TL;DR: A edição #596 de The Adventures of Superman, lançada em 12/09/2001, traz uma ilustração das torres LexCorp em chamas, coincidindo de forma assustadora com os ataques de 11 de setembro, o que gerou grande polêmica entre leitores.
O que aconteceu
Em 12 de setembro de 2001, a dc comics colocou nas bancas The Adventures of Superman #596, escrita por Joe Casey e ilustrada por Mike Wieringo. A trama se desenrolava logo após a Guerra Imperiex, um conflito cósmico que havia acabado de ser encerrado. Enquanto a primeira página mostrava destruição em várias cidades — um navio afundado em Sydney, um cráter em Frankfurt e a Casa Branca em ruínas — a segunda página apresentava algo que ninguém esperava: duas torres da LexCorp em Metropolis, soltando fumaça, com o Superman pairando sobre a cena.
A coincidência foi tão forte que, para muitos leitores, a arte parecia uma referência direta ao ataque ao World Trade Center ocorrido no dia anterior. A DC rapidamente recebeu reclamações, e, segundo relatos, chegou a oferecer a troca da edição para quem se sentisse incomodado, embora poucos tenham efetivado a devolução.
Como chegamos aqui
Para entender o porquê da imagem, é preciso lembrar que os quadrinhos são produzidos com antecedência. Roteiros e artes são finalizados semanas — às vezes meses — antes da data de impressão. Wieringo afirmou em entrevista que só percebeu a semelhança depois que fãs começaram a comentar nos fóruns, e que a arte foi concluída muito antes dos ataques.
O contexto da história também ajuda a explicar a escolha visual. Após a Guerra Imperiex, a DC buscava mostrar as consequências de um conflito que quase destruiu o universo. A ideia era retratar cidades devastadas, simbolizando a fragilidade da civilização mesmo quando os heróis salvam o dia. Metropolis, a cidade natal do Superman, acabou servindo como pano de fundo para essa mensagem, mas o timing acabou sendo desastroso.
Enquanto a DC tentou minimizar o incidente, a própria empresa reconheceu que abordar eventos reais poderia datar seus quadrinhos, como explicou Dan DiDio em entrevista de 2008. Por isso, a editora evitou mencionar diretamente os ataques nos capítulos subsequentes, embora algumas de suas linhas subsidiárias — como Ex Machina e The Boys — tenham abordado temas mais sombrios.
Do outro lado da cerca, a marvel comics lançou, dois meses depois, The Amazing Spider-Man #36, com capa totalmente preta e, dentro, o Homem-Aranha observando a destruição das torres. Essa homenagem foi intencional e recebeu elogios por honrar os primeiros socorristas.
O que vem depois
Apesar da controvérsia, o número #596 continua sendo um ponto de referência para discussões sobre a responsabilidade editorial diante de tragédias reais. A edição acabou se tornando um objeto de colecionador, mas também um lembrete de como o timing pode transformar arte em algo inesperadamente sensível.
Nos últimos anos, a DC tem revisitado seu catálogo com mais cautela, evitando referências diretas a eventos contemporâneos que possam soar insensíveis. Ainda assim, a questão de como os super-heróis lidam com desastres reais permanece viva nas narrativas, aparecendo em histórias como Batman: The Dark Knight Returns e Watchmen, que tratam de crises sociopolíticas.
- O número #596 é hoje um item raro, valorizado por colecionadores que buscam peças históricas.
- DC ainda não abordou diretamente os ataques de 9/11 em suas linhas principais, preferindo manter a ficção separada da realidade.
- Marvel, por contraste, usou sua plataforma para homenagear os primeiros socorristas, mostrando que ambas as editoras podem reagir de formas distintas.
Para quem ainda não tem a edição, vale lembrar que a DC disponibilizou uma versão digital por tempo limitado, mas a maioria dos leitores ainda prefere o papel, seja por nostalgia ou por valor de colecionador.
Para ficar no radar
Se você acompanha lançamentos de quadrinhos, fique de olho nas próximas edições que tratam de temas de catástrofe e resiliência. A DC anunciou recentemente uma minissérie que explora o impacto de desastres climáticos em Metropolis, prometendo abordar o assunto com mais sensibilidade e pesquisa.
Enquanto isso, a comunidade de fãs continua debatendo: até que ponto os criadores devem se preocupar com o contexto real ao planejar suas histórias? A resposta ainda está em aberto, mas o caso de The Adventures of Superman #596 serve como um lembrete de que, às vezes, a coincidência pode ser mais chocante que qualquer vilão.
5 Moments That Prove That General Zod Is Superman’s Deadliest Villain


