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Cinema e Series

The Running Man (1987) e o remake de 2025: por que falharam

· · 3 min de leitura
Homem suado correndo em esteira, vestindo roupa de treino neon, com fones de ouvido e garrafa d'água ao lado
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TL;DR: O filme de 1987 com Arnold Schwarzenegger e o remake de 2025 não conseguiram traduzir a crítica social de Stephen King, transformando a história em um típico blockbuster de ação.

O que aconteceu?

Em 1987, o diretor Paul Michael Glaser — conhecido por Starsky & Hutch — trouxe para as telas The Running Man, adaptando o romance distópico de Stephen King (publicado sob o pseudônimo Richard Bachman). O enredo gira em torno de um reality show mortal onde criminosos são caçados por assassinos contratados. Arnold Schwarzenegger interpreta Ben Richards, um policial inocente que se vê forçado a participar.

Quatro décadas depois, Edgar Wright dirigiu o remake estrelado por Glen Powell. A nova produção tentou ser mais fiel ao livro, mas acabou lançando num mercado saturado de anti‑heróis vingativos.

Como chegamos aqui?

A primeira adaptação já começou com o pé esquerdo. Enquanto o livro de King mergulha em críticas ácidas à desigualdade social e ao sensacionalismo da TV, o filme de 1987 transformou tudo em um espetáculo de músculos e explosões. A escolha de fazer de Richards um herói nacional, ao invés de um mártir rebelde que explode a sede da emissora, suavizou a mensagem original.

Alguns fatores contribuíram para esse desvio:

  • Expectativas de bilheteria: Nos anos 80, o público esperava ação pura de Schwarzenegger; nuance política ficou em segundo plano.
  • Direção de Glaser: Sem experiência em sci‑fi distópico, o diretor acabou priorizando sequências de perseguição ao estilo Death Race 2000.
  • Roteiro simplificado: A complexidade da crítica de King foi reduzida a frases de efeito como "não confie na TV".

Quando o remake chegou em 2025, o panorama cultural já havia mudado. Filmes como Parasite, Joker e séries como Squid Game já haviam esgotado o tropeço do anti‑herói vingativo contra a elite. O público, então, exigia algo mais inovador. Apesar de Wright ter mantido a estrutura do livro — Richards pobre, motivado pela necessidade de alimentar sua família —, a narrativa ainda soou como mais do mesmo.

Além disso, o remake sofreu de overexposição: trailers, entrevistas e memes já revelavam a maioria das reviravoltas, tirando o elemento surpresa que poderia ter salvado a obra.

O que vem depois?

Com duas versões que não honraram a essência da obra, a pergunta que fica é: haverá um terceiro esforço? Enquanto isso, a literatura de King continua viva em formatos digitais, e fãs ainda recomendam a leitura para quem quer entender a crítica original.

Para quem ainda tem curiosidade, vale analisar o que funcionou em outras adaptações de King, como It (2017) e Doctor Sleep (2022), que souberam equilibrar horror, comentário social e entretenimento.

Para ficar no radar

Se você é do time que curte revisitar clássicos, aqui vão algumas dicas de onde procurar:

  1. Versão original de 1987 em plataformas de streaming que ainda mantêm o catálogo de filmes dos anos 80.
  2. Remake de 2025 em serviços que oferecem catálogos de lançamentos recentes; atenção às edições de colecionador com comentários do diretor.
  3. Livro de Stephen King — a edição de capa dura de 1982 ainda está em circulação e traz notas do autor que ajudam a contextualizar a trama.

Enquanto isso, continue acompanhando nosso portal para análises de outras adaptações que acertaram (ou não) o ponto da obra original.

O veredito

Em resumo, The Running Man tanto na versão de 1987 quanto na de 2025 acabou se tornando mais um filme de ação genérico do que uma crítica afiada à sociedade de consumo. A lição? Quando se trata de adaptar literatura distópica, cortar a mensagem política pode ser tão perigoso quanto perder a ação.

Perguntas frequentes

Qual a principal diferença entre o filme de 1987 e o remake de 2025?
O remake tenta ser mais fiel ao livro, mantendo a motivação econômica de Richards, enquanto o original transforma o protagonista em um herói nacional sem a crítica de classe.
O livro de Stephen King tem final diferente dos filmes?
Sim, no romance Richards explode a sede da TV em um ato de suicídio coletivo, enquanto os filmes encerram com vitória do protagonista.
Vale a pena ler o livro ao invés assistir aos filmes?
Com certeza. O livro preserva a sátira social e oferece detalhes que as adaptações cinematográficas deixaram de lado.
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