TL;DR: The Musketeer chegou às telas quatro dias antes dos ataques de 11 de setembro, foi duramente criticado e, 25 anos depois, ainda figura nas listas dos piores épicos de aventura.
O que aconteceu
Em 7 de setembro de 2001, a Universal lançou The Musketeer, um remake da clássica história de Alexandre Dumas, mas com um tempero inesperado: artes marciais de Hong Kong. O diretor Peter Hyams apostou em wire‑fu, lutas coreografadas por Xin‑Xin Xiong (que já tinha trabalhado com Tsui Hark) e um visual que lembrava Crouching Tiger, Hidden Dragon. O protagonista, d'Artagnan, foi interpretado por Justin Chambers – então modelo e ator de TV que buscava seu grande salto.
O filme também trouxe nomes como Mena Suvari (na pele de Francesca), Tim Roth como o vilão “Man in Black”, Stephen Rea como o Cardeal Richelieu, Catherine Deneuve como a rainha e um trio de musketeers interpretado por Jan‑Gregor Kremp (Athos), Steve Speirs (Porthos) e Nick Moran (Aramis). A ideia era clara: misturar a elegância da esgrima francesa com a energia explosiva das coreografias de kung fu.
Mas a estreia coincidiu com o clima de tensão que antecedia o 11 de setembro. Poucos foram ao cinema, e quem foi, encontrou um filme que mais parecia um experimento falho do que uma aventura épica. A crítica foi implacável, com exceção curiosa de Roger Ebert, que deu duas e meia estrelas – a nota mais alta que ainda indicava “não recomendado”. Ele elogiou a cena em que d'Artagnan balança de um gancho numa torre, lutando enquanto se equilibra sobre barris, mas destacou que, fora isso, a narrativa e a fotografia eram sombras confusas.
Como chegamos aqui
A produção tentou capitalizar o sucesso de Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000) e The Matrix (1999), trazendo um visual que parecia mais um filme de artes marciais do que uma adaptação duma obra do século XIX. No entanto, a execução deixou a desejar:
- Roteiro frouxo: a trama se afasta do livro, introduzindo vilões anacrônicos como o “Man in Black” e trocando a relação de d'Artagnan com Constance por um romance com Francesca, muito mais jovem que ele.
- Fotografia escura: cenas de ação, apesar de bem coreografadas, eram quase invisíveis devido à iluminação sombria.
- Falta de identidade: o filme não sabia se queria ser um clássico de capa e espada ou um espetáculo de wire‑fu, resultando em uma identidade diluída.
Além disso, a ausência de personagens icônicos como Milady de Winter — a favorita de muitos leitores — deixou um vazio notório. Mesmo com um elenco de peso, a produção não conseguiu transformar o material em algo memorável. O box‑office refletiu o fracasso: o filme mal pagou seus custos e rapidamente desapareceu das bilheterias.
Para Justin Chambers, o desastre acabou sendo apenas um tropeço. Alguns anos depois, ele encontrou seu papel de destaque como Dr. Alex Karev em Grey's Anatomy, garantindo que o fiasco não arruinasse sua carreira. Mena Suvari, Tim Roth e os demais continuaram suas trajetórias, mas o filme ficou marcado como um exemplo de “o que não fazer” ao adaptar clássicos.
O que vem depois
Vinte e cinco anos depois, The Musketeer sobrevive principalmente como curiosidade em listas de “pior filme de aventura” e como referência para quem estuda adaptações desastrosas. Ele aparece em retrospectivas de sites de cinema, podcasts de cultura pop e, ocasionalmente, em memes que brincam com a ideia de “barril de ação”. O que mudou?
Primeiro, o contexto histórico: o lançamento próximo ao 11 de setembro fez com que o filme fosse quase invisível na época, mas também o tornou parte de um “momento cultural” que poucos lembram. Segundo, a crítica evoluiu; hoje, críticos analisam o filme não só pela qualidade, mas como um caso de estudo sobre a mistura forçada de gêneros. Por fim, o público nostálgico de 2020‑2026 tem um gosto mais refinado para adaptações, o que deixa The Musketeer ainda mais distante de ser reavaliado de forma positiva.
Se alguém ainda quiser conferir, o filme está disponível em plataformas de streaming, mas a recomendação geral continua: assista apenas se quiser entender como um projeto ambicioso pode se perder no meio do caminho.
Para ficar no radar
Embora não haja planos de reboot ou edição especial, The Musketeer pode ressurgir em discussões sobre adaptações de literatura clássica. Festivais de cinema de nicho às vezes exibem “piores filmes” como curiosidade, e o título pode aparecer em maratonas de “filmes que ninguém entende”. Além disso, a presença de atores como Tim Roth e Catherine Deneuve garante que o filme ainda será mencionado quando se falar sobre as carreiras deles.
Para quem curte analisar falhas, vale a pena observar como a escolha de um coreógrafo de wuxia não se traduziu em uma experiência coesa. E, claro, se quiser um meme pronto: “Quando você tenta misturar espada francesa com kung fu e só sai um monte de barris rolando”.
“There are barrels in this movie. So many barrels they supply the leit‑motif, as they roll, thunder, spill, explode, and impede.” – Roger Ebert (paráfrase)
Em suma, The Musketeer continua sendo um lembrete de que, às vezes, menos é mais – e que nem todo experimento cinematográfico merece ser revivido.


