O reboot-sequência de A Múmia está confirmado para 2027 com Brendan Fraser e Rachel Weisz de volta aos papéis de Rick O'Connell e Evelyn Carnahan. A notícia reacendeu a discussão sobre quais outros filmes da mesma era — ação, aventura, humor e terror na medida — merecem uma nova chance nos cinemas.
O 13º Guerreiro: Vikings, neblina e uma ameaça que vem das sombras
Lançado em 1999, O 13º Guerreiro adapta Eaters of the Dead de Michael Crichton — uma releitura de Beowulf — e segue Ahmed Ibn Fahdlan (Antonio Banderas), um emissário árabe exilado que se junta a guerreiros nórdicos contra os Wendol, criaturas que atacam à noite e devoram suas vítimas. O filme flertou com o terror, mas ficou preso no rótulo de "ação histórica".
Um reboot hoje poderia abraçar de vez o lado folk horror: a investigação de uma ameaça que parece sobrenatural, a revelação gradual da verdade por trás da lenda, e o choque cultural entre o protagonista racionalista e a mentalidade viking. O cenário — fiordes, neblina, vilas de madeira — já entrega atmosfera de sobra. Faltou, na versão original, o equilíbrio que A Múmia acertou: carisma do elenco, alívio cômico na dose certa e um vilão com presença física marcante.
Salomão Kane: Fantasia sombria com protagonista amaldiçoado
Criado por Robert E. Howard (o mesmo de Conan), Salomão Kane chegou aos cinemas em 2009 com James Purefoy no papel-título. A premissa é forte: um mercenário brutal descobre que sua alma está condenada e tenta se redimir, mas forças demoníacas o arrastam de volta à violência. Era para ser trilogia; o fracasso de bilheteria matou a franquia no nascedouro.
O DNA está todo lá: espadas, feitiçaria, cultos, criaturas grotescas e um herói falho, carismático e moralmente cinzento — exatamente o molde de Rick O'Connell. Um reboot bem-sucedido precisaria investir no peso da culpa do protagonista e na mitologia bizarra de Howard, sem suavizar o tom para agradar plateias amplas. O potencial de escala O Senhor dos Anéis existe no material original; basta um diretor que entenda dark fantasy como gênero, não como estética.
O Segredo do Abismo: A Múmia no mar, pelo mesmo diretor
Stephen Sommers dirigiu tanto A Múmia (1999) quanto O Segredo do Abismo (1998). A estrutura é quase idêntica: grupo heterogêneo em local isolado (navio de luxo no meio do oceano), criatura antiga acordada por ganância, humor irreverente, mortes gráficas e final aberto para continuação. O elenco — Treat Williams, Famke Janssen, Kevin J. O'Connor — tem química, mas o roteiro hesita entre Alien e aventura blockbuster.
Hoje, com efeitos práticos valorizados novamente e o sucesso de terror em espaços confinados (Alien: Romulus, O Poço), um reboot poderia corrigir os erros: dar personalidade distinta a cada tripulante, construir tensão antes de mostrar o monstro, e manter o gore sem virar paródia. O final original — os sobreviventes numa ilha com rugidos na floresta — continua sendo uma promessa não cumprida.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
- Quer o mais próximo da fórmula original: O Segredo do Abismo — mesmo diretor, mesma estrutura, mesmo espírito. Só precisa de execução moderna.
- Prefere mitologia profunda e protagonista complexo: Salomão Kane — tem o material de origem mais rico (Robert E. Howard) e um herói com arco de redenção genuíno.
- Busca atmosfera única e terror folk: O 13º Guerreiro — o cenário viking + neblina + criaturas noturnas entrega algo que nenhum outro blockbuster recente tentou de verdade.
Pra cada perfil, um vencedor
Se a Universal e a Blumhouse — parceiras no novo A Múmia — olharem para o catálogo com olhos de franquia, os três têm caminho. O Segredo do Abismo é a aposta mais segura: prova de conceito já testada, diretor disponível (Sommers produziu o reboot de A Múmia), e final em aberto gritando por continuação. Salomão Kane exige mais ousadia tonal, mas pode virar a Game of Thrones dos filmes de ação-terror se acertarem o tom. O 13º Guerreiro é o azarão: precisa de roteirista que entenda terror histórico sem cair em clichê de "vikings genéricos".
O fã brasileiro que cresceu alugando VHS na Blockbuster sabe: esses filmes não são "clássicos esquecidos". São promessas que a tecnologia e o mercado da época não souberam cumprir. O reboot de A Múmia em 2027 será o termômetro. Se funcionar, a porta abre. A pergunta não é "se", mas "qual estreia primeiro".


