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Cinema e Series

Star Trek: a historia secreta da emissora que a Paramount quase criou

· · 4 min de leitura
Pessoa em traje espacial futurista correndo em uma esteira tecnológica com painéis digitais ao fundo
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O projeto ambicioso que quase mudou a ficção científica

Em 1978, a televisão americana era um oligopólio dominado pelas três grandes redes (ABC, CBS e NBC). No entanto, nos bastidores da Paramount Pictures — o lendário estúdio de cinema — um plano ousado fervilhava: criar a Paramount Television Service (PTS), uma quarta rede focada inteiramente em um produto que já era um fenômeno cultural: Star Trek (a icônica franquia de exploração espacial criada por Gene Roddenberry).

Essa não era apenas uma ideia de executivo entediado. O estúdio queria capitalizar a febre das reprises de Star Trek: The Original Series que dominavam a TV na década de 70. O plano era simples, mas perigoso: usar uma nova série, Star Trek: Phase II, como a âncora que obrigaria o público a sintonizar na nova rede. Para a Paramount, era a chance de se tornar um titã da radiodifusão, mas a realidade do mercado e o ego dos envolvidos tinham outros planos.

Comparativo: O modelo PTS vs. O modelo UPN

A Paramount sempre teve uma relação conturbada com o formato de rede de TV. Abaixo, comparamos a tentativa frustrada dos anos 70 com a realidade que veio décadas depois.

Característica Paramount Television Service (1978) UPN (1995)
Foco principal Star Trek: Phase II Star Trek: Voyager
Status Cancelado antes do lançamento Operou por 11 anos
Destino final Virou filme (The Motion Picture) Fundida com a The WB para criar a The CW

Por que a aposta em Star Trek: Phase II naufragou?

O maior erro da Paramount foi subestimar a devoção (e a toxicidade) dos fãs da época. Star Trek: Phase II foi projetada para reunir o elenco original, mas com uma ausência notável: Leonard Nimoy, o eterno Spock. O ator estava em uma disputa contratual e pessoal com Roddenberry, o que gerou uma revolta imediata. Os fãs da época não aceitavam um Star Trek sem o vulcano, e a Paramount começou a receber cartas de boicote antes mesmo de um único episódio ser filmado.

Além disso, o custo era proibitivo. Estava previsto um orçamento de 2 milhões de dólares apenas para o episódio piloto de duas partes — um valor estratosférico para a TV daquela época. Barry Diller, o presidente da Paramount na época, era um visionário, mas até ele percebeu que a conta não fecharia. O projeto foi desmantelado em novembro de 1977, transformando o que seria uma série épica no primeiro filme da franquia, Star Trek: The Motion Picture (1979).

O lado que ninguém está vendo

A história da PTS costuma ser contada como um fracasso de planejamento, mas a verdade é que ela foi o embrião de um modelo de negócio que hoje é o padrão da indústria. Barry Diller, após o baque com a PTS, levou sua ambição para a 20th Century Fox, onde ajudou a fundar a Fox Broadcasting Company. A ideia de uma "quarta rede" não estava errada; o erro foi tentar sustentar uma rede inteira em cima de uma única franquia de nicho, por mais amada que ela fosse.

Hoje, vemos a Paramount tentando replicar esse mesmo desejo com o Paramount+, enchendo a plataforma de séries da franquia (Discovery, Strange New Worlds, etc). A diferença é que, em 1978, a tecnologia e o modelo de distribuição não permitiam que o "fandom" sustentasse uma rede inteira. Eles queriam criar um ecossistema antes mesmo de o público ter ferramentas para consumi-lo de forma on-demand.

Onde isso pode dar

Se a PTS tivesse sido bem-sucedida, o cenário da TV mundial seria irreconhecível. Provavelmente teríamos tido uma era de ouro da ficção científica nos anos 80, muito antes da popularização da TV a cabo. A lição que fica, porém, é sobre a fragilidade de construir um império sobre uma única marca.

  • Dependência criativa: Apostar tudo em uma única IP (Propriedade Intelectual) é um risco que pode implodir o orçamento se o público rejeitar uma mudança no elenco ou no tom.
  • A força do fandom: O boicote de 1977 provou que, mesmo décadas antes das redes sociais, os fãs tinham poder de veto sobre decisões corporativas.
  • O tempo certo: A Paramount estava certa sobre a demanda, mas errada sobre o momento. O que não funcionou em 78 acabou pavimentando o caminho para a UPN e, eventualmente, para o streaming moderno.

Perguntas frequentes

Por que a Paramount queria criar uma rede de TV em 1978?
A Paramount queria capitalizar a imensa popularidade das reprises de Star Trek na década de 70, usando uma nova série como âncora para competir com as três grandes redes americanas da época.
O que aconteceu com a série Star Trek: Phase II?
Devido aos altíssimos custos de produção e a conflitos com o elenco, o projeto foi cancelado. O material desenvolvido foi posteriormente retrabalhado e transformado no primeiro filme da franquia, Star Trek: The Motion Picture.
A Paramount chegou a ter uma rede de TV depois?
Sim, a Paramount lançou a UPN (United Paramount Network) em 1995, que teve Star Trek: Voyager como seu principal destaque. A rede operou até 2006, quando foi fundida com a The WB para formar a The CW.
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