O desfecho de The Boys e o subaproveitamento de Gen V
O encerramento de The Boys — a série satírica de super-heróis do Prime Video — entregou o que muitos fãs esperavam: um fim visceral para o Capitão Pátria (Antony Starr) e o desfecho trágico e fiel aos quadrinhos para Billy Bruto (Karl Urban). No entanto, entre a catarse do confronto final, a produção tropeçou feio ao lidar com o legado de Gen V, o spin-off universitário que expandiu o universo da Vought. Com a notícia do cancelamento de Gen V após sua segunda temporada, a participação relâmpago dos estudantes da Universidade Godolkin no final da série principal soa não apenas como uma oportunidade perdida, mas como um desrespeito ao desenvolvimento narrativo desses personagens.
Onde Marie Moreau e seus amigos foram deixados de lado?
A aparição de Marie Moreau (Jazz Sinclair), Jordan Li (London Thor/Derek Luh) e Emma Meyer (Lizze Broadway) nos dez minutos iniciais do episódio final é, no mínimo, frustrante. Em vez de serem integrados à resistência contra a Vought, o trio é reduzido a uma função logística: transportar sobreviventes para o Canadá. Annie January (Erin Moriarty), a Starlight, decide que o combate é perigoso demais para eles, invalidando o status de "escolhidos" que Gen V construiu com tanto esforço ao longo de suas temporadas.
- Descaracterização: Marie, que passou por um treinamento intenso e provou ser uma força da natureza, é tratada como uma civil comum, ignorando sua sede de justiça.
- Potencial desperdiçado: O trio possui habilidades únicas que poderiam ter sido cruciais para distrações ou ataques táticos durante a infiltração na Casa Branca.
- Closure inexistente: A conversa entre Annie e Marie, embora emocionante, parece um roteiro que esperava uma terceira temporada de Gen V que nunca virá, deixando o arco de Marie sem um fechamento digno.
Não se trata de exigir que os alunos de Godolkin derrotassem o Capitão Pátria — esse papel pertencia, de fato, ao grupo de Bruto. Contudo, relegar personagens que foram o coração de uma série própria a meros figurantes em uma missão de evacuação é um erro de roteiro que diminui a escala do conflito. Se o objetivo era mostrar a nova geração assumindo o manto da resistência, a execução falhou em dar a eles um momento de brilho que justificasse sua presença no clímax da saga.
A Vought sobrevive ao Capitão Pátria
O final de The Boys nos lembra de uma verdade incômoda: a Vought não é uma empresa de super-heróis, mas uma gigante farmacêutica e de propaganda. Com Stan Edgar (Giancarlo Esposito) retomando o comando, a estrutura de poder que criou monstros como o Capitão Pátria permanece intacta. É aqui que a ausência de Marie e seu grupo dói mais: eles são as vítimas diretas das atrocidades da Vought e os únicos capazes de desmantelar o sistema por dentro, não apenas combatendo o "herói" da vez, mas a ideologia que o sustenta.
"Marie teve uma jornada de heroína sem uma recompensa significativa, e o final de The Boys desperdiça a oportunidade de tornar sua presença relevante no tabuleiro final."
Para ficar no radar
O que resta para o universo da Vought agora que a série principal encerrou seu ciclo? Com o cancelamento de Gen V, o futuro desses personagens permanece incerto e, honestamente, preocupante. O que podemos esperar da franquia daqui para frente?
- Vought Rising: O prelúdio focado em Soldier Boy (Jensen Ackles) e Stormfront (Aya Cash) pode ser a última chance de amarrar pontas soltas e, talvez, dar um destino final aos órfãos de Gen V através de flashbacks ou conexões temporais.
- O vácuo de poder: Com a queda do Capitão Pátria, a Vought precisará de novos produtos. O destino de Marie e seus amigos pode ser explorado em curtas ou produções menores, caso a Amazon decida não abandonar totalmente o investimento feito nesses atores.
- O risco da continuidade: O maior desafio da franquia é evitar o cansaço do público com spin-offs que não entregam o peso dramático prometido, algo que o final de The Boys infelizmente exemplificou ao tratar o elenco de Gen V como um acessório descartável.


