owen was Her?" (tema de Flandre) ganharam milhões de visualizações no YouTube, enquanto círculos como IOSYS produziram álbuns completos de arranjos eletrônicos. O meme "Bad Apple!!" — vídeo em silhueta sincronizado ao tema de Lotus Land — foi citado como um dos maiores sucessos virais da década, sendo re‑interpretado em centenas de variações, incluindo versões de realidade aumentada.
Os fumo plushies — bonecos de pelúcia de personagens de Touhou — também se consolidaram como itens de colecionador, com lançamentos oficiais pela Good Smile Company e versões não oficiais vendidas em convenções como Comiket. A popularidade desses produtos gerou um ciclo de retroalimentação: mais fãs compram merch, mais conteúdo é criado, e a franquia ganha visibilidade em nichos como gacha games e visual novels.
O que vem depois
Com o remake de EoSD, a expectativa é que novos jogadores descubram a série pela primeira vez, impulsionando vendas digitais e físicas. A Steam já lista mais de 5.000 avaliações positivas, indicando uma base de fãs ainda ativa. Além disso, a ausência de um aviso de uso de IA no remake sugere que ZUN pode estar revisitando sua postura sobre geração automática de arte, possivelmente adotando práticas mais transparentes.
Do ponto de vista de desenvolvimento, a comunidade doujin continua a produzir projetos em diversas vertentes: RPGs (ex.: Touhou Luna Nights), metroidvanias (Touhou Lost Word) e mesmo títulos de realidade virtual. A abertura de APIs de música de Touhou para uso em jogos independentes pode ampliar ainda mais o alcance da trilha sonora original.
Na esfera cultural, espera‑se que eventos como a Comic Con de São Paulo (CCXP) apresentem painéis dedicados a Touhou, com convidados como ZUN (se houver viagem internacional) ou representantes de studios de fan‑art. A presença de Touhou em plataformas de streaming (Crunchyroll, YouTube) também pode crescer, especialmente com legendas em português, facilitando a descoberta por parte do público brasileiro.
Para ficar no radar
Os próximos passos a observar incluem:
- Data oficial de lançamento do remake em consoles (esperada para Q4 2026).
- Possível inclusão de DLCs que adicionem novos personagens ou spell cards.
- Reações da comunidade quanto ao uso de IA em futuros títulos da franquia.
- Expansão de merchandising oficial no Brasil, especialmente fumo plushies e figures.
- Novas colaborações com desenvolvedores indie para títulos VR e mobile.
Enquanto a franquia celebra duas décadas, sua capacidade de se reinventar — de shooters bullet hell a memes virais — demonstra a força de um modelo de produção baseado em doujin. O futuro de Touhou parece garantir mais lançamentos, mais remixes e, inevitavelmente, mais discussões acaloradas nos fóruns de fãs.


