TL;DR: A Tailândia tem produzido 17 adaptações de K‑dramas, variando de sucessos que superam o original a versões que diluem a proposta coreana. A onda de remakes revela tanto oportunidades de mercado quanto riscos criativos.
O que aconteceu
Nos últimos quatro anos, a indústria de entretenimento tailandesa embarcou numa maratona de adaptações de séries sul‑coreanas. Começou com 23:23 (2023), um thriller policial que troca o clima frio de Signal por o calor das ruas de Bangkok, e seguiu com Happiness (2025), que transporta o apocalipse zumbi de Happiness para um condomínio local. Desde então, títulos como I Need Romance (2021), Let’s Fight Ghost (2021) e My Love from Another Star (2019) foram lançados, totalizando 17 obras que já estão disponíveis em plataformas de streaming como Viki.
Alguns desses remakes ganharam notoriedade por trazer atores tailandeses de peso – Nonkul Chanon Santinatornkul em 23:23, Nadech Kugimiya em My Love from Another Star – enquanto outros apostaram em talentos emergentes para atrair o público jovem. O resultado é um catálogo eclético que mistura romance, suspense e ficção científica, tudo filtrado pela estética e pelos costumes locais.
Como chegamos aqui
A onda de remakes não surgiu do nada. A Hallyu wave conquistou a Tailândia há mais de uma década, impulsionando a demanda por conteúdo coreano nas redes sociais, em eventos como a CCXP Bangkok e nas plataformas de streaming. As produtoras tailandesas perceberam que adaptar fórmulas já testadas poderia reduzir riscos financeiros, já que o roteiro já provou ser popular.
Entretanto, a estratégia tem duas faces:
- Pró: A adaptação permite inserir referências culturais locais – culinária, gírias e valores familiares – que aumentam a identificação do público. Por exemplo, Let’s Eat troca o foco em pratos coreanos por delícias de street food tailandesa, criando um apelo gastronômico imediato.
- Contra: O risco de perder a essência do original é alto. Em Voice, a premissa de um centro de emergência 112 é mantida, mas a profundidade psicológica dos personagens sofre ao ser simplificada para atender a um formato mais “light”.
Além disso, a questão da legitimidade criativa tem gerado debates acalorados nas redes. Enquanto alguns fãs celebram a oportunidade de ver suas histórias favoritas com rostos familiares, outros acusam as produtoras de “cultura de cópia” e pedem mais originalidade. Essa tensão reflete um dilema maior da indústria: inovar ou capitalizar.
Do ponto de vista econômico, as plataformas de streaming têm favorecido esses projetos, oferecendo contratos de licenciamento que garantem receita estável. A Viki, por exemplo, tem promovido a coleção “Thai Remakes of K‑Dramas” como um bloco exclusivo, atraindo assinantes que já são fãs de ambos os mercados.
O que vem depois
Olhar para o futuro implica analisar duas tendências emergentes. Primeiro, a qualidade sobre quantidade: produtores tailandeses começaram a investir mais em roteiros originais, como Start‑Up (2024), que embora seja baseado em um K‑drama, incorpora um cenário de startups tailandesas, trazendo relevância contemporânea. Segundo, a colaboração trans‑regional – já vemos co‑produções entre Tailândia e Coreia que permitem troca de elenco e crew, reduzindo a sensação de “cópia” e ampliando o alcance internacional.
Se a estratégia de remakes continuar, podemos esperar mais adaptações de séries de alta produção, especialmente aquelas que ainda não foram levadas ao mercado ocidental. Por outro lado, se a crítica dos fãs ganhar força, as produtoras podem redirecionar recursos para histórias 100% tailandesas, usando o sucesso dos remakes como trampolim para criar IPs próprios.
Em resumo, a jornada dos remakes tailandeses ainda está em fase de experimentação. O que está claro é que a troca cultural entre Coreia e Tailândia não é unilateral; ela está moldando novas narrativas que, quando bem feitas, enriquecem o panorama asiático de entretenimento.
Onde isso pode dar
A aposta da redação é que, nos próximos dois anos, veremos um recalibração desse modelo: menos séries “cópias” e mais projetos híbridos que mesclam a estrutura de sucesso coreana com a identidade tailandesa. Essa evolução pode abrir portas para que outros países da ASEAN adotem a mesma estratégia, gerando um ecossistema de adaptações regionais que, ao final, fortalece a produção local e oferece ao público global um leque ainda maior de histórias.
Para quem ainda não mergulhou nesses remakes, a recomendação é começar pelos que conseguiram equilibrar respeito ao original e inovação cultural – 23:23, Happiness e My Love from Another Star são bons pontos de partida. Se a série falhar em capturar a magia coreana, ainda assim será um exercício interessante de como diferentes culturas reinterpretam narrativas universais.
FAQ
- Por que a Tailândia está fazendo tantos remakes de K‑dramas? A popularidade da Hallyu na região cria demanda por conteúdo familiar, e adaptar séries já testadas reduz riscos de produção.
- Os remakes tailandeses são dublados em português? A maioria está disponível com legendas em português nas plataformas de streaming; dublagens em português não são oficialmente anunciadas.
- Vale a pena assistir a um remake ao invés do original? Depende do seu interesse: se curte ver adaptações culturais, os remakes oferecem uma nova perspectiva; se prefere a visão original, pode pular.


