Takii Noame, estúdio indie japonês especializado em visual novels yuri, anunciou o adiamento de seu próximo título após bancos nacionais recusarem transferir receitas obtidas na steam.
FATO: banco recusa transferência de receita da Steam
O desenvolvedor revelou que a SBI Shinsei Bank, após um rigoroso processo de verificação, considerou parte da receita como proveniente de conteúdo adulto e bloqueou a operação. Mesmo ao tentar usar a Japan Post Bank para separar os ganhos de seus jogos "all-ages" da série Watamari, a transferência também foi negada sem justificativa clara. A situação forçou Takii Noame a postergar o lançamento de Watamari Part 2 – A Fake Marriage?, originalmente previsto para agosto, por pelo menos dois meses.
Contexto: por que importa
O caso de Takii Noame não é isolado. Nos últimos meses, outros estúdios indie de jogos adultos — como Ren, Mousou no Mayu e Nupuryu — relataram bloqueios semelhantes, criando um padrão de "debanking" no Japão. Essa prática tem duas consequências graves:
- Risco financeiro: desenvolvedores ficam sem acesso ao dinheiro gerado por títulos já lançados, dificultando a manutenção de equipes, pagamento de royalties e investimento em novos projetos.
- Complicações fiscais: apesar de não receberem a receita, continuam obrigados a pagar impostos sobre o valor bloqueado, gerando um fardo tributário que pode inviabilizar pequenos estúdios.
Além do impacto direto nas finanças, a situação levanta questões sobre a censura implícita e a capacidade das instituições bancárias de distinguir entre conteúdo adulto e não adulto quando ambas são distribuídas em plataformas globais como a Steam.
Reação dos fãs/mercado
A comunidade de jogadores, especialmente fãs de visual novels yuri, reagiu com preocupação e apoio. Nas redes sociais, muitos expressaram solidariedade ao estúdio, enquanto outros questionam a responsabilidade das plataformas de distribuição em mediar tais conflitos. Por outro lado, investidores e distribuidores observam com cautela, temendo que a recorrência desses bloqueios possa reduzir a viabilidade de novos títulos indie, especialmente aqueles que misturam conteúdo adulto e não adulto.
Do ponto de vista do mercado, a situação pode gerar duas tendências:
- Um aumento na busca por alternativas de pagamento fora do sistema bancário tradicional, como criptomoedas ou serviços de pagamento internacionais.
- Pressão sobre as plataformas de distribuição (Steam, Epic, etc.) para oferecer mecanismos de repasse direto ao desenvolvedor, contornando bancos locais.
O que esperar
Com o adiamento de Watamari Part 2, Takii Noame sinaliza que a prioridade é resolver a questão bancária antes de avançar com o marketing do jogo. Enquanto isso, o estúdio já conseguiu abrir conta em outro banco, mas apenas para transferências de valores modestos. A expectativa é que, se a pressão da comunidade e da indústria crescer, os bancos japoneses revisem seus critérios de bloqueio, possivelmente adotando políticas mais transparentes.
Entretanto, se a tendência de "debanking" continuar, poderemos ver um cenário onde desenvolvedores indie buscam publicar fora do Japão ou migram para modelos de financiamento coletivo que não dependam de transferências bancárias tradicionais.
Onde isso pode dar
Se o problema não for resolvido, o ecossistema indie japonês pode sofrer um retrocesso significativo. Pequenos estúdios, que dependem de receitas rápidas para sustentar suas operações, podem ser forçados a fechar ou mudar de foco, reduzindo a diversidade de narrativas — especialmente aquelas que exploram temáticas LGBTQ+ como o yuri. Por outro lado, a crise pode estimular inovações financeiras, como plataformas de pagamento descentralizadas, que ofereçam maior autonomia aos criadores.
Em última análise, o caso de Takii Noame serve como um alerta para toda a indústria: a burocracia bancária pode ser tão decisiva quanto a qualidade do jogo para garantir sua sobrevivência.


