Sony decidiu rebootar Horizon Hunters Gathering — o spin-off multiplayer da franquia Horizon — transformando-o de um jogo live service em uma experiência co-op tradicional com campanha narrativa. A informação vem de reportagem da Bloomberg assinada por Jason Schreier, baseada em fontes internas. A equipe de desenvolvimento tem até dezembro para convencer a diretoria, enquanto a sequência principal de Horizon Forbidden West permanece anos longe de ficar pronta.
Os 5 pontos que explicam a virada da Sony com Horizon
- O modelo live service foi abandonado por completo. Segundo as fontes da Bloomberg, a Sony determinou a remoção de todos os elementos de serviço contínuo. O projeto deixa de ser um jogo com hub social, temporadas e economia de longo prazo para virar um co-op focado em progressão finita.
- Os playtests internos tiveram recepção muito negativa. Desde o anúncio no início do ano, a Guerrilla Games vinha rodando testes fechados. O feedback teria sido ruim o suficiente para forçar a mudança de direção drástica, algo que a Sony não comentou oficialmente.
- Parte da equipe está sendo realocada dentro dos estúdios da Sony. Com a redução de escopo, desenvolvedores estão sendo movidos para outros projetos first-party. Um núcleo menor da Guerrilla permanece no jogo, enquanto outro grupo já trabalha no próximo Horizon single-player.
- O prazo para "impressionar os chefes" vai até dezembro. A expressão usada por Schreier — "through December" — indica que a versão reimaginada precisa mostrar viabilidade comercial antes do fim do ano, ou o projeto corre risco de cancelamento total.
- A sequência principal de Horizon Forbidden West está anos distante. Fontes ouvidas pela Bloomberg dizem que o próximo jogo narrativo da Aloy ainda está em estágio inicial. Não há janela de lançamento, nem confirmação de plataformas — embora rumores recentes sugiram que a Sony pode voltar a lançar first-party no PC.
Por que a Sony insiste em live service apesar do histórico de fracassos?
Em junho deste ano, o CEO da PlayStation, Hideaki Nishino, declarou que a empresa ainda acredita no modelo: "acreditamos que jogos live service atraem usuários globalmente, então queremos continuar revitalizando o mercado com conteúdo first e third-party". A fala soa desconectada da realidade recente. Desde 2022, quando a Sony anunciou a meta de lançar doze jogos live service até março de 2026 — meta depois cortada pela metade —, a lista de projetos cancelados ou problemáticos só cresce.
- Concord — hero shooter da Firewalk Studios — foi tirado do ar meses após o lançamento.
- The Last of Us Online — projeto multiplayer da Naughty Dog — cancelado antes de sair.
- Spin-off co-op de Spider-Man da Insomniac — vazado e depois abortado.
- Jogo live service de God of War — descartado junto com projeto não-anunciado da Bend Studio (criadora de Days Gone), que sofreu demissões em massa.
- Centenas de demissões na Bungie (Destiny 2, Marathon) após aquisição bilionária.
O problema estrutural é simples: jogos live service exigem investimento contínuo massivo e competem por atenção com "evergreens" como Fortnite, que já dominam o tempo dos jogadores. A Sony tem tentado forçar entrada num mercado saturado usando suas IPs mais valiosas, e o resultado tem sido queima de capital e credibilidade.
O que a Guerrilla Games ganha e perde com a mudança
Para a Guerrilla, o reboot de Hunters Gathering representa um alívio criativo e um risco comercial. O estúdio construiu reputação com jogos single-player de mundo aberto, narrativa forte e sistemas de combate contra máquinas — exatamente o oposto do design de retenção de live service. Um co-op tradicional com campanha permite reaproveitar o mundo, os inimigos robóticos e a estética tribal-futurista sem as amarras de battle pass, loja cosmética e métricas de retenção diária.
Por outro lado, jogos co-op narrativos de orçamento médio têm histórico misto no mercado atual. Sem o "gancho" de serviço contínuo, a Sony precisará vender a experiência como produto fechado — o que exige qualidade de campanha comparável aos jogos principais, mas com equipe menor e prazo apertado. O prazo de dezembro sugere que a versão jogável para avaliação executiva já deve estar em estágio avançado, o que levanta dúvidas: quanto do trabalho anterior (Cauldron Descent, Machine Incursion, narrativa episódica) será aproveitado?
Para ficar no radar
O destino de Horizon Hunters Gathering será decidido nos próximos meses. Se a versão co-op passar no crivo da diretoria até dezembro, o anúncio público reformulado deve surgir em 2025 — possivelmente num State of Play. Enquanto isso, a sequência principal de Horizon segue sem previsão, o que significa que a franquia pode ficar anos sem lançamento principal, dependendo apenas do spin-off para manter relevância.
Três variáveis definem o desfecho:
- Qualidade da campanha co-op no playtest de dezembro — se for "mais do mesmo" genérico, o cancelamento volta à mesa.
- Disposição da Sony em aceitar jogo co-op como produto premium único, sem microtransações agressivas.
- Se a Guerrilla consegue paralelizar desenvolvimento do próximo Horizon single-player sem drenar talentos do spin-off.
Para o fã brasileiro, a lição é clara: a Sony ainda não aprendeu a lição do live service, mas pelo menos recuou a tempo de não transformar Horizon em outro Concord. O co-op pode sair bom — ou pode virar mais um "projeto reiniciado" que some no limbo. Acompanhe os próximos State of Play.


