O Time Twist: Rekishi no Katasumi de…, aquele jogo de 1991 do famicom disk system que a Nintendo prefere fingir que não existe, finalmente ganhou uma tradução de fãs para o inglês — e o melhor: zero IA, tudo na mão mesmo. O projeto permite que a gente finalmente entenda por que esse título é considerado um dos mais insanos já aprovados pela Big N, com direito a temas pesadões, participação do Miyamoto (que depois pediu pra tirar o nome dos créditos) e trilha do compositor de Star Fox.
O que é Time Twist: Rekishi no Katasumi de…?
Lançado em 1991 pro Famicom Disk System — aquele periférico de disquete do NES que só existiu no Japão —, Time Twist é uma aventura point-and-click com visual novel que passa longe do Mario salvando a Peach. A premissa é você controlar um garoto cuja alma foi separada do corpo por um demônio, viajando pela história humana possuindo corpos de figuras históricas pra recuperar sua alma. Até aí ok, né? Só que o roteiro passa por crucificação de Jesus, campos de concentração nazistas, bomba atômica em Hiroshima e por aí vai. É o tipo de jogo que faz você perguntar "quem aprovou isso?" enquanto joga.
Quem fez esse jogo maluco da Nintendo?
A desenvolvimento foi uma parceria entre a Nintendo (via seu time R&D) e a Pax Softnica, um estúdio terceirizado que ajudou em vários jogos internos da época, tipo Famicom Detective Club e Mother 3 (o protótipo do N64). Quem assina roteiro e direção é Keiji Terui, e a trilha sonora fica por conta de Hajime Hirasawa, o mesmo cara que depois compôs pro Star Fox no Super Nintendo. Ou seja: tinha talento de sobra por trás da cortina.
Por que o nome do Miyamoto foi removido dos créditos?
Segundo o TCRF (The Cutting Room Floor), o Shigeru Miyamoto deu pitacos ocasionais durante o desenvolvimento, mas o nome dele foi scrubbed — apagado mesmo — da versão final. A teoria mais aceita é que ele não quis associar a imagem dele (e da Nintendo) a um jogo que trata de religião, nazismo e suicídio de forma tão direta num console "família". Faz sentido: imagina o pai do Mario explicando pro jornalista por que o novo jogo da Nintendo deixa você possuir o corpo de Hitler. Melhor tirar o nome e vazar quietinho.
Como funciona a nova tradução de fãs?
A tradução foi anunciada pelo site Time Extension e o grande barato é que é 100% feita por humanos, sem usar ferramentas de IA generativa. Quem já tentou jogar ROM hackeado com tradução de Google Tradutor sabe o desastre que fica: texto estourando caixa, termos inconsistentes, piadas perdidas. Essa aqui respeita o script original, os ponteiros de texto do disquete e até as limitações de caracteres do hardware. O patch roda no hardware original (se você tiver um FDS e um flashcart tipo fdsstick) e em emuladores como Mesen ou Nestopia.
O que torna Time Twist tão "fora da curva" pro catálogo da Nintendo?
- Temas adultos num console "para crianças": religião, guerra, genocídio, existencialismo.
- Mecânica de possessão: você não joga com um herói fixo, assume corpos de pessoas reais da história.
- Final múltiplo e sombrio: não espere final feliz padrão Nintendo.
- Trilha assinada por Hajime Hirasawa: antes de Star Fox, ele já fazia magia sonora no chip de áudio do FDS (aquele canal extra de wavetable).
Dá pra jogar no switch ou no Nintendo Switch Online?
Não. A Nintendo nunca relançou Time Twist oficialmente — nem no Virtual Console do Wii/wii u, nem no Nintendo Switch Online. O jogo ficou preso no Japão, no disquete, por mais de 30 anos. A única forma de jogar em inglês hoje é aplicando o patch IPS na ROM original (que você precisa dumpar do seu próprio disquete, combinado? wink wink) e rodar via emulador ou flashcart. Não tem versão oficial, não tem eShop, não tem remaster. É preservação de fã pra fã mesmo.
Vale a pena jogar Time Twist em 2024?
Se você curte história dos games, jogos "kusoge" cult ou quer ver até onde a Nintendo já deixou o barco ir na era 8-bit, sim. É um documento histórico jogável: mostra uma Nintendo disposta a bancar roteiro pesado, mecânica estranha e estética sombria num hardware proprietário que já tava morrendo. Agora, se você quer gameplay refinado, puzzles justos ou qualidade de vida moderna... passa longe. O jogo tem lógica de aventura antiga: "use item X no pixel Y senão trava". Paciência é item obrigatório no inventário.
Datas e o que vem depois
O patch de tradução já está disponível nos fóruns de romhacking (Romhacking.net, GitHub do grupo responsável) e roda em qualquer emulador decente de Famicom Disk System. Não há previsão de atualização com legendas em português — quem quiser pode se voluntariar pra portar, mas é texto pra caramba. A comunidade segue catalogando diferenças entre as versões de disquete (houve reimpressão com pequenos fixes) e documentando o conteúdo cortado. Se você sempre quis ver o jogo que fez o Miyamoto pedir "tira meu nome daí", a hora é agora. Só não vem chorar nos comentários se o final te deixar deprimido, combinado?


