TL;DR: Tomb Raider: Legacy of Atlantis traz Lara Croft de volta ao clássico de 1996 com gráficos de Unreal Engine 5, mas ainda deixa a desejar em controles de grappling e salto.
Por que Legacy of Atlantis pode ser a salvação da franquia?
Trinta anos depois da estreia de Tomb Raider nos consoles da era 32‑bits, a série ainda luta para encontrar um ritmo que agrade tanto veteranos quanto novatos. A resposta da Crystal Dynamics — em parceria com Flying Wild Hog — é um remake completo, reconstruído do zero no Unreal Engine 5, que promete combinar a nostalgia da história original com as conveniências modernas.
- Gráficos de última geração – O motor UE5 entrega iluminação global e texturas de alta resolução que transformam a selva peruana em um verdadeiro espetáculo visual. Cada pedra, cada folha parece respirar, algo que os jogos de 1996 jamais poderiam imaginar.
- IA ainda um mistério – A desenvolvedora revelou que utilizou "uma quantidade desconhecida de IA" para gerar assets e animações. Embora isso acelere a produção, a falta de transparência pode gerar desconfiança entre os fãs mais críticos.
- Jogabilidade revisitada – O demo mostra puzzles clássicos, como o mecanismo de engrenagens de Qualopec, mas com trilhas de exploração mais claras, reduzindo a frustração de quem se perde em labirintos sem fim.
- Combate modernizado – Lara volta a usar suas icônicas pistolas duplas, agora com um medidor de foco que permite entrar em bullet‑time. Isso traz um ritmo mais arcade, porém ainda fiel ao espírito de ação‑aventura da série.
- Dinosauros com penas – Os velociraptores foram redesenhados segundo descobertas paleontológicas recentes, acrescentando plumas e tornando a batalha visualmente mais interessante — um detalhe que gera debates entre puristas de Jurassic Park.
Quais são os principais problemas que ainda precisam de polimento?
Mesmo com tantos pontos positivos, o demo deixa claro que a jornada ainda tem obstáculos. A experiência de jogar é marcada por alguns tropeços que podem afastar jogadores mais exigentes.
- Grappling impreciso – O sistema de gancho exige que a câmera esteja exatamente voltada para o ponto de ancoragem, o que gera movimentos forçados e muitas quedas desnecessárias.
- Saltos desconexos – A mecânica de pulo ainda parece “pesada”, dificultando transições suaves entre plataformas e diminuindo a sensação de agilidade que Lara sempre teve.
- Puzzles lineares demais – Embora a clareza ajude novatos, a falta de múltiplas soluções faz o jogo parecer guiado demais, tirando a sensação de descoberta que marcou os primeiros títulos.
- Tempo de carregamento – Mesmo com UE5, as áreas abertas ainda apresentam pequenas pausas, o que pode quebrar a imersão em sequências de ação intensas.
Como Legacy of Atlantis se posiciona frente aos últimos lançamentos da franquia?
Comparado à trilogia Survivor (2018‑2020), que adotou um tom mais sombrio e realista, Legacy of Atlantis volta a cores mais vibrantes e a uma jogabilidade mais “arcade”. Essa mudança pode ser vista como um aceno ao público que prefere a leveza dos primeiros jogos, mas também corre o risco de alienar quem já se acostumou ao estilo mais sério da era recente.
Além disso, o título parece se inspirar em Tomb Raider: Anniversary (2007) ao reutilizar puzzles clássicos, porém adiciona mecânicas de combate mais refinadas. O resultado é um híbrido que ainda não encontrou seu equilíbrio definitivo.
O que a comunidade está dizendo sobre o demo?
Durante o Summer Game Fest, jogadores relataram tempos médios de 30‑45 minutos para concluir a missão demo, com a maioria completando em cerca de 35 minutos. Comentários positivos destacam a ambientação e a fidelidade aos momentos icônicos, enquanto críticas recorrentes apontam para a frustração do grappling e a sensação de linearidade excessiva.
"É ótimo reviver a primeira aventura, mas a câmera ainda parece um inimigo", escreveu um usuário no fórum oficial.
Onde isso pode dar?
Se a Crystal Dynamics conseguir ajustar as mecânicas de movimento e oferecer mais liberdade nas soluções de puzzles, Legacy of Atlantis tem potencial para se tornar o ponto de partida ideal para novos fãs, ao mesmo tempo em que satisfaz a nostalgia dos veteranos. Caso contrário, o título pode ser visto como mais um remake “pouco polido”, que não consegue justificar seu preço e esforço de desenvolvimento.
O futuro da franquia depende de ouvir essas críticas e transformar os pontos fracos em oportunidades de inovação. Afinal, a série já sobreviveu a três décadas; cabe agora decidir se ela evolui ou se repete.
A escolha da redação
Nosso veredito: Legacy of Atlantis chega como uma promessa brilhante, mas ainda precisa de ajustes críticos antes do lançamento final. Se você é fã de longa data, vale a pena experimentar o demo e acompanhar as próximas atualizações. Se ainda não conhece Lara Croft, talvez seja melhor esperar por uma versão mais refinada.


