Texturetown reúne trechos de antigos MMOs infantis em uma colagem digital que desafia a compreensão tradicional de jogos online.
O que aconteceu
Em 2026, o pesquisador e artista digital Aidan Strong, baseado em Los Angeles, lançou Texturetown, um experimento que combina código e recursos de vários MMOs que foram descontinuados entre 2003 e 2017. O projeto utiliza o código alterado de toontown (2003‑2013), áudios de pirates of the caribbean online (2007‑2013), textos de club penguin (2005‑2017) e texturas de fusionfall (2009‑2013). O objetivo é criar um mundo virtual que, embora jogável em teoria, permanece funcionalmente inerte, servindo como um memorial digital para servidores abandonados.
Como chegamos aqui
Nos primeiros anos da década de 2000, o sucesso de Everquest e World of Warcraft demonstrou o enorme potencial financeiro dos jogos massivos online. Empresas de entretenimento infantil, como Cartoon Network e Disney, começaram a desenvolver seus próprios MMOs para atrair crianças e adolescentes. Essa corrida resultou em um "influxo massivo" de títulos como Club Penguin, Toontown, FusionFall e Pirates of the Caribbean Online. Apesar de comunidades engajadas, a maioria desses jogos foi encerrada em menos de dez anos devido a problemas financeiros.
Strong observou que, embora esses mundos tenham sido desativados, seus ativos digitais — códigos, texturas, diálogos — ainda existem em servidores de arquivos e em arquivos de jogadores. Inspirado por projetos de colagem videogame como Funi Racoon e Water Level/b.l.u.e. EXPLORATION, ele decidiu recombinar esses materiais em um novo ambiente, criando o que ele chama de "meanderware" — um tipo de software que celebra a internet descentralizada e a nostalgia dos primeiros anos da web.
- Fonte de código: Toontown (2003‑2013)
- Áudio: Pirates of the Caribbean Online (2007‑2013)
- Texto: Club Penguin (2005‑2017)
- Texturas: FusionFall (2009‑2013)
O resultado é um ambiente onde personagens pixelados de um jogo colidem com texturas de outro, criando um cenário visualmente caótico que lembra os "Backrooms" — corredores infinitos e desorientadores. O jogo não oferece missões tradicionais nem progressão clara; ao invés disso, ele convida o jogador a explorar a memória coletiva desses mundos perdidos.
O que vem depois
Embora ainda não haja planos oficiais para expandir ou polir Texturetown, o projeto já despertou interesse em comunidades de preservação digital e em desenvolvedores indie que buscam repensar a nostalgia como ferramenta criativa. A própria Strong indica que pretende abrir o código‑fonte para que outros artistas possam criar variações ou adicionar novos fragmentos de MMOs desaparecidos.
Além disso, o conceito de "meanderware" pode inspirar futuras iniciativas que buscam preservar a história dos jogos online, especialmente aqueles que nunca foram documentados oficialmente. Projetos como o Internet Archive já hospedam servidores de Club Penguin e Toontown, mas poucos exploram a ideia de remixar esses recursos em novas experiências interativas.
Para quem se interessa por arte digital, preservação de jogos ou simplesmente quer reviver memórias de infância, Texturetown oferece um convite: mergulhar em um universo onde o passado e o presente colidem, onde a nostalgia é tanto um recurso quanto um obstáculo.
Para ficar no radar
Se você ainda não conhece os MMOs originais, vale a pena dar uma olhada nos seguintes títulos, que serviram de base para Texturetown:
- Club Penguin — jogo social de aventura para crianças, lançado em 2005 pela Disney.
- Toontown Online — MMO de Disney que combinava humor cartoon com batalhas contra vilões corporativos.
- Pirates of the Caribbean Online — aventura multiplayer baseada na franquia cinematográfica da Disney.
- FusionFall — MMO da Cartoon Network que reunia personagens de várias séries animadas.
Explorar esses jogos, mesmo que apenas por vídeos ou arquivos de fan‑made, ajuda a compreender melhor as camadas de referência presentes em Texturetown. E, quem sabe, pode inspirar sua própria colagem de jogos.


