O filme The New Mutants estreou em 28 de agosto de 2020, encerrando a saga dos x‑men produzida pela 20th Century Fox e marcando a primeira grande produção da marvel sob o guarda‑chuva da Disney.
FATO
Direto da visão de Josh Boone — que co‑escreveu o roteiro com Knate Lee — o longa tentou reinventar o spin‑off dos mutantes como um horror de prisão psiquiátrica. A produção começou em 2015, passou por cinco datas de estreia diferentes e só chegou aos cinemas depois que a Disney concluiu a aquisição da Fox, atrasando o projeto que inicialmente teria sido lançado em abril de 2018. Sem a chance de refilmagens ou pickups, o filme chegou ao público com a mesma filmagem de 2017, apresentando incoerências de tom entre o marketing de horror e a posterior ênfase em origem de super‑herói. A crítica foi severa (36 % no Rotten Tomatoes e 43/100 no Metacritic) e a bilheteria ficou aquém: US$ 49,2 mi arrecadados contra um orçamento de US$ 67 mi. Hoje, The New Mutants está disponível no Disney+.
Contexto: por que importa
Para entender a repercussão, é preciso lembrar que a franquia X‑Men começou em 2000 com X‑Men, trazendo ao grande público os mutantes de Chris Claremont e a química entre Patrick Stewart e Ian McKellen. Após sucessos como X‑Men 2, a série sofreu com X‑Men: The Last Stand, que dividiu fãs ao matar personagens principais e encerrar arcos sem aprofundamento. A partir daí, a Fox oscilou entre acertos (Days of Future Past, Logan) e fracassos (X‑Men Origins: Wolverine, Dark Phoenix), criando um clima de instabilidade. The New Mutants chegou como a última tentativa de fechar a linha, mas acabou sendo sabotado pela própria mudança de controle corporativo.
Além do aspecto comercial, o filme trouxe uma proposta ousada: dividir a saga em sub‑gêneros de horror, inspirada nos quadrinhos de Bill Sienkiewicz dos anos 80. Essa abordagem poderia ter renovado a narrativa dos mutantes, explorando traumas de exclusão e medo de ser diferente — temas caros ao público geek brasileiro, que valoriza representatividade e histórias mais sombrias. Contudo, a falta de recursos para refazer cenas após a fusão impediu que a visão de Boone fosse plenamente realizada.
Reação dos fas/mercado
Os críticos foram implacáveis, refletindo a confusão tonal do filme. O Rotten Tomatoes registrou apenas 36 % de aprovação, enquanto o Metacritic apontou 43/100, indicando avaliações medianas. No Brasil, a comunidade de fãs dividiu‑se: alguns defendem o filme como “cult” por seu visual gótico e pela tentativa de inovar, enquanto outros o consideram o ponto mais fraco da franquia, comparando‑o desfavoravelmente a Logan e Deadpool.
Nas redes, hashtags como #TheNewMutants e #MutantRedemption ganharam tração, sobretudo após o lançamento na Disney+, que permitiu que novos espectadores — especialmente os mais jovens — assistissem ao filme sem o peso das expectativas de bilheteria. Comentários de fãs ressaltam que, apesar das falhas, a obra ainda oferece momentos de horror genuíno e um olhar diferente sobre a marginalização dos mutantes.
Do ponto de vista de mercado, o fracasso financeiro reforçou a decisão da Disney de reiniciar a franquia X‑Men dentro do MCU, ao invés de tentar revitalizar a linha já desgastada da Fox. O investimento agora está direcionado a um novo filme, previsto para 2028, que contará com um elenco inteiramente novo (Sadie Sink, Kit Connor, Samara Weaving, Christopher Abbott, Inde Navarrette, Maya Boyd e Adam Driver), deixando o futuro dos personagens de The New Mutants em aberto.
O que esperar
Com a confirmação de um filme dos mutantes no MCU — dirigido por Jake Schreier e previsto para 2028 — a expectativa é de que a Marvel aproveite o potencial horror‑gótico de The New Mutants sem repetir os mesmos erros de produção. Há rumores de que personagens como Illya Rasputin (interpretada por Anya Taylor‑Joy), Sam Guthrie (Charlie Heaton) e Danielle Moonstar (Blu Hunt) possam ser reintroduzidos, mas ainda não há confirmação oficial. O principal obstáculo será a necessidade de alinhar o tom: o MCU já provou que horror pode funcionar (Doctor Strange in the Multiverse of Madness), mas tende a equilibrar com humor e ação, o que pode diluir a atmosfera claustrofóbica que Boone buscava.
Para o público brasileiro, a grande questão é se a nova fase trará representatividade e histórias que dialoguem com a realidade social — algo que o horror de The New Mutants tentou, ainda que de forma incompleta. Enquanto isso, o filme continua sendo um ponto de referência para debates sobre identidade, exclusão e a capacidade da Marvel de inovar fora dos padrões de super‑herói.
Para ficar no radar
- Streaming: The New Mutants já está disponível no Disney+; vale revisitar para analisar detalhes perdidos na estreia.
- Próximo reboot: Marvel Studios planeja o filme dos X‑Men para 2028, com elenco jovem e direção de Jake Schreier.
- Possíveis retornos: embora não confirmados, nomes como Illya Rasputin, Sam Guthrie e Danielle Moonstar são citados como candidatos a aparecer na nova fase.
- Impacto cultural: a discussão sobre horror mutante ainda influencia podcasts, fóruns e canais de YouTube brasileiros que analisam representatividade nos super‑heróis.
- Expectativa de tom: fãs esperam que o MCU consiga equilibrar horror e esperança, evitando os tropeços de identidade que marcaram The New Mutants.


