O que é The Boroughs e por que todo mundo está falando disso?
The Boroughs — série de suspense sobrenatural dos Duffer Brothers (os mesmos gênios por trás do fenômeno Stranger Things) — chegou à Netflix como uma lufada de ar fresco. Esqueça as crianças andando de bicicleta e o Mundo Invertido; aqui, a trama se desenrola em um condomínio de luxo para aposentados no deserto do Novo México. Se você estava com saudade daquela mistura de mistério com pitadas de ficção científica que só os Duffer sabem entregar, pode preparar a pipoca, porque o negócio aqui é de altíssimo nível.
A história acompanha Sam Cooper, interpretado pelo veterano Alfred Molina, um engenheiro aeronáutico recém-viúvo que é forçado a se mudar para o condomínio contra a própria vontade. O contrato é uma armadilha, a saudade da esposa, Lilly (Jane Kaczmarek), aperta e o humor do cara não é dos melhores. É o clássico arquétipo do ranzinza que só quer ser deixado em paz, até que as coisas começam a ficar estranhas — e não estamos falando de um vizinho chato reclamando do barulho, mas de algo muito mais sinistro.
Quem compõe o elenco dessa jornada?
Não dá para falar de The Boroughs sem exaltar o elenco. A Netflix não economizou no cachê e trouxe nomes que carregam o peso da atuação nas costas. Além de Molina, temos Bill Pullman como Jack, o vizinho otimista que serve como o contraponto perfeito para o cinismo de Sam. A química entre os dois é o coração da série, transformando o que seria um drama de convivência em algo muito mais dinâmico.
O grupo de amigos de Jack inclui figuras lendárias de Hollywood:
- Clarke Peters e Alfre Woodard como Art e Judy, o casal que conhece todos os segredos do lugar.
- Denis O’Hare na pele de Wally, um médico aposentado que enfrenta um diagnóstico terminal, trazendo um peso emocional necessário à trama.
- Geena Davis como Renee, uma ex-empresária do ramo musical que não tem medo de falar o que pensa.
O mistério da "coruja nas paredes" faz sentido?
A tensão começa logo no primeiro episódio, quando Sam é atacado por Edward (Ed Begley, Jr.), um morador que sofre de demência avançada. O sujeito insiste que existe uma "coruja nas paredes" e acusa Sam de ser um infiltrado, ou melhor, "um deles". É aquele tipo de momento que te faz questionar: o cara está apenas delirando devido à idade, ou ele é o único que realmente percebeu que algo sobrenatural está rolando naquele condomínio?
A escrita dos Duffer Brothers aqui brilha por não subestimar o espectador. O roteiro é inteligente, ácido e sabe equilibrar o terror com momentos de humor seco que funcionam muito bem. A sensação de isolamento do deserto do Novo México é usada como um personagem à parte, criando uma atmosfera claustrofóbica mesmo em um ambiente aberto. É o tipo de série que você começa assistindo por curiosidade e termina maratonando para entender que raios está acontecendo com os moradores daquele lugar.
Por que a série se destaca no catálogo da Netflix?
Depois de Stranger Things, havia uma pressão enorme sobre os Duffer Brothers. A série Stranger Things: Tales from '85, lançada em abril, dividiu opiniões, mas The Boroughs parece ter encontrado o equilíbrio perfeito. A série não tenta ser um novo Stranger Things, e é exatamente por isso que funciona. Ela tem uma identidade própria, focada em personagens mais maduros, com dores reais, luto e, claro, um mistério que vai te deixar com a pulga atrás da orelha.
A produção técnica é impecável. A fotografia, o design de som e a direção de arte fazem com que o condomínio pareça um lugar seguro, mas que, a cada canto, revela uma rachadura na realidade. Se você busca algo que fuja do padrão das produções adolescentes da plataforma, essa é, sem dúvida, a pedida certa para o seu final de semana.
O que falta saber
Apesar do sucesso inicial, o futuro da produção ainda é uma incógnita. Como é comum em séries de mistério, a maior dúvida é se os Duffer Brothers conseguirão manter o ritmo e entregar respostas satisfatórias sem cair em furos de roteiro. Por enquanto, o que temos é:
- A confirmação de que a série segue o estilo de "suspense de criatura" (creature feature) com um toque de drama humano.
- A expectativa sobre se teremos uma segunda temporada, algo que a Netflix ainda não confirmou oficialmente.
- O impacto que essa produção terá no novo contrato dos criadores com a Paramount, já que eles estão com um pé lá e outro cá.
Agora é esperar para ver se o mistério da "coruja" vai se expandir para algo maior ou se o foco continuará sendo o drama contido entre esses moradores icônicos. De qualquer forma, The Boroughs já garantiu seu lugar como uma das produções mais sólidas do ano.


