Tojima Wants to Be a Kamen Rider: afinal, a reta final entrega?
Se você estava acompanhando a jornada de Tojima, sabe que a segunda metade do anime — compreendida entre os episódios 15 e 24 — não veio para brincadeira. Esqueça aquele ritmo episódico inicial; aqui, a trama se fecha em um arco único e focado, onde a organização vilanesca Shocker (a clássica antagonista de Kamen Rider) decide que a dominação mundial passa, acredite se quiser, pela indústria de idols japonesas. O Bat Man, o vilão da vez, não quer apenas recrutar soldados; ele quer transformar o entretenimento pop em uma máquina de conversão para seu exército.
O que torna essa fase final tão interessante é o contraste. Enquanto a premissa parece um delírio campy saído direto de um programa infantil dos anos 70, o anime tem a coragem de jogar sério. Temos cenas genuinamente tensas, com consequências reais para os personagens, o que eleva o peso das batalhas. Não é apenas sobre socar monstros; é sobre o desespero de quem tenta sobreviver a um esquema que parece imbatível.
O poder da obsessão e o fator humano
O grande trunfo de Tojima Wants to Be a Kamen Rider é explorar o que significa ser um fã. A série trata a "obsessão" não como algo puramente negativo, mas como o combustível que leva esses personagens comuns a tentarem alcançar o impossível: o manto de um herói de tokusatsu. A mensagem central é clara: o amor pelo que você faz — e pelo que você admira — é o que te faz romper limites.
- A força do coletivo: Os protagonistas começam a série como lobos solitários, cada um em sua própria bolha de treinamento. A virada de chave acontece quando eles param de agir como "o herói da própria história" e começam a operar como um time.
- Design de som impecável: A trilha sonora, assinada por TeddyLoid, mistura elementos clássicos da franquia Kamen Rider com uma pegada moderna que faz cada combate soar épico.
- Visual visceral: A animação não economiza no peso dos golpes. Cada soco e chute passa a sensação de que, se acertar, o estrago é permanente.
Comparativo: O que esperar dessa reta final?
| Aspecto | Destaque |
|---|---|
| Narrativa | Focada, tensa e com um arco de conclusão satisfatório. |
| Ação | Coreografias pesadas e efeitos sonoros nostálgicos. |
| Desenvolvimento | Dá tempo de tela para coadjuvantes brilharem. |
O único ponto que pode dividir a audiência é o humor. Se você não é fã daquela comédia um pouco mais escrachada típica de animes de nicho, algumas piadas podem soar deslocadas em meio ao tom sério da trama. No entanto, para quem já está imerso no universo otaku e entende as referências, o equilíbrio entre o ridículo e o épico funciona como uma luva.
Pra cada perfil, um vencedor
A pergunta de um milhão de reais: vale a pena investir seu tempo aqui? A resposta depende do seu nível de "nerdice" com o gênero tokusatsu.
Para o fã de Tokusatsu: É um prato cheio. As referências, os efeitos sonoros e a homenagem constante à franquia Kamen Rider são feitos com um carinho que poucas obras conseguem replicar. Você vai se sentir em casa.
Para quem busca um bom anime de ação: Mesmo que você não saiba nada sobre a história dos Riders, o desenvolvimento de personagem e a qualidade técnica da animação sustentam a experiência. É uma história sobre superação que funciona por si só.
Para quem prefere tramas realistas e sombrias: Talvez o tom meio "acampamento de heróis" te afaste um pouco. Mas, se der uma chance, a exploração psicológica sobre o controle mental e a obsessão pode te surpreender positivamente.
O veredito
Tojima Wants to Be a Kamen Rider termina sua jornada com uma nota alta. Ele entrega uma conclusão que honra a trajetória dos personagens, provando que, quando você coloca paixão no que faz — seja salvando o mundo ou apenas tentando ser o herói que sempre admirou —, o resultado final é memorável.
Se você busca um anime que mistura coração, porradaria e uma dose saudável de metalinguagem, pode dar o play sem medo. É uma daquelas obras que, mesmo com seus tropeços cômicos, deixa um gostinho de "quero mais" e uma vontade de sair por aí combatendo o mal (ou, no mínimo, batendo em algumas árvores na floresta, estilo Tojima).


