O pesadelo de Krypton nos 64 bits
Você já sentiu aquela dor física de jogar algo tão mal feito que parece um castigo divino? Pois bem, em 24 de maio de 1999, o nintendo 64 — console de 64 bits da gigante japonesa — recebeu Superman: The New Superman Adventures, ou como o mundo prefere chamar para não perder tempo: Superman 64. Desenvolvido pela Titus Interactive, o jogo prometia uma experiência de mundo aberto com o Homem de Aço, mas entregou um deserto de polígonos, névoa infinita e uma mecânica de voo que faria qualquer um desistir de salvar o planeta.
A premissa era baseada em Superman: The Animated Series — desenho animado clássico da DC Comics —, colocando o herói preso em uma realidade virtual criada por Lex Luthor e Brainiac. Na prática? O jogo consistia em atravessar anéis flutuantes em uma Metrópolis vazia e cinzenta, com controles que pareciam ter sido programados em um dia de chuva. O desenvolvimento foi um caos, apressado para coincidir com o filme Superman Lives (que, ironicamente, nunca viu a luz do dia), resultando em um produto final que, honestamente, nem deveria ter saído da bancada de testes.
Apesar de ter vendido cópias suficientes para não ser um fracasso financeiro absoluto na época, a recepção crítica foi brutal. Com uma média de 23% no antigo GameRankings, o jogo se tornou o alvo favorito de piadas e o padrão ouro para definir o que não fazer em um jogo de super-herói.
O trono do pior jogo de todos
A pergunta que não quer calar: será que ele é, de fato, o pior jogo de super-herói da história? A internet adora um consenso, mas a verdade é que o panteão dos desastres é bem populoso. Se olharmos para os números frios do Metacritic, existem concorrentes de peso que chegaram para disputar essa coroa duvidosa:
| Jogo | Ano | Plataforma |
|---|---|---|
| Aquaman: Battle for Atlantis | 2003 | GameCube / Xbox |
| Batman: Dark Tomorrow | 2003 | GameCube / Xbox |
| Batman Beyond: The Return of the Joker | 2000 | N64 |
Aquaman: Battle for Atlantis, por exemplo, ostenta um score de 26/100, enquanto Batman: Dark Tomorrow fica na casa dos 29/100. Ambos possuem combates travados, design de níveis confuso e glitches que fariam o Superman 64 parecer um polimento de luxo. Então, por que o jogo do Homem de Aço continua sendo o mais odiado?
- Impacto Cultural: Ele foi um dos primeiros grandes desastres da era 3D, quando a expectativa era altíssima.
- A Promessa vs. Realidade: A ideia de um mundo aberto de Superman era o sonho de qualquer criança, e a entrega foi um pesadelo técnico.
- Repetição Exaustiva: O design baseado em anéis tornou-se um meme vivo de frustração.
Pra cada perfil, um vencedor
Se você está procurando entender o porquê de Superman 64 carregar essa fama, aqui vai o nosso veredito para cada tipo de jogador:
Para o arqueólogo de bugs (O Curioso)
Se você gosta de ver como a indústria falhou no passado, vale a pena dar uma conferida apenas pelo valor histórico. É um estudo de caso fascinante sobre o que acontece quando o marketing atropela o desenvolvimento. Só não espere se divertir.
Para o fã de super-heróis (O Otimista)
Pule. Sério, não passe perto. Se você quer ver o potencial do Superman nos games, vá atrás de lego DC Super-Villains ou até mesmo as seções de voo em Injustice 2. Deixe o desastre da Titus no fundo da gaveta da história.
Para o colecionador de infâmias
Se você é o tipo de pessoa que tem um altar para jogos "tão ruins que são bons" ou apenas quer completar a coleção de fracassos notórios, ele é um item indispensável. Afinal, é o marco zero da infâmia dos heróis nos games.
O veredito
Superman 64 é o pior jogo de super-herói? Tecnicamente, existem jogos com notas menores ou jogabilidade igualmente quebrada. Mas, culturalmente, ele ocupa um espaço único. Ele é o lembrete constante de que, por trás de toda grande licença e marketing agressivo, pode existir um projeto vazio, apressado e desprovido de alma.
A subjetividade sempre vai reinar — teve gente que jogou isso na infância e, por pura falta de opção, se divertiu. Mas, para a história dos games, ele permanece como o Kryptonita dos desenvolvedores: um exemplo clássico de como não tratar um ícone da cultura pop.


