O filme The Uprising estreou nos cinemas em 11 de setembro de 2026, prometendo revelar a origem do lendário Robin Hood. Na prática, a produção entrega uma experiência lenta, visualmente desconfortável e sem profundidade histórica.
TL;DR: ‘The Uprising’ tenta reinventar Robin Hood, mas falha miseravelmente por direção inadequada, roteiro raso e falta de conexão com o contexto da Revolta dos Camponeses.
Por que 'The Uprising' decepciona?
- Direção de Paul Greengrass fora de sintonia com o período. O estilo handheld, típico dos filmes de espionagem da franquia Bourne, domina a narrativa, gerando tremores de câmera que tiram a imersão de um drama histórico. Em vez de criar tensão, as constantes sacudidas atrapalham a clareza das cenas de batalha e dos diálogos.
- Roteiro que pula o primeiro ato. Nos primeiros dez minutos o filme já estabelece a crise, a morte da família de Andrew Garfield (o "Ploughman") e o estopim da revolta, deixando pouco espaço para desenvolvimento de personagens. Essa compressão resulta em uma história que parece já ter sido contada antes de realmente começar.
- Personagens de papelão. Ao lado de Garfield, os coadjuvantes – o frade John Ball (Jamie Bell), o rebelde Wat Tyler (Cosmo Jarvis) e a freira Alyce (Thomasin McKenzie) – são apresentados como estereótipos sem camadas. Até o rei Richard II (Woody Norman) e sua mãe, a Condessa (Katherine Waterston), permanecem figuras decorativas que nunca evoluem.
- Falta de escala épica. Apesar da ambição de rivalizar com "Spartacus" ou "Gladiator", o filme foi filmado como se fosse um documentário de baixo orçamento. Close-ups excessivos e enquadramentos apertados impedem que o espectador perceba a magnitude das revoltas camponesas, reduzindo exércitos inteiros a grupos indistintos.
- Desinteresse pelo contexto histórico. O longa aborda a Revolta dos Camponeses de 1381, mas oferece apenas comentários rasos sobre a desigualdade e a peste negra. Não há exploração das causas políticas ou sociais, nem de como o mito de Robin Hood poderia ter surgido nesse cenário.
- Estética visual apagada. Paleta de cores lavada, iluminação cinzenta e cenários enevoados criam uma atmosfera monótona que combina com o ritmo arrastado. Em vez de usar a estética para reforçar o clima de opressão, ela apenas deixa tudo sem vida.
- Ritmo inflado a 127 minutos. O tempo de execução ultrapassa o necessário, já que a trama não tem subtramas relevantes para sustentar a duração. Cada cena parece alongada, tornando a experiência cansativa para o público que espera ação ou drama intenso.
Estilo visual: o handheld que não encaixa
Greengrass traz seu DNA de câmera tremida, mas o efeito funciona melhor em contextos modernos e urbanos, onde o caos visual reforça a urgência. Em um drama medieval, a técnica cria mais confusão do que tensão, afastando o espectador da ambientação da Inglaterra pós-peste.
Roteiro: onde está a profundidade?
Além de acelerar o início, o script falha ao conectar a jornada de Garfield com a mitologia de Robin Hood. O filme menciona que o personagem pode ter inspirado o lendário arqueiro, mas nunca desenvolve essa ideia, deixando-a como um mero subtexto descartável.
Atuações: talento desperdiçado
Andrew Garfield, conhecido por performances intensas, entrega uma interpretação contida que não consegue brilhar em meio ao caos técnico. Os demais atores, embora competentes, são limitados por diálogos superficiais e direção que não lhes dá espaço para explorar nuances.
Comparação com outras adaptações de Robin Hood
Se compararmos com "The Death of Robin Hood" (2026) de Michael Sarnoski, que trouxe uma abordagem revisionista e coesa, "The Uprising" parece um experimento falho. Enquanto Sarnoski conseguiu equilibrar ação e contexto histórico, Greengrass acabou preso ao seu próprio estilo, sacrificando a narrativa.
O que poderia ter sido diferente?
- Adotar uma cinematografia mais clássica, com planos abertos para mostrar a escala da revolta.
- Desenvolver o arco de Garfield, permitindo que o público sinta sua transformação de camponês a líder.
- Inserir diálogos que explorem a política da época, oferecendo um paralelo mais rico entre a lenda de Robin Hood e a realidade social.
- Reduzir o tempo de tela, cortando cenas redundantes que não avançam a trama.
O veredito
Com nota 4 de 10, "The Uprising" falha em entregar o que prometeu: uma origem convincente para Robin Hood e um retrato cativante da Revolta dos Camponeses. O filme pode até ter boas intenções, mas a execução descompassa, resultando em uma experiência morna e esquecível.
Para ficar no radar
Se você ainda pretende assistir, vá preparado para um longo passeio por um cenário histórico que não se destaca visualmente e um roteiro que não oferece surpresas. Talvez valha mais buscar outras versões de Robin Hood que realmente explorem a lenda ou a história da Inglaterra medieval.


