Vale a pena embarcar em Starbites?
Starbites, o novo RPG da IKINAGAMES em parceria com a NIS America, chega ao playstation 5 como uma rara aposta na ficção científica pura, fugindo do terreno comum de elfos e orcs. O jogo nos coloca no planeta Bitter, um deserto pós-apocalíptico repleto de sucata espacial, onde acompanhamos Lukida, uma jovem protagonista que tenta desesperadamente pagar suas dívidas e escapar do planeta com a ajuda de seus amigos Gwendoll e Badger. Se você busca uma experiência de turnos com mechas, o título entrega uma base sólida, mas é impossível ignorar o desgaste visível na execução técnica.
O que esperar da jogabilidade e customização?
O ponto mais alto de Starbites é, sem dúvida, o sistema de progressão. A customização dos Mechbots vai muito além da estética, permitindo que o jogador altere motores e núcleos (Cores) para criar builds específicas. Durante minha jornada, foi extremamente satisfatório montar um Badger focado em contra-ataques e controle de agro. Além disso, as árvores de habilidades são flexíveis, permitindo o resgate de pontos a qualquer momento, o que incentiva a experimentação constante.
O combate, por sua vez, utiliza um sistema de tipos e quebra de defesa (Break) que, no papel, é excelente. No entanto, aqui reside um dos maiores problemas de design do jogo: o balanceamento. Se você for um jogador que gosta de explorar cada canto do mapa, rapidamente se tornará forte demais, tornando mecânicas como o "Driver’s High" — que buffa atributos e permite ações imediatas — quase obsoletas, já que os inimigos caem antes mesmo que você precise recorrer a estratégias mais complexas.
Problemas técnicos: a dura realidade
Não dá para ignorar que Starbites parece ter sido lançado com um ciclo de desenvolvimento apertado, o que chamamos popularmente de "crunch". A experiência é frequentemente interrompida por falhas que tiram a imersão:
- Glitches visuais: NPCs e objetos, como gatos, surgindo dentro de modelos de personagens ou clipping em cenários.
- Estrutura de missões: A progressão de quests é rígida; encontrar um item antes de aceitar a missão pode exigir que você volte ao local apenas para "ativar" o gatilho da cena.
- Movimentação lenta: O deslocamento a pé é penoso, e a função de dash, embora ajude, faz com que a personagem derrape de forma estranha, tornando a navegação pelos mapas um exercício de paciência.
Pra cada perfil, um vencedor
| Perfil de Jogador | Veredito |
|---|---|
| Fã incondicional de JRPG de turnos | Compra garantida, mas espere por patches de correção. |
| Jogador casual de fim de semana | Melhor esperar uma promoção ou atualizações de estabilidade. |
| Entusiasta de customização de mechas | Vale pela diversão de montar builds, ignorando os bugs. |
O lado que ninguém tá vendo
Apesar de todas as críticas, existe um coração pulsante em Starbites. Lukida é uma protagonista cativante e o elenco de apoio consegue sustentar o interesse pela narrativa, mesmo que a história siga caminhos bastante arquetípicos. O jogo não tenta reinventar a roda, mas oferece uma estrutura clássica que, com o devido polimento, poderia ser um título de referência no gênero.
O problema é que, no estado atual, o jogo exige que você tenha uma tolerância alta para o "jank" (a falta de polimento). Se você é do tipo que se irrita facilmente com texturas sumindo ou personagens em T-pose, passe longe por enquanto. Mas, se você consegue enxergar além da poeira de Bitter e valoriza sistemas de combate profundos, encontrará um motor bem ajustado sob o capô. A aposta da redação é que, após algumas atualizações de performance, Starbites se torne um cult classic entre os fãs de RPGs de nicho.


