Kenji Tanigaki, diretor de "The Furious", revelou em entrevista exclusiva os 7 elementos que tornaram a luta final do filme uma das mais inovadoras e complexas da história recente do cinema de ação.
Quais são os 7 segredos que fizeram da luta final de "The Furious" um marco?
- Uso de artes marciais autênticas – Cada personagem utiliza o estilo de luta que lhe é próprio: Wang Wei (Xie Miao) pratica wushu chinês, Joe Taslim traz judo, Yayan Ruhian incorpora pencak silat indonésio e o elenco de apoio inclui técnicas de muay thai tailandês. Essa diversidade garante movimentos genuínos e evita repetições genéricas.
- Integração da cultura local – Tanigaki enfatiza que a coreografia parte das raízes culturais dos atores. O cenário de Bangkok, a presença de equipes de stunt tailandesas e a ambientação em mercados e ruas estreitas criam um contexto que reforça a autenticidade das sequências.
- Humor como contrapeso à violência – Apesar da intensidade dos golpes, o diretor inseriu momentos cômicos – como a luta envolvendo um bicicleta como escudo – para aliviar a tensão e gerar contraste visual, seguindo sua filosofia de "violência estilizada, mas divertida".
- Complexidade coreográfica – A cena final envolve cinco combatentes simultâneos, com trocas de posição a cada poucos segundos. Tanigaki descreve o processo como "extremamente complicado", exigindo 18 noites de filmagem e um rigoroso cronograma de ensaios que evitou a memorização mecânica dos movimentos.
- Colaboração estreita entre diretor e coreógrafo – Kensuke Sonomura, responsável pela coreografia, trabalhou em sintonia com Tanigaki, compartilhando a mesma escola de ação, mas trazendo estilos diferentes. Essa parceria permitiu a criação de sequências híbridas que misturam rapidez, força e precisão.
- Repetição mínima de movimentos – Cada personagem tem um repertório exclusivo, evitando a sensação de "cópia e cola" comum em filmes de ação. A variação inclui golpes de perna, uso de objetos improvisados (como a bicicleta) e até sequências de gelo que geram efeitos visuais inesperados.
- Desafios logísticos e humanos – A produção enfrentou fadiga extrema, pois a equipe trabalhou longas horas nas noites finais. Tanigaki destaca que o esforço coletivo – atores, stuntmen e equipe técnica – foi decisivo para concluir a coreografia sem comprometer a qualidade.
Como a preparação dos atores influenciou a qualidade da luta?
Tanigaki afirma que não há "filosofia" fixa; o foco está na história e no caráter dos personagens. Os atores, já treinados em suas respectivas artes marciais, começaram os ensaios diretamente nos movimentos completos, sem etapas de "golpes lentos". Essa abordagem reduziu o tempo de preparação e aumentou a naturalidade dos combates.
Qual o papel do humor na construção da narrativa?
O diretor admite não ser fã de violência excessiva. Por isso, inseriu situações como o combate sobre gelo que se fragmenta e a bicicleta usada como arma improvisada. Esses elementos criam alívios cômicos que mantêm o público engajado sem perder a intensidade da ação.
O que torna a cena final tão desafiadora tecnicamente?
A complexidade reside na simultaneidade de múltiplas linhas de combate, na necessidade de coordenar luzes, câmeras e efeitos práticos (como o gelo quebrando) e na exaustão da equipe. Cada tomada exigiu reajustes finos para garantir continuidade e segurança, sobretudo nos momentos em que os atores estavam literalmente presos uns aos outros.
Onde a colaboração internacional fez a diferença?
Além da equipe tailandesa de stunt, o filme contou com consultores de artes marciais de diferentes países. Essa rede de especialistas permitiu a inserção de técnicas raras e a adaptação de coreografias a ambientes reais, como mercados de Bangkok e rooftops urbanos, aumentando a credibilidade visual.
O veredito
A luta final de "The Furious" demonstra que a combinação de autenticidade marcial, humor calculado e colaboração multicultural pode elevar o padrão das sequências de ação. Mesmo com desafios logísticos, o resultado entrega ao espectador uma experiência visceral e inovadora, confirmando a ambição do diretor de superar o legado de filmes como "Ong‑Bak" e "The Raid".
"Nossa barra está mais alta porque transformamos palavras e movimentos em algo único, sem depender de explosões de carro ou helicópteros." – Kenji Tanigaki
FAQs
- Qual foi a maior dificuldade na coreografia da luta final? A simultaneidade de cinco combatentes, a necessidade de 18 noites de filmagem e a exaustão da equipe, que exigiu ajustes constantes para manter a segurança e a fluidez.
- Os atores já eram especialistas em artes marciais? Sim. Xie Miao domina wushu, Joe Taslim tem background em judo e Yayan Ruhian é mestre em pencak silat, o que permitiu iniciar os ensaios diretamente nos movimentos completos.
- Por que a bicicleta foi incluída na cena? O roteirista sugeriu usar a bicicleta como "almofada" e arma improvisada, criando um momento inesperado que combina ação e humor.
Com esses sete segredos, "The Furious" estabelece um novo patamar para coreografias de ação, provando que inovação e respeito às raízes culturais podem coexistir em um espetáculo cinematográfico.


