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Stop Killing Games: projeto de lei avança na Califórnia contra servidores

· · 4 min de leitura
Pessoa sentada em frente a um computador, com controle de videogame e garrafa de água, em um ambiente de escritório
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O que é o movimento Stop Killing Games?

O Stop Killing Games é uma iniciativa de consumidores que ganhou tração global ao questionar a prática de editoras de desativar servidores de jogos, tornando títulos comprados permanentemente inacessíveis. O estopim do movimento foi o caso de The Crew — jogo de corrida da Ubisoft — que teve seus servidores encerrados em 2024, inutilizando cópias físicas e digitais adquiridas pelos jogadores.

A premissa central dos ativistas é que, ao encerrar o suporte online, as empresas deveriam ser obrigadas a fornecer uma forma de manter o software funcional. Isso poderia incluir a criação de um modo offline ou a disponibilização de ferramentas para que a própria comunidade possa hospedar servidores privados, garantindo a preservação do acesso ao conteúdo pago.

Qual foi a vitória recente na Califórnia?

A Assembleia do Estado da Califórnia aprovou o projeto de lei conhecido como Protect Our Games. Este é um passo legislativo significativo, pois propõe novas obrigações para as publicadoras de jogos que operam no estado. Se aprovada pelo Senado estadual, a lei imporá restrições severas sobre como e quando uma empresa pode encerrar o acesso a um produto comercial.

Quais são as exigências do projeto de lei?

O texto legislativo propõe uma série de condições que as empresas deverão seguir para evitar a obsolescência forçada de seus jogos. Entre os pontos principais, destacam-se:

  • Aviso prévio: As editoras devem notificar os jogadores sobre o encerramento de servidores com pelo menos 60 dias de antecedência.
  • Modo offline: A obrigatoriedade de fornecer uma versão do jogo que funcione sem conexão direta com os servidores da empresa.
  • Servidores comunitários: Caso a manutenção de um modo offline não seja possível, a empresa deve fornecer os meios para que os usuários configurem seus próprios servidores.
  • Escopo limitado: A legislação se aplicaria apenas a jogos comercializados, excluindo títulos gratuitos (free-to-play) do escopo inicial.

Por que a ESA se opõe a essa medida?

A ESA (Entertainment Software Association), entidade que representa os interesses das grandes editoras de jogos e organiza eventos como a E3, manifestou forte resistência ao projeto. Segundo a associação, as exigências não condizem com a realidade técnica do desenvolvimento de jogos modernos.

A Assembleia Bill 1921 poderia forçar desenvolvedores a gastar tempo e recursos limitados mantendo sistemas antigos em funcionamento, em vez de criar novos jogos, recursos e tecnologias. Esta política não reflete como os jogos funcionam hoje.

A argumentação da ESA foca na complexidade técnica. Muitos jogos atuais dependem de ecossistemas em nuvem, licenciamento de conteúdo em tempo real e sistemas integrados que mudam constantemente. Para a entidade, forçar a criação de modos offline ou servidores privados em títulos desenhados para a conexão constante exigiria um retrabalho profundo, muitas vezes inviável economicamente para projetos que já não possuem uma base ativa de jogadores.

O que falta saber?

Apesar da vitória na Assembleia, o caminho legislativo ainda é longo. O projeto precisa passar pelo Senado da Califórnia e, posteriormente, ser sancionado. Além disso, a eficácia dessa lei em um mercado globalizado levanta questões sobre se as empresas apenas restringirão o acesso ao produto em regiões específicas ou se adaptarão seus modelos de negócio mundialmente.

Outro ponto de debate é a distinção entre jogos como serviço — que possuem uma natureza inerentemente online — e jogos single-player que foram "forçados" a uma conexão online. A indústria argumenta que a legislação pode inibir a inovação, enquanto os consumidores defendem que o direito de propriedade sobre um produto adquirido não deveria ser revogado unilateralmente pela editora. O desfecho desta batalha jurídica definirá um precedente importante para a preservação histórica e o consumo de mídia digital na próxima década.

Perguntas frequentes

O que o projeto de lei Protect Our Games exige das empresas?
O projeto exige que as empresas notifiquem o fechamento de servidores com 60 dias de antecedência e forneçam um modo offline ou ferramentas para que a comunidade hospede servidores próprios.
Jogos gratuitos (free-to-play) serão afetados pela nova lei?
Não. De acordo com o texto atual do projeto de lei, a legislação se aplica apenas a jogos comercializados, deixando títulos gratuitos fora das novas obrigações.
Por que a ESA é contra a medida?
A ESA argumenta que a lei é tecnicamente inviável, pois forçaria desenvolvedores a manter sistemas obsoletos em vez de investir em novos jogos e inovações tecnológicas.
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