Tony Todd recebeu cerca de US$23 mil ao negociar um bônus de US$1.000 por cada picada de abelha na icônica cena de Candyman (1992). O acordo, feito antes das filmagens, transformou o sofrimento em um lucro inesperado.
O que aconteceu
Em 16 de outubro de 1992, Candyman estreou nos cinemas como um thriller de terror que misturava lenda urbana e crítica social. O filme conta a história de Daniel Robitaille — interpretado por Tony Todd — um artista afro‑americano do século XIX que, após ser brutalmente assassinado, retorna como um espírito vingativo coberto de mel e guiado por abelhas.
Para tornar a cena em que as abelhas saem da boca de Todd realmente assustadora, a produção trouxe colônias reais de abelhas ao set. O diretor Bernard Rose e a equipe sabiam que a sequência era arriscada, mas decidiram que o efeito prático seria mais impactante que efeitos digitais.
Consciente do risco, Todd negociou um contrato especial: receberia US$1.000 a cada picada que sofresse. O número exato de picadas varia nas entrevistas — ele menciona 23 picadas ao The Guardian e 27 ao Entertainment Tonight — mas o valor total ficou em torno de US$23 mil, um “bônus” que ele descreveu como “colocar um casaco bonito”.
Como chegamos aqui
A prática de incluir cláusulas de risco nos contratos de atores não é nova em Hollywood, mas o caso de Todd destaca como um acordo bem pensado pode virar uma curiosidade histórica. Enquanto Harrison Ford teve que adiar a produção de Star Wars: O Despertar da Força por causa de um ferimento, e Tom Cruise quebrou o tornozelo em Missão Impossível – Fallout sem atrasar o lançamento, Tony Todd transformou a dor em um ganho extra.
Alguns pontos que explicam a negociação:
- Risco reconhecido: a produção sabia que usar abelhas reais era perigoso.
- Compensação direta: ao invés de um pagamento único, o bônus por picada foi acordado.
- Segurança mínima: foi usado um “dental dam” para impedir que as abelhas entrassem muito fundo na boca.
- Impacto na performance: Todd afirmou que aceitar a dor fez a cena mais autêntica.
O número de abelhas no set tem versões divergentes: Entertainment Tonight citou 200 000, enquanto outras fontes falam de 27 a 23. Independentemente da contagem, a taxa de picadas foi baixa, mas o pagamento por cada uma gerou o valor final mencionado.
O que vem depois
O legado de Candyman ultrapassou o sucesso modesto de 1992. Embora as duas sequências dos anos 90 não tenham atingido a mesma popularidade, o filme se consolidou como um clássico cult, influenciando diretores como Nia DaCosta e Jordan Peele, que relançaram a franquia em 2021.
A participação de Todd no reboot foi confirmada, embora limitada. Na cena final, ele reaparece como o próprio Candyman, reforçando sua importância simbólica para a saga.
Infelizmente, o ator faleceu em 6 de novembro de 2024. Seu último trabalho foi em Final Destination Bloodlines (2025), onde interpretou William Bludworth. A morte de Todd trouxe ainda mais atenção ao seu papel em Candyman, transformando a história da negociação das picadas em um capítulo memorável da história do cinema de terror.
Datas e o que vem depois
Com a morte de Tony Todd, a comunidade de horror tem celebrado sua contribuição ao gênero. Eventos como a CCXP 2025 dedicaram painéis à sua carreira, e colecionáveis de edição limitada foram lançados em sua homenagem.
O reboot de 2021 ainda gera discussões sobre possíveis sequências. Enquanto os produtores ainda não confirmaram novos projetos, a presença de Todd na mitologia do Candyman garante que seu legado continuará a inspirar diretores e fãs por muitos anos.


