TL;DR: O episodio 7 de The Elusive Samurai (anime baseado no mangá de Yusei Matsui) é praticamente um one-man show do tio Yasuie Hojo, novo personagem caricato do clã Hojo. A crítica especializada aponta que a comédia exagerada comprometeu o ritmo da segunda parte — a temporada já passou da metade e a rebelião de Tokiyuki ainda não emplacou uma vitória de peso.
Do que se trata The Elusive Samurai (e por que a T2 incomoda)
The Elusive Samurai — também creditado pelo título japonês Nige Jouzu no Wakagimi — é um shounen de comédia e ação que reconta a fuga do shogun infantil Tokiyuki após a queda do governo Ashikaga, no fim do período Muromachi. A primeira temporada funcionou bem porque equilibrava piadas nonsense com a brutalidade política da época. Na T2, disponível na Crunchyroll, esse equilíbrio está desajustado: o autor da resenha original reclama que, mesmo após a batalha multiepisódio do arco anterior, o saldo foi um shrug coletivo e um We'll get 'em next time! que soa mais a adiamento do que a escalonamento de stakes.
O que acontece no episodio 7
A abertura inteira é dedicada a apresentar Yasuie Hojo, tio de Tokiyuki e figura historicamente conhecida por sobreviver a duas transições políticas no Japão medieval. Na adaptação, ele é desenhado com cabeça alongada estilo Conehead e hiraganas mutantes na testa que mudam para refletir o que ele pensa em tempo real. A trilha sonora assume um tom circense — bells, tubas e percussão vaudeville — do tipo que convida comparação com O Brother, Where Art Thou? e os Soggy Bottom Boys.
Fora isso, o episodio também entrega uma cena de ação com Genba, personagem subutilizado até aqui, enfrentando um grupo de shinobi Tengu ameaçadores. É a parte em que o fandom enxerga sinal verde: Genba finalmente aparece como combatente competente, não só como parceiro cômico de Tokiyuki.
Ritmo: o problema central da T2
A crítica é direta. A T1 mantinha uma sensação constante de progresso: cada arco trazia vitória pequena ou custo emocional real, mesmo quando o tom era bobo. A T2 vive de hangouts — Fubuki comilão, garotas planejando compras em Quioto, Tokiyuki meio à deriva — sem mover o ponteiro central da revolta. Em sete episodios, ainda faltam vitórias concretas. Genba brigando com Tengu é o tipo de cena que deveria ter aparecido três ou quatro semanas atrás, não agora que o relógio corre.
"For Tokiyuki's story to have real weight, I need to be convinced that we're meant to care about the cost and consequences of his rebellion at least some of the time."
Yasuie Hojo: piada demais ou aposta de longo prazo?
A intenção narrativa é clara: destacar como um figurão historico real sobreviveu ao caos escapando para o conflito seguinte. O problema é de execução. Yasuie cospe ranho como gimmick visual, tem design grotesco e rouba tempo de tela que a rebelião precisaria. O autor da resenha original resume bem a sensação: o elenco já é um carro lotado de palhaços mortais; enfiar mais um Bozo na cabine do motorista pode ter passado do ponto.
- Personagem historicamente relevante, mas que aqui funciona mais como gag do que como ameaça ou mentor.
- O visual "Conehead + hiragana mutante" entrega a piada em três segundos e não evolui.
- Tom circense afasta a T2 do que fazia a premissa funcionar: comédia entre massacres, não comédia no lugar dos massacres.
Genba, Fubuki e o elenco de apoio
Genba foi tratado como personagem secundário decorativo na maior parte da T2 — aparecia para soltar piada e desaparecer. A cena contra os Tengu finalmente devolve a ele o que o design sugere: um trapaceiro rápido e letal. É um voto de confiança que o fandom vinha pedindo. Fubuki, por outro lado, segue restrito ao arco cômico da comida, o que é gostoso de assistir mas pesa quando falta tempo de tela para a ameaça principal.
Onde a T2 precisa chegar nos proximos episodios
Considerando o que o conteudo-base sinaliza (estamos no ep 7 de um total que a fonte não confirma), a T2 tem uma janela curta para recolocar peso na narrativa. Os pontos que ficaram em aberto e que precisam de resposta:
- Consequencias reais para a rebelião de Tokiyuki — não só promessa de que virão.
- Espaço de volta para o elenco jovem como combatente, não só como comediante.
- Posicionamento de Yasuie: ele vira antagonista, aliado instavel ou neutro historico?
- Stakes claras em Kyo, onde parte do elenco já está operando.
Veredito: vale continuar acompanhando?
Quem gostou da T1 pelo equilíbrio entre comédia absurda e tensão politica vai, no minimo, ressentir a T2 neste ponto. Quem entrou no anime só pelo humor de Tokiyuki escapando de tudo provavelmente continua se divertindo — Yasuie entrega exatamente o tipo de gag que esse publico quer. A nota publica da comunidade no episodio 7 ficou em 3.8, e a resenha original atribui nota abaixo do meio da escala, indicando que a recepção não é unanimidade calorosa. O veredito, portanto, é de paciencia condicional: vale continuar, mas a temporada precisa pagar a dívida narrativa nos proximos episodios.
Comparativo rapido: T1 vs T2 de The Elusive Samurai
| Aspecto | Temporada 1 | Temporada 2 (até ep 7) |
|---|---|---|
| Tom | Comedia entre massacres | Comedia no lugar dos massacres |
| Avanço da revolta | Vitorias pequenas constantes | Empate vago após arco principal |
| Elenco de apoio | Atuante em acao e humor | Subutilizado fora do humor |
| Novos personagens | Gags com peso narrativo | Yasuie tende a gag puro |
| Recepção da comunidade | Favoravel | 3.8 no ep 7 — oscilando |
O que vale ficar de olho ate o final da temporada
Para o fã brasileiro que está acompanhando pelo simulcast na Crunchyroll, o filtro prático é simples: se os proximos episodios devolverem peso à rebelião e Genba continuar recebendo espaço de combate, a T2 se justifica. Se Yasuie dominar o tom e a comédia seguir comendo a tensão, é sinal de que o anime está repetindo a piada até ela parar de fazer rir. The Elusive Samurai ainda tem munição historica e de elenco para fechar bem — só precisa decidir se quer voltar a ser o shounen equilibradissimo da T1 ou se vai apostar mesmo no circo.


