O diretor e roteirista japonês Toshio Masuda faleceu aos 98 anos em 26 de agosto de 2026, vítima de causas naturais. A notícia foi confirmada pelos jornais Mainichi Shimbun e Yomiuri Shimbun, e a Associação do Japan Academy Film Prize publicou condolências oficiais. Masuda deixa um legado de 82 filmes dirigidos, incluindo a co-direção das sequências japonesas do clássico de guerra Tora! Tora! Tora! (1970) e a supervisão de roteiro e direção de praticamente toda a franquia space battleship yamato entre os anos 70 e 2009.
Os 7 marcos que definem a carreira de Toshio Masuda
- Estreia na Nikkatsu com Kokoro to Nikutai no Tabi (1958) — Após passar pela Shintoho, Masuda entrou na Nikkatsu em 1954 e estreou na direção quatro anos depois. O filme marcou o início de uma parceria prolífica com o estúdio, onde ele se tornaria um dos pilares da "era de ouro" do cinema de ação japonês.
- Trilogia de filmes noir na Nikkatsu: rusty knife, red handkerchief e red quay — Esses títulos consolidaram Masuda como mestre do ninkyo eiga (filmes de yakuza com código de honra) e do thriller policial estilizado. A estética visual seca e a tensão narrativa desses trabalhos influenciaram diretores posteriores como Takashi Miike.
- Co-direção das cenas japonesas de Tora! Tora! Tora! (1970) — Provavelmente seu trabalho mais conhecido fora do Japão. Masuda dividiu a direção com Kinji Fukasaku e Toshio Masuda (sim, ele mesmo) para retratar o lado japonês do ataque a Pearl Harbor. A produção é referência até hoje em filmes de guerra pela precisão técnica e equilíbrio narrativo entre os dois lados do conflito.
- Supervisão de roteiro e direção da série star blazers (1974) — Conhecida no Japão como Uchuu Senkan Yamato, a série de TV revolucionou o anime de ficção científica com narrativa serializada e temas maduros. Masuda supervisionou os roteiros, garantindo coesão ao arco da viagem da Yamato para salvar a Terra.
- Direção dos filmes de compilação e continuações de Yamato (1977–1983) — Masuda dirigiu o filme compilatório de 1977, co-dirigiu e roteirizou Farewell to Space Battleship Yamato (1978), Space Battleship Yamato: The New Voyage (1979) e Be Forever Yamato (1980). Fechou o ciclo clássico como supervisor-chefe e roteirista de Final Yamato (1983), dando um desfecho épico à tripulação.
- Projetos de ficção científica paralelos: Future War Year 198X e Odin: Starlight Mutiny — Em 1982, co-dirigiu o filme que imaginava uma Terceira Guerra Mundial nuclear. Em 1985, assumiu como diretor-chefe e roteirista de Odin, space opera ambiciosa sobre a primeira viagem interestelar da humanidade. Ambos mostram sua obsessão por escala cósmica e dilemas éticos.
- Retorno à franquia com Space Battleship Yamato Resurrection (2009) — Aos 81 anos, Masuda voltou como supervisor-geral do filme que reviveu a Yamato para nova geração. O longa arrecadou bem nas bilheterias japonesas e provou que sua visão para a franquia continuava afiada mesmo após décadas.
Prêmios e reconhecimentos que marcaram a trajetória
Masuda não foi apenas prolífico — foi premiado consistentemente. Recebeu indicações ao prêmio de Melhor Diretor no Japan Academy Film Prize por The Battle of Port Arthur (4ª edição) e Company Executives (13ª edição). Em 1993, ganhou a Medalha de Honra com Fita Roxa, condecoração do governo japonês por contribuições culturais. Em 1999, recebeu a Ordem do Tesouro Sagrado, Raios Dourados com Roseta. Em 2018, aos 90 anos, foi homenageado com o Prêmio de Serviço Distinto do Presidente na 41ª edição do Japan Academy Prize, selando o reconhecimento da indústria por sua carreira de "artesão entre artesãos", como a imprensa especializada o descrevia.
Por que Masuda importa para o fã de anime moderno
Se você assiste Yamato 2199, 2202 ou 2205, está vendo uma herança direta das decisões narrativas que Masuda tomou nos anos 70. A estrutura de "viagem de ida e volta com custo emocional", o peso do comando militar, a humanização do inimigo (os Gamilas) — tudo isso nasceu na sala de roteiro onde ele supervisionava cada episódio. Diretores como Yutaka Izubuchi e Nobuyoshi Habara, responsáveis pelos remakes recentes, citam Masuda como referência fundamental. Fora do anime, seu trabalho em Tora! Tora! Tora! é estudado em escolas de cinema como exemplo de co-produção internacional que respeita a perspectiva do "outro lado".
O ranking pode mudar
- A filmografia de 82 títulos ainda tem obras pouco vistas no Ocidente — futuras restaurações podem revelar joias escondidas.
- O impacto de Odin: Starlight Mutiny na estética de hard sci-fi anime merece reavaliação com lançamentos em blu-ray remasterizado.
- Estudantes de roteiro de anime deveriam assistir à série original de 1974 com o comentário de Masuda (disponível em edições japonesas) — é aula de pacing e construção de arco de 26 episódios.


