TL;DR: A banda japonesa THE SIXTH LIE revelou, em entrevista na Japan Expo Paris, como adaptou seu som "future rock" para as músicas de Golden Kamuy e A Certain Scientific Accelerator, misturando influências Ainu, rock dos anos 2000 e sua própria identidade sonora.
Quem são Arata e Reiji da banda THE SIXTH LIE?
Arata‑san, vocalista, e Reiji‑san, guitarrista e tecladista, formam o núcleo criativo da THE SIXTH LIE, um grupo conhecido por combinar elementos eletrônicos e rock pesado. A dupla ganhou notoriedade ao produzir temas para animes, destacando‑se pela capacidade de alternar entre sons futuristas e riffs mais tradicionais, dependendo da narrativa que acompanha.
Como a banda adaptou seu som "future rock" para Golden Kamuy?
Golden Kamuy, ambientado no pós‑Guerra Russo‑Japonesa, exige uma trilha sonora que evoque a dureza da época. Reiji‑san explicou que, para "Hibana", a banda "se afastou" da parte eletrônica, privilegiando guitarras mais pesadas e batidas marcantes, de forma a refletir a brutalidade da caça ao ouro. Arata‑san acrescentou que o sucesso da faixa no exterior surpreendeu a todos, mostrando que o rock tradicional ainda tem apelo global.
Qual a influência da cultura Ainu nas músicas "Hibana" e "Yuusetsu"?
Ambas as canções carregam a filosofia Ainu de que tudo possui um espírito. Reiji‑san contou que, ao aprender sobre essa crença, a banda passou a tratar seus instrumentos com mais reverência, quase como se fossem objetos sagrados. Essa atitude se traduziu em arranjos mais cuidadosos e em letras que valorizam a conexão entre homem e natureza.
Por que "Hibana" soa como abertura apesar de ser tema de encerramento?
Normalmente, aberturas são enérgicas e marcantes, enquanto encerramentos têm um tom mais contemplativo. A THE SIXTH LIE deliberadamente quebrou essa regra, usando a mesma energia de uma abertura para criar um encerramento que deixa o espectador com a sensação de ainda estar em movimento. "Queríamos que a música fosse um ponto de partida para a reflexão, não um ponto final", afirmam os músicos.
Como a banda incorporou sua identidade em "Shadow is the Light" de Accelerator?
Ao trabalhar no tema de A Certain Scientific Accelerator, a dupla se deparou com um universo já estabelecido. Reiji‑san descreve o processo como "uma fusão entre o som característico da série e a assinatura da THE SIXTH LIE". O título, sugerido por Ray, reflete a dualidade humana – luz e sombra – que permeia o personagem Accelerator.
Quais são as inspirações ocidentais da banda e futuros projetos de crossovers?
A banda não esconde sua admiração por grupos como Linkin Park, cujas combinações de rap, rock e eletrônica abriram caminho para o estilo da THE SIXTH LIE. Em entrevista, Arata‑san revelou duas ideias de crossovers que ainda não foram confirmadas:
- Um mashup de "Akira" com a energia de "Hibana".
- Um cover de uma faixa de "Cyberpunk: Edgerunners", aproveitando a conexão de Chikahiro Kobayashi com ambos os projetos.
Ambas as propostas mostram a vontade da banda de transitar entre mídias, reforçando seu papel de ponte entre o anime e a cultura pop ocidental.
Onde isso pode dar?
O maior risco da THE SIXTH LIE é se tornar um "coringa" musical, tentando agradar a todos os nichos. Contudo, a coragem de sair da zona de conforto – trocando o som eletrônico por riffs pesados quando a história pede – demonstra que a banda tem visão de longo prazo. Se continuarem a explorar culturas como a Ainu e a combinar suas raízes com referências globais, podem se tornar referência permanente nas trilhas sonoras de animes, não apenas como convidados, mas como criadores de identidade sonora.
O que falta saber
Embora a entrevista tenha revelado muito sobre o processo criativo, ainda não há confirmação de novas colaborações ou datas de lançamentos. O próximo passo da THE SIXTH LIE pode ser um álbum próprio que consolide essas influências, ou mais temas para séries ainda não anunciadas. Fique de olho nas próximas edições da Japan Expo e nos canais oficiais da banda para não perder nenhum detalhe.


