O tom da série mudou?
Se você passou os primeiros episódios de Spider-Noir — a série live-action da Amazon Studios que traz Nicolas Cage como Ben Reilly, uma variante detetive do Homem-Aranha — achando que o clima estava pesado demais, você não está sozinho. A produção se vendeu como um pastiche de cinema noir pós-guerra, com aquela estética em preto e branco que a gente adora, mas que, convenhamos, estava faltando aquele tempero de "super-herói" que a gente espera de qualquer coisa vinda da Marvel.
O showrunner Oren Uziel até chegou a comentar que se inspirou em clássicos como Jejum de Amor (His Girl Friday) e O Homem Que Não Existiu (The Thin Man), prometendo uma pegada divertida. Só que, na prática, a série entregou muito mais cinismo e desespero do que risadas. Até o sétimo episódio, a vida de Ben Reilly era basicamente um compilado de traumas de guerra, corrupção e uma busca incessante por um pagamento que nunca chega.
A cena que salvou a pátria (e o humor)
Foi preciso chegar no episódio 7, intitulado "Nobody's Hero", para a série finalmente lembrar que, ei, isso aqui é um show do Homem-Aranha! A cena em questão é um alívio cômico necessário que parece ter sido arrancado diretamente da franquia Homem-Aranha no Aranhaverso (a animação aclamada da Sony).
Na sequência, vemos Ben Reilly afogando as mágoas em um bar, enquanto alguns valentões locais decidem tirar uma com a cara do "Aranha". O que acontece a seguir é puro suco de Nicolas Cage:
- Reilly não aguenta a pressão e sai do bar, apenas para voltar fantasiado.
- Ao som de uma versão jazzística de "Sway", ele começa a distribuir teias e socos.
- O ponto alto? Cage gritando "Teia! Teia! Teia!" enquanto prende os caras nas paredes, com aquela energia caótica que só ele consegue entregar.
É um momento curto, mas que quebra totalmente o gelo da narrativa. É o tipo de bizarrice divertida que a gente sente falta quando a Marvel tenta ser "séria demais" o tempo todo.
Comparativo: O tom da série vs. o momento do bar
| Característica | O resto da série | Cena do Bar (Ep. 7) |
|---|---|---|
| Vibe | Noir, sombrio, existencialista | Caótico, cômico, "Cage-core" |
| Ritmo | Lento e melancólico | Frenético e musical |
| Foco | Traumas de WWI | Ação pura e diversão |
Qual escolher: Onde isso pode dar?
Se você ainda não começou a maratonar, fica o aviso: Spider-Noir é um estudo de personagem, não um filme de pancadaria da Marvel Studios. Porém, essa pequena amostra de insanidade no sétimo episódio deixa uma pulga atrás da orelha: será que a série teria sido melhor se tivesse abraçado esse lado mais "goofy" (bobo/engraçado) desde o início?
Para quem curte o lado mais experimental e artístico, a série entrega o que promete. Mas, se você é do time que quer ver o Aranha sendo o Aranha — mesmo que seja uma versão detetive dos anos 30 — essa cena específica é o motivo pelo qual você deve continuar assistindo até o final. O veredito é simples: tenha paciência com o ritmo lento, porque o payoff de ver o Nicolas Cage soltando teia enquanto grita no bar vale cada minuto de espera.
Vale lembrar que todos os oito episódios já estão disponíveis no Prime Video e MGM+. Se você já viu, conta pra gente: esse tom mais leve faz falta ou o estilo noir é o que sustenta a série?


