O que aconteceu
A nostalgia dos arcades dos anos 90 acaba de ganhar um novo capítulo nos consoles da Sony. Time Crisis, o lendário rail shooter (jogo de tiro sobre trilhos onde o movimento do personagem é automático) da Bandai Namco, foi relançado para PS5 e PS4. O grande desafio dessa conversão, realizada pela empresa de emulação Implicit Conversions, era transpor a experiência da GunCon — a pistola de luz que era o padrão ouro para esse tipo de jogo — para um controle moderno que não possui tecnologia de sensores de luz infravermelha.
A solução encontrada foi utilizar o giroscópio integrado ao dualsense. Ao inclinar o controle, o jogador move uma mira pela tela, simulando o ato de apontar para os inimigos. Embora a sensação tátil não seja idêntica ao peso e ao gatilho de uma arma real, o sistema permite que a jogabilidade clássica seja aproveitada sem a necessidade de periféricos obsoletos.
Como chegamos aqui
Historicamente, títulos como Time Crisis e seus rivais, como Virtua Cop da SEGA, dependiam de televisores de tubo (CRT) para funcionar corretamente com suas pistolas de luz. Com a transição para telas LCD e OLED, essa tecnologia tornou-se incompatível, deixando uma lacuna na preservação desses clássicos.
A nova versão para os consoles atuais tenta equilibrar acessibilidade e fidelidade. O mapeamento padrão dos botões coloca a mecânica de "pedal" — essencial na franquia para se esconder e recarregar — no botão R1, enquanto o disparo é realizado no botão Círculo. Para quem sente falta do controle tradicional, a opção de jogar via D-pad ainda existe, embora seja considerada pouco intuitiva para a velocidade frenética do jogo.
Entre os pontos de destaque desta versão, podemos listar:
- Uso do Giroscópio: Uma tentativa engenhosa de manter a imersão de mira em telas modernas.
- Botão de Re-centralização: O uso do botão Triângulo permite corrigir o drift (desvio) do giroscópio rapidamente durante o combate.
- Seleção de Versão: O jogo permite escolher entre a edição NTSC (mais fluida) e a PAL, preservando a escolha do usuário.
- Conteúdo Extra: A versão de PS1 incluída oferece estágios adicionais que não estavam presentes no arcade original, aumentando o fator replay.
Apesar do esforço, a ausência de suporte a Troféus é um ponto negativo notável, algo que tem sido uma tendência frustrante nos relançamentos de clássicos pela Bandai Namco. Além disso, a precisão do giroscópio, embora funcional, exige uma curva de aprendizado para que o jogador se sinta confortável em disparos de longa distância.
O que vem depois
O sucesso desta implementação abre portas para que outros títulos icônicos do gênero recebam tratamentos semelhantes. A comunidade de fãs já começa a especular sobre quais seriam os próximos passos da publisher para o catálogo retro:
- Point Blank: Outro clássico da Namco que se beneficiaria imensamente dessa tecnologia de mira por movimento.
- Resident Evil: Dead Aim: Um título que mistura exploração com tiroteio e que seria um excelente teste para a precisão do DualSense.
- Sequências de Time Crisis: A expectativa é que os demais capítulos da franquia sigam o mesmo caminho, consolidando o PS5 como uma plataforma de preservação para jogos de pistola.
O que falta saber
Até o momento, a Bandai Namco não confirmou planos para lançar periféricos de terceiros que simulem pistolas de luz modernas para o PS5, nem a adição de suporte a troféus em atualizações futuras. O título já está disponível na PlayStation Store e faz parte do catálogo do serviço PS Plus Premium.
Para os puristas, nada substituirá a GunCon original e uma TV de tubo, mas para quem busca reviver a adrenalina de Time Crisis com a conveniência da era moderna, a implementação atual é um passo na direção certa. Resta saber se o suporte ao giroscópio será aprimorado com patches de sensibilidade ou se o modelo atual será o padrão para os próximos lançamentos da linha de clássicos.


